Tuberculose pulmonar Icone para edição

A tuberculose pulmonar é uma infecção bacteriana contagiosa que afeta principalmente os pulmões, mas que pode se espalhar para outros órgãos.

Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), nove milhões de pessoas contraíram a bactéria causadora da tuberculose em 2013. Dessas, 1,5 milhão morreu em decorrência da doença, sendo que aproximadamente 95% dessas mortes ocorreram em países menos desenvolvidos. Apesar dos altos números, a incidência de tuberculose está caindo lentamente ano a ano. De 1990 até os dias atuais, o número de mortes causadas pela doença caiu 45% e a estimativa, ainda de acordo com a OMS, é que a epidemia seja controlada já em 2015.

Durante muitos anos a tuberculose foi uma das principais causas de mortes em todo mundo. Motivo de grande preocupação durante o século XIX e no início do século XX, ela acometia principalmente as classes mais pobres e fazia vítimas de todas as idades. Com o tempo, ações de combate à doença ajudaram a controlar o quadro e o número de infecções se estabilizou, antes de finalmente começar a declinar. Por volta dos anos 80, no entanto, a incidência de tuberculose voltou a crescer com o surgimento da Aids. Até hoje, a tuberculose é uma das principais doenças oportunistas que acometem as pessoas com a Síndrome da Imunodeficiência Adquirida. Além disso, o aparecimento de focos da doença resistente aos medicamentos até então existentes ajudou a agravar o cenário, levando a tuberculose a um novo status epidemiológico em todo o mundo.

Por aqui, segundo o Ministério da Saúde, a tuberculose é considerada uma doença endêmica. A endemia se difere da epidemia por ser de caráter contínuo a restrito a uma determinada área. A partir do surgimento da Aids, no entanto, a tuberculose passou a apresentar características tipicamente epidemiológicas – tanto aqui quanto no restante do mundo. Hoje, com os métodos preventivos existentes, como a vacinação e campanhas promovidas pelo Ministério da Saúde e secretarias de saúde dos estados, o cenário já não é tão grave.

Por outro lado, a tuberculose ainda é considerada um sério problema de saúde pública no Brasil – e com profundas raízes sociais. Cerca de 70 mil novos casos são notificados todos os anos, sendo aproximadamente 4,6 mil mortes causadas em decorrência da doença. Hoje, o Brasil ocupa o 17º lugar entre os 22 países responsáveis por 80% do total de casos de tuberculose no mundo.

Nos últimos 17 anos, a tuberculose apresentou queda de 38,7% na taxa de incidência e 33,6% na taxa de mortalidade. A tendência é que esse número caia cada vez mais.

Sintomas:

Ao ser infectada pela bactéria causadora da tuberculose, uma pessoa pode ou não desenvolver os sinais e sintomas da doença – tudo vai depender das condições do sistema imunológico e do quão resistente a pessoa está a determinados agentes invasores. Em alguns casos, o bacilo de Koch entra no organismo e nossos anticorpos logo tratam de eliminá-lo. Em outros, a bactéria invade nosso corpo e se aloja no pulmão, permanecendo em estado latente até que a resistência baixe e torne o organismo vulnerável à ação do bacilo. Nesses casos, os sinais e sintomas típicos da tuberculose pulmonar começam a surgir. Eles são:

Quando a infecção está em estado latente, a pessoa não pode transmiti-la, pois não apresenta os sintomas. A transmissão só ocorre quando o indivíduo passa a lançar micropartículas contaminadas com a bactéria – o que acontece principalmente a partir da tosse.

Além disso, a tuberculose pode não se restringir somente ao pulmão, podendo afetar outros órgãos também, como os rins, a coluna vertebral e até mesmo o cérebro. Quando isso acontece, os sinais e sintomas variam de acordo com o órgão afetado. A tuberculose que acomete a coluna, por exemplo, pode levar a um quadro crônico de dor nas costas, enquanto que a tuberculose que se espalha para os rins pode levar à presença de sangue na urina.

Diagnóstico:

O diagnóstico de tuberculose começa com um exame físico, no qual o médico examinará os nódulos linfáticos do paciente em busca de sinais de inchaço e utilizará um estetoscópio para ouvir atentamente aos sons pulmonares produzidos durante a respiração.

Em seguida, o especialista realizará um exame simples de pele no paciente – que é um dos principais métodos para identificar tuberculose. Nele, uma pequena quantidade de uma substância chamada tuberculina PPD é injetada no antebraço do paciente. Cerca de 48 a 72 horas após a aplicação da injeção, o indivíduo deve voltar ao consultório médico, no qual o especialista sairá em busca de um inchaço na região onde a substância foi injetada. Se houver a presença de uma protuberância vermelha no local, então o diagnóstico é positivo para tuberculose pulmonar. O tamanho do inchaço indica se os resultados deste teste são significativos e confiáveis ou não.

Este exame cutâneo, no entanto, não é perfeito e o resultado obtido pode estar errado. Isso acontece tanto em casos de pessoas que não têm a doença, mas o resultado do teste aponta que sim, quanto para indivíduos que estão com tuberculose, mesmo o exame afirmando que não.

Um teste falso-positivo para a doença costuma acontecer quando a pessoa que o realizou acabou de tomar a vacina BCG, que é muito pouco utilizada em alguns países, mas que costuma ser bastante aplicada em locais onde a incidência de tuberculose é muito alta. Já um resultado falso-negativo pode acontecer com pessoas que não respondem à substância injetada no exame e, portanto, não desenvolvem a protuberância no antebraço. Esse engano também costuma ocorrer com indivíduos que acabaram de ser infectados pela bactéria e, por isso, seus organismos ainda não tiveram tempo de reagir aos invasores.

Para evitar esses casos, novos métodos de diagnóstico foram desenvolvidos ao longo do tempo. Confira:

Este teste pode ser usado para diagnosticar tanto a tuberculose ativa quanto a tuberculose latente. Para realiza-lo, é utilizada uma tecnologia bastante sofisticada que mede a reação do sistema imunológico do organismo à presença da bactéria causadora da doença. Os exames de sangue são indicados principalmente para pessoas que receberam um resultado negativo do teste cutâneo e que acabaram de receber a vacina BCG.

Indicados prioritariamente para confirmar o diagnóstico de pessoas que receberam um resultado positivo do teste cutâneo, os exames de imagem mais recomendados pelos médicos são a radiografia do tórax e a tomografia computadorizada. Esses testes podem mostrar a presença de manchas brancas ou outras alterações nos pulmões causadas pela tuberculose. Geralmente, as tomografias fornecem uma visão mais detalhada do que os raio X.

Feito geralmente após os testes de imagem, o exame de escarro costuma ser recomendado pelo especialmente depois que a radiografia ou a tomografia do tórax deram resultado positivo para tuberculose. Nesses casos, o médico recolhe uma amostra do escarro, que é o muco presente na tosse, e a envia para análise laboratorial.

As amostras recolhidas na expectoração também pode ser usadas para testar as estirpes bacterianas resistentes a medicamentos contra a tuberculose, o que pode ajudar o especialista a escolher a melhor forma de tratamento para o paciente.

Tratamento:

O tratamento para tuberculose pulmonar é feito, basicamente, por meio de medicamentos, assim como acontece no caso de outras infecções bacterianas. O tratamento da tuberculose, por outro lado, é muito mais difícil e costuma demorar mais tempo do que a duração média para outros tipos de infecções causadas por bactérias.

O uso de antibióticos contra tuberculose deve acontecer por, pelo menos, de seis a nove meses, dependendo do paciente. O tipo de medicamento utilizado e o tempo exato de duração do tratamento variam de acordo com a idade, com a presença ou ausência de outras condições de saúde, com uma possível resistência da cepa bacteriana identificada no diagnóstico, com a forma de tuberculose (latente ou ativa) e com os locais do corpo que foram afetados pela infecção.

Experimentos recentes revelaram que o uso combinado de diversos medicamentos por apenas quatro meses tem se mostrado mais eficiente no combate à evolução da tuberculose, principalmente em pacientes diagnósticos com a doença em estado latente. O tempo menor de tratamento garante que a pessoa tenha acesso à toda medicação que necessita e, ainda por cima, diminui as chances de ela desenvolver efeitos colaterais.

Pessoas diagnosticadas com tuberculose latente geralmente necessitam de apenas um tipo de medicação. Já pacientes que são diagnosticados com a doença em curso necessitam de uma abordagem terapêutica um pouco mais radical, com o uso de diversos tipos de antibióticos – principalmente se a cepa bacteriana identificada for resistente a determinados tipos de remédios. Os medicamentos mais comumente usados no tratamento de tuberculose incluem:

Se o paciente tem tuberculose resistente a alguns tipos de medicamentos, uma combinação de antibióticos chamada fluoroquinolonas com medicamentos injetáveis geralmente é a opção mais utilizada pelos médicos. Nesses casos, o tratamento costuma ser prescrito por aproximadamente de 20 a 30 meses.

Uma série de outras drogas está sendo testada para combater as bactérias que tornaram-se resistentes aos antibióticos tradicionalmente usados.

Prognóstico:

Os dois principais obstáculos de pacientes que estão em tratamento para tuberculose são o tempo e os efeitos colaterais dos medicamentos, embora eles não sejam tão comuns. Quando ocorrem, os sintomas que surgem em decorrência do uso dos antibióticos podem ser perigosos para a saúde, por isso seu uso deve ser observado e administrado de perto por um especialista.

Os principais efeitos colaterais do tratamento tradicional de tuberculose incluem náuseas e vômitos, perda de apetite, icterícia, urina com cor anormal e escura e febre intensa e contínua. Além disso, o grande uso de remédios pode causar danos também ao fígado.

A duração do tratamento contra tuberculose também costuma dificultar a convivência do paciente com a doença. Mais demorado e complexo do que o tratamento de outras infecções bacterianas, o uso contínuo de antibióticos contra o bacilo de Koch pode causar prejuízos à saúde física e psicológica do paciente. Novas técnicas e abordagens terapêuticas estão sendo estudadas para facilitar o tratamento e acelerar a recuperação.

Apesar de ser difícil, é altamente recomendável que o paciente siga à risca as recomendações médicas e não abandone o tratamento.

Depois de algumas semanas, o paciente deixa de exalar as gotículas contaminadas no ambiente, parando, portanto, com os riscos de infectar outras pessoas. Além disso, o tratamento também ajuda no alívio dos sinais e sintomas e, depois de alguns dias, o paciente já começa a se sentir melhor.

Para ajudar as pessoas a lidar melhor com o tratamento para tuberculose, um programa chamado Tratamento Diretamente Observado (DOT, na sigla em inglês) pode ser uma boa opção. Esta nova abordagem consiste numa mudança na forma de administrar os medicamentos, porém sem alterações no esquema terapêutico: um profissional treinado passa a observar o uso da medicação pelo paciente desde o início do tratamento até a cura.

Complicações:

Sem tratamento, a tuberculose pulmonar pode ser fatal. Em sua forma ativa, ela costuma afetar principalmente os pulmões, mas pode se espalhar para outros órgãos e piorar a saúde do paciente de um modo geral. Confira algumas das principais possíveis complicações decorrentes da tuberculose:

Tuberculose pulmonar tem cura?

Interromper o uso dos antibióticos ou não toma-los de acordo com a orientação médica pode fazer com que as bactérias sobreviventes tornem-se resistentes aos medicamentos usados em seu tratamento, tornando o quadro infeccioso muito mais grave e difícil de tratar.

Se a pessoa seguir o tratamento corretamente, os sinais e sintomas desaparecerão com o tempo e logo os antibióticos serão capazes de matar todas as bactérias presentes no corpo, levando o indivíduo à cura.

De acordo com a OMS, entre 2000 e 2013, 37 milhões de vidas foram salvas graças às novas técnicas de tratamento disponíveis para tuberculose.

Prevenção:

A melhor forma de se prevenir contra a tuberculose pulmonar é tomando a vacina.

Em países onde a tuberculose é mais comum, as crianças costumar ser vacinadas com a vacina BCG, mas ela não é totalmente eficaz em adultos. No Brasil, a vacina BCG deve ser ministrada às crianças obrigatoriamente no primeiro ano de vida ou, no máximo, até os quatro anos de idade. Se aos cinco anos seu filho ainda não foi vacinado contra tuberculose, procure um médico.

Além de prevenir a você mesmo, é preciso também ajudar a não transmitir a doença para os outros. Durante as primeiras semanas, em que os sintomas costumam ser mais intensos, procure cobrir a boca ao tossir ou espirrar e procure evitar ao máximo o contato próximo com pessoas sadias, não frequentando ambientes fechados e com pouca luz.

Ministério da Saúde

Organização Mundial da Saúde

Mayo Clinic

Portal da Tuberculose

Centers for Disease Control and Prevention

*As informações e sugestões contidas neste site têm caráter meramente informativo.
*Elas não substituem o aconselhamento e acompanhamentos do profissional da saúde.