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O que é Tuberculose ganglionar?

A tuberculose ganglionar é um tipo de tuberculose em que os bacilos Mycobacterium tuberculosis ou Bacilos de Koch (BK) infectam os gânglios, regiões do organismo em que se concentram as células de defesa.

O pulmão é o primeiro órgão infectado pelos bacilos da tuberculose, mas nem sempre é o órgão que manifesta a doença. "O bacilo pode se distribuir pelo corpo todo e ser contido em outros órgãos, mas acabam se multiplicando no gânglio especificamente", explica a infectologista Adriana Coracini.

São as chamadas tuberculoses extrapulmonares, e podem ocorrer em outras partes do corpo, como a pleura (tecido que protege os pulmões), ossos, rins e até nos olhos.

Entre as tuberculoses extrapulmonares, a ganglionar é a segunda mais comum, perdendo apenas para a pleural. "No entanto, a ganglionar é a mais comum em crianças e adolescentes", explica a pneumologista Roberta Sales.

Causas

A tuberculose é causada pela microbactéria Mycobacterium tuberculosis ou Bacilo de Koch (BK). A transmissão é especificamente via áerea, mas diferente do que imaginamos, ocorre mais pelo contato com a pessoa que tem tuberculose, e não com seus objetos.

A pessoa com tuberculose expele, ao falar, espirrar ou tossir, pequenas gotas de saliva que contêm o agente infeccioso e podem ser aspiradas por outro indivíduo contaminando-o. "Conviver entre quatro e seis horas com a pessoa diariamente aumenta o risco de aspirar o bacilo nelas", explica Roberta Sales.

Roberta ressalta também que compartilhar utensílios não costuma ser uma causa de transmissão comum, como se acredita popularmente.

No entanto, vale ressaltar que pessoas com tuberculose ganglionar não costumam transmitir tanto a doença como quem tem o tipo pulmonar. "A quantidade de bacilos é muito menor nos gânglios", pondera Adriana. Além disso, pacientes com tuberculose ganglionar não costumam ter sintomas respiratórios como espirros e tosse.

Fatores de risco

O contato com uma pessoa com tuberculose é a principal causa da doença, no entanto, é preciso estar com o sistema imunológico com problemas para manifestar a doença realmente.

Pessoas imunodeprimidas, como pessoas com HIV positivo, em tratamento do câncer ou que tomam imunossupressores por alguma razão, são alvos mais fáceis para esse quadro.

Além disso, alguns fatores predispõe à uma baixa imunidade, como:

  • Má alimentação
  • Falta de higiene
  • Tabagismo
  • Alcoolismo.

Existe uma relação mais próxima entre o HIV e as tuberculoses. Vale ressaltar, principalmente, que a tuberculose ganglionar é um tipo extrapulmonar bem comum em que é imunossuprimido.

"Sempre que uma pessoa chega ao consultório com um diagnóstico de tuberculose, é importante investigar se ela tem HIV, fazendo os exames específicos", considera Adriana Coracini.

Sintomas de Tuberculose ganglionar

Os sintomas da tuberculose ganglionar são diferentes da ganglionar, devido à localização. Essa doença pode acometer qualquer grupo de gânglios do corpo, mas a maior parte acontece na cadeia cervical, ou seja, próximos ao pescoço. Os sintomas são:

  • Inchaço do gânglio que evolui com o tempo
  • Inflamação com vermelhidão local
  • Dor na região afetada.

Além disso, existem os sintomas gerais da tuberculose, que incluem:

  • Redução no apetite
  • Palidez
  • Febre baixa e vespertina (ou seja, no final da tarde)
  • Emagrecimento
  • Sudorese à noite.

Buscando ajuda médica

Qualquer inchaço em regiões de gânglios (como pescoço, virilha , axilas e etc), com vermelhidão e dor deve ser relatado a um médico imediatamente.

Na consulta médica

Especialistas que podem diagnosticar a tuberculose ganglionar são:

  • Clínico geral
  • Pneumologista.

Estar preparado para a consulta pode facilitar o diagnóstico e otimizar o tempo. Dessa forma, você já pode chegar à consulta com algumas informações:

  • Uma lista com todos os sintomas e há quanto tempo eles apareceram
  • Histórico médico, incluindo outras condições que o paciente tenha e medicamentos ou suplementos que ele tome com regularidade
  • Se possível, peça para uma pessoa te acompanhar.

O médico provavelmente fará uma série de perguntas, tais como:

  • Quais são seus sintomas?
  • Quando eles começaram?
  • Seus linfonodos têm aumentado de tamanho?
  • Você sente dor ou sensibilidade no local do inchaço?
  • Você tem tido febre ou suores noturnos?
  • Você tem perdido peso sem tentar?
  • Sua garganta está dolorida ou você tem tido dificuldade para engolir?
  • Você tem tido dificuldades para respirar?

Também é importante levar suas dúvidas para a consulta por escrito, começando pela mais importante. Isso garante que você conseguirá respostas para todas as perguntas relevantes antes da consulta acabar.

Diagnóstico de Tuberculose ganglionar

O diagnóstico, além da conversa prévia com o especialista, requer a análise do tecido do gânglio acometido. "Para isso é feita uma punção, em que uma agulha fina é espetada na região afetada e parte do tecido é retirada e analisada em laboratório", explica Adriana Coracini.

Caso a amostra não seja suficiente, a especialista explica que pode ser preciso retirar o nódulo para fazer essa análise.

Depois disso, o tecido colhido passa por uma série de exames, como:

  • PCR - pesquisa do material genética para confirmar se é o bacilo da tuberculose
  • Análise e pesquisa de cultura - em que o bacilo é cultivado e sua sensibilidade aos medicamentos.

Com esses exames, é possível determinar o melhor tratamento.

Tratamento de Tuberculose ganglionar

O tratamento da tuberculose ganglionar é o mesmo usado em qualquer tipo de tuberculose. Nos primeiros dois meses é administrado o chamado esquema RIPE, que mistura em um mesmo comprimido os antibióticos:

  • Rifampicina
  • Isoniazida
  • Pirazinamida
  • Etambutol.

Nos quatro meses seguintes, um novo esquema é adotado, usando apenas a rifampicina e a isoniazida.

Todos os medicamentos são oferecidos pelo Sistema Único de Saúde e não são encontrados em farmácias.

É muito comum que o paciente abandone o tratamento assim que os sintomas começam a cessar. No entanto, as chances de retorno da tuberculose nesses casos é muito grande, o que dificulta a recuperação em longo prazo.

"Tratar posteriormente a doença que rescindiu é mais difícil, pois a bactéria pode ficar mais resistente a um dos antibióticos, o que torna o tratamento mais longo, chegando a até um ano", considera a infectologista Adriana Coracini.

Tuberculose ganglionar tem cura?

Quando o tratamento é seguido à risca e o bacilo não apresenta resistência ao medicamento, o tratamento é bastante eficaz, com quase 100% de cura.

Complicações possíveis

Se a tuberculose ganglionar não for tratada, ela pode levar ao hipercrescimento do gânglio, o que pode acabar comprimindo estruturas importantes, como as veias e artérias do pescoço, por exemplo. “O gânglio também pode se romper”, sinaliza Roberta Sales.

Além disso, a tuberculose é uma doença fatal, principalmente em que é imunossuprimido .

Em pessoas com o sistema imunológico saudável, existem casos de tuberculoses que se resolvem sozinhas, mas é sempre importante buscar um médico.

Convivendo/ Prognóstico

Durante o tratamento não é preciso permanecer em repouso ou fazer uma dieta específica. "No entanto, ter uma alimentação equilibrada ajuda na recuperação, pois os medicamentos podem gerar carências de vitaminas que os alimentos podem suprir", considera Adriana.

Prevenção

Para prevenir a tuberculose é necessário imunizar as crianças com a vacina BCG. Crianças soropositivas ou recém-nascidas que apresentam sinais ou sintomas de Aids não devem receber a vacina.

A prevenção da tuberculose inclui evitar aglomerações, especialmente em ambientes fechados, e não utilizar objetos de pessoas contaminadas.

As especialistas ressaltam também que a prevenção da tuberculose está muito ligada à políticas de saúde pública. "O Brasil tem a meta de reduzir de 33 para 10 casos a cada 100 mil pessoas", explica Adriana.

Roberta Sales, pneumologista, coordenadora da Comissão Científica de Pleura da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT) e médica do Instituto do Coração do Hospital das Clínicas Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (InCor da HCFMUSP)

Infectologista Adriana Coracini, da Rede de Hospitais São Camilo (SP)

Ministério da Saúde. Disponível em: http://portalms.saude.gov.br/saude-de-a-z/tuberculose

Clínica Mayo, centro de referência em medicina nos Estados Unidos. Disponível em: https://www.mayoclinic.org/diseases-conditions/swollen-lymph-nodes/diagnosis-treatment/drc-20353906

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*Elas não substituem o aconselhamento e acompanhamentos do profissional da saúde.