Triglicérides Icone para edição

Triglicérides, ou triglicerídeos, são a reserva de energia do corpo humano. Eles têm a função de fornecer "combustível" para os músculos. Quando os triglicérides não são usados como forma de energia, passam a ser armazenados no tecido adiposo, como gordura.

Os triglicérides entram no organismo de duas formas, pela alimentação e pela produção do próprio corpo. Assim como o colesterol, todos temos triglicérides e não há problema com isso, pelo contrário, mas em quantidades muito altas, os triglicérides estão relacionados a um maior risco cardiovascular, obesidade, esteatose hepática (gordura no fígado) e pancreatite, dentre outros.

Sintomas:

Pessoas com hipertrigliceridermia, ou triglicérides alto, não possuem sintomas. A única forma de descobrir se há algo errado com os seus níveis de triglicérides é fazendo um exame de sangue.

Pacientes com taxas de triglicérides muito altas, normalmente nos casos genéticos, podem apresentar xantomas - que são placas de gordura (quase verrugas) amareladas que ficam posicionadas em áreas de dobras, como pálpebras e cotovelos.

Diagnóstico:

O diagnóstico de triglicérides alto (hipertrigliceridermia) é feito através de exames de sangue. No Brasil, consideramos que a pessoa não tem o problema caso os seus níveis estejam abaixo de 150 mg de triglicérides por 100 ml de sangue.

Até 200 é considerado limítrofe e acima disso são níveis altos. Quando o resultado indica mais de 500, normalmente ele está relacionado ao tipo genético do problema, a hipertrigliceridermia familiar.

Tratamento:

Quando a pessoa tem a taxa de triglicérides de até 200 mg por 100 ml de sangue, normalmente se consegue tratar a hipertrigliceridermia apenas ajustando os hábitos de vida, ou seja, com uma dieta melhor, reduzindo o consumo de álcool e praticando atividade física.

Entre 250 e 300, alguns médicos podem tentar abaixar a quantidade de triglicérides circulantes no sangue apenas com o estilo de vida, dependendo da situação clínica de cada paciente. Acima disso são utilizados remédios, conhecidos como fibratos.

Quando o quadro de triglicérides alto está relacionado a outras condições de saúde, como o hipotireoidismo e o diabetes descontrolado, tratando a doença se resolve o problema com os triglicérides.

No caso de hipertrigliceridermia familiar, ou seja, quando o triglicérides alto é genético, a pessoa precisará fazer uso de remédios para o resto da vida para conter os seus níveis no sangue.

Ressaltando que em todos os casos a mudança de estilo de vida, ou seja, adequação da dieta e prática constante de atividades físicas, fazem parte do tratamento e não devem ser excluídas.

Não existem alimentos que ajudem a diminuir a absorção de triglicérides no organismo, como acontece no caso do colesterol, por exemplo. No caso de hipertrigliceridermia (triglicérides elevados), a pessoa precisará deixar de ingerir ou diminuir o consumo de certos alimentos a fim de controlar o quadro.

Alimentos fonte de gordura animal, por exemplo, devem ser evitados. Dentre eles temos:

  • Carne vermelha ou gordurosa
  • Peixes ricos em gorduras, como o salmão
  • Leite integral
  • Queijos amarelos
  • Outros ricos em gorduras saturadas.

Contudo, a principal fonte de triglicérides para o corpo são os carboidratos em excesso, principalmente os simples. Alguns exemplos são:

  • Açúcar
  • Refrigerantes
  • Massas brancas
  • Alimentos com farinha branca, como pães e tapioca
  • Arroz branco
  • Batata
  • Mandioca.

Nestes casos, sempre deve se dar preferência para alimentos em versões integrais, mas também não se pode exagerar na quantidade ingerida, uma vez que estes também são carboidratos e tem o seu papel no aumento dos triglicérides.

Versões fritas de qualquer alimento também devem ser evitadas, dando preferência aos cozidos ou assados.

Especialistas respondem:

O que deve-se evitar comer para baixar os triglicérides?

Beber água ajuda a reduzir os triglicérides?

Como uma pessoa que precisa engordar mas tem triglicérides alto pode substituir os carboidratos?

Complicações:

As principais complicações relacionadas ao triglicérides alto são:

  • Esteatose hepática: que é um acúmulo de gordura no fígado, que pode levar a implicações sérias se não tratado, como hepatite e cirrose
  • Maior risco cardiovascular: apesar do perigo aqui não ser tão agravado quanto acontece quando o paciente tem problemas de colesterol, há um risco aumentado de infarto agudo do miocárdio e outros problemas coronarianos
  • Pancreatite: inflamação do pâncreas, que é o órgão responsável pela digestão de gorduras e carboidratos, além de produzir os hormônios insulina e glucagon. Pancreatite também está relacionada ao desenvolvimento de diabetes.

Prognóstico:

Quando o triglicérides alto não é tratado, há um maior risco de desenvolvimento e complicação de doenças como a esteatose hepática, pancreatite, cirrose, e as cardiovasculares como infarto.

Contudo, quando é feito o tratamento adequado, acompanhado da mudança de estilo de vida, é possível controlar os níveis de triglicérides no sangue e ter uma vida normal. Mas, caso a pessoa retome os hábitos anteriores o problema tende a voltar a aparecer.

No caso de pessoas que não têm a herança genética do problema (hipertrigliceridermia familiar) e fazem uso de medicamentos, além das mudanças de estilo de vida, quando o quadro estiver controlado o médico provavelmente fará a retirada dos medicamentos.

Depois disso, será feito o monitoramento para ver se o corpo tem condições de ficar sem os remédios ou não naquele momento. Caso os níveis voltem a subir, o médico provavelmente indicará retomar o seu uso por mais um período.

Prevenção:

A principal forma de prevenir a hipertrigliceridermia (triglicérides alto) é cuidando da alimentação, praticando atividades físicas e evitando o consumo de álcool.

A alimentação deve ter mais frutas, legumes e verduras, menos carboidratos, frituras e alimentos ricos em gordura animal, como carne vermelha, leites integrais e queijos amarelos. Também é importante dar preferência para carboidratos integrais (arroz, farinha, pães, massas etc.) e consumi-los com moderação.

Já em casos em que o problema tem causa genética, não é possível prevenir que ele apareça, mas sim ajudar a controla-lo tendo uma vida saudável e fazendo uso das medicações de forma adequada.

Roberto Navarro, nutrólogo, clínico geral e especialista Minha Vida - CRM: 78392/SP.

Celso Amodeo, cardiologista e diretor de comunicação da Sociedade Brasileira de Cardiologia - CRM: 36913/SP.

José Ernesto dos Santos, médico nutrólogo da Associação Brasileira de Nutrologia (Abran) - CRM: 15762/SP.

*As informações e sugestões contidas neste site têm caráter meramente informativo.
*Elas não substituem o aconselhamento e acompanhamentos do profissional da saúde.