Taquicardia ventricular Icone para edição

Taquicardia ventricular é uma arritmia que ocorre em um dos ventrículos do coração. Para entender melhor, o coração é dividido em quatro áreas, denominadas câmaras. Dois átrios (que recebem sangue do corpo) e dois ventrículos (mais musculosos). Estes últimos devem empurrar o sangue através dos pulmões, no lado direito e através do corpo todo, no lado esquerdo. As arritmias ventriculares são aquelas que nascem nos ventrículos. Cada batimento nascido no ventrículo é chamado extrassístole ventricular. Quando três ou mais extrassístoles aparecem em sequência, com frequência maior que 100 batimentos por minuto, chama-se taquicardia ventricular.

Tipos:

A taquicardia ventricular pode ser de tipos variados:

  • Monomórficas: quando apresentam origem no mesmo lugar do ventrículo
  • Polimórficas: quando tem varias origens
  • Instáveis: quando fazem a pressão cair muito, colocando em risco imediato a vida da pessoa
  • Estáveis: quando não altera a pressão arterial, nível de consciência ou falta de ar.

Uma forma mais prática de dividir as arritmias são quando ocorrem em pessoas com coração normal ou com alguma cardiopatia estrutural.

Sintomas:

A maioria dos pacientes se queixa de palpitações, batimentos rápidos ou irregulares no peito, acompanhados ou não de tonturas e fraqueza. Quando as arritmias ventriculares são extrassístoles, a pessoa pode não notar e apresentar o quadro clínico já com dilatação do coração e insuficiência cardíaca.

Os sintomas mais graves são:

  • Síncope (desmaio)
  • Pré-síncope
  • Morte súbita abortada

Diagnóstico:

As taquicardias ventriculares podem ser observadas em exames que documentam o ritmo elétrico do coração. São eles:

  • Eletrocardiograma: registra o ritmo do coração naquele momento. Se a pessoa estiver com arritmias nos 30 segundos onde é feito o exame, é perfeito para o diagnóstico
  • Holter: serve como um eletrocardiograma, feito por um aparelho que a pessoa carrega como um celular com fios conectados ao corpo. O tempo de registro pode durar de 24h a até 7 dias. No final do exame as arritmias são quantificadas (se existirem). É muito importante que a pessoa anote o que fez durante o período de monitorização para quem laudar o exame correlacionar com o que a pessoa estiver sentindo
  • Ecocardiograma: para ver o formato do coração e risco de vida trazido pela arritmia. Arritmias ventriculares com baixa fração de ejeção (uma medida da força com que o coração contrai) têm um tratamento diferente daqueles onde o ecocardiograma é normal
  • Estudo eletrofisiológico invasivo: um procedimento onde fios de metal (catéteres) vão até o coração e testam a possibilidade da indução das arritmias em um ambiente controlado. Serve tanto para diagnóstico como para tratamento. A Ablação, procedimento complementar ao estudo, permite que através dos mesmos catéteres a região doente do coração seja cauterizada e a arritmia sanada, o que é possível na maioria dos casos.

Tratamento:

Taquicardias ventriculares podem ser tratadas de quatro formas:

Arritmias tipo extrassistolia, arritmias muito lentas (chamadas “RIVA”), com coração normal e sem sintomas podem ser observadas com controle semestral ou anual.

Geralmente o tratamento envolve bloqueadores de receptores de adrenalina (Betabloqueadores), e algumas medicações que controlam a própria arritmia (Anti-arrítmicos de outras classes). O uso é diário ou mais de uma vez ao dia. Às vezes necessita de acompanhamento com intervalos menores para detectar efeitos colaterais. A amiodarona, por exemplo, apesar de ótimo anti-arrítmico pode causar dano à tireoide.

Quando as drogas causam efeitos colaterais importantes ou o uso não é desejado pelo paciente, é possível cauterizar a origem da arritmia. Isso traz a possibilidade de redução do uso de medicações e em alguns casos de insucesso, controle melhora das arritmias.

Em arritmias onde existe risco à vida da pessoa, pode não haver uma segunda chance para o caso de falha do tratamento anterior. Assim, é colocado através da veia até o coração um fio metálico (eletrodo), conectado ao gerador de um aparelho semelhante a um marcapasso, por baixo da pele. Ele trata tanto arritmias lentas quanto rápidas através de um choque interno.

Complicações:

Taquicardias ventriculares não tratadas podem ter prognóstico extremamente benigno até a morte. A avaliação do risco deve ser feita pelo médico, e de preferência, com concordância do paciente. O tratamento, quando feito de forma segura, traz uma ótima qualidade de vida.

Taquicardia ventricular tem cura?

  • Em corações normais, a chance de sucesso com ablação fica em torno de 90-95%. Em corações com alteração, fica em cerca de 60% ao término de um ano
  • As medicações permitem melhora da mortalidade em 60-70%, quando administradas de forma somada
  • Quando necessário, o implante do CDI(Desfibrilador) reduz mortalidade em até 30%.

Cardiologista Bruno Valdigem, da Sociedade Brasileira de Arritmias cardíacas e especialista Minha Vida - CRM 118535/SP

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