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O que é Síndrome mão-pé-boca?

A síndrome mão-pé-boca é transmitida pelo vírus cosxackie, da família dos enterovírus (que normalmente habitam o sistema digestivo). A síndrome leva esse nome pois sua característica é a presença de feridas avermelhadas na planta dos pés, mãos e interior da garganta.

De acordo com o infectologista Claudio Gonsalez, a síndrome mão-pé-boca é uma doença altamente contagiosa e mais frequente em crianças de até cinco anos de idade, embora possa afetar também adultos.

Segundo a alergologista Cristina Abud de Almeida, a transmissão pode ocorrer tanto pela via oral, onde há contato com a saliva e outras secreções das vias respiratórias, feridas, alimentos ou objetos contaminados quanto via fecal-fezes de pacientes infectados. A pessoa recuperada pode ainda transmitir o vírus pelas fezes durante aproximadamente quatro semanas.

Causas

A causa mais comum da doença mão-pé-boca é a infecção pelo vírus coxsackiev, embora outros tipos de enterovírus também possam provocá-la.

O contato oral é a principal fonte da doença mão-pé-boca. A doença se espalha pessoa a pessoa por:

  • Secreções nasais ou secreção da garganta
  • Saliva
  • Fluido de bolhas
  • Fezes
  • Gotículas respiratórias pulverizadas no ar após tosse ou espirro.

Fatores de risco

A síndrome mão-pé-boca afeta principalmente crianças, mas também pode atingir adultos que entram em contato com a mucosa ou fraldas de uma criança infectada. Sua incidência pode aumentar até 20% no outono e no inverno, por conta da imunidade ficar mais baixa no período.

A síndrome mão-pé-boca afeta principalmente crianças menores de 10 anos de idade. Crianças em creches são especialmente suscetíveis a surtos da doença, porque a infecção se espalha pelo contato pessoa a pessoa.

As crianças geralmente desenvolvem imunidade à doença mão-pé-boca à medida que envelhecem, construindo anticorpos após a exposição ao vírus que causa a doença. No entanto, ainda assim é possível que adolescentes e adultos contraiam a doença.

Sintomas de Síndrome mão-pé-boca

Os primeiros sintomas da síndrome mão-pé-boca são febre de 38 a 39 graus e dores de garganta. Após dois dias, aparecem lesões (feridas avermelhadas) na região dos pés, mãos e interior da garganta, que podem ou não se espalhar para as coxas e nádegas. Em alguns casos a criança não apresenta sintomas aparentes.

Se o quadro for mais grave, as lesões podem se transformar em pústulas ou bolhas, que estouram depois de seis dias. Por conta das lesões no fundo da garganta, o paciente também sente dificuldade de engolir líquidos ou alimentos.

Essas lesões costumam desaparecer entre 5 e 7 dias juntamente com a febre, mas as bolhas na boca podem permanecer por até quatro semanas.

Buscando ajuda médica

A síndrome mão-pé-boca é geralmente uma doença que não traz grandes complicações, causando apenas alguns dias de febre e sintomas relativamente leves. Contudo, se as feridas na boca ou dores de garganta impedirem a criança de beber líquidos é preciso procurar o médico imediatamente. Se depois de alguns dias os sintomas piorarem, também vale buscar ajuda.

Na consulta médica

Especialistas que podem diagnosticar a síndrome mão-pé-boca são:

  • Clínico geral
  • Infectologista
  • Alergologista
  • Pediatra.

Estar preparado para a consulta pode facilitar o diagnóstico e otimizar o tempo. Dessa forma, o ideal é já chegar na consulta com algumas informações:

  • Uma lista com todos os sintomas e há quanto tempo eles apareceram
  • Histórico médico, incluindo outras condições que o paciente tenha e medicamentos ou suplementos que tome com regularidade
  • Se possível, leve um acompanhante para a consulta.

O médico provavelmente fará uma série de perguntas, tais como:

  • Quando os sintomas começaram?
  • Quão severos são os sintomas?
  • Seu filho recentemente foi exposto a alguém que estava doente?
  • Você já ouviu falar de alguma doença na escola?
  • Alguma coisa parece melhorar os sintomas?
  • Alguma coisa parece piorar os sintomas?

Também é importante levar suas dúvidas para a consulta por escrito, começando pela mais importante. Isso garante que conseguirá respostas para todas as perguntas relevantes. No caso da síndrome mão-pé-boca, algumas perguntas básicas incluem:

  • Qual é a causa mais provável dos sintomas?
  • Meu filho precisará se submeter a algum teste?
  • Qual é a melhor abordagem de tratamento?
  • Existe a necessidade de tomar remédio?
  • O que posso fazer em casa para tornar meu filho mais confortável?

Não hesite em fazer outras perguntas, caso dúvidas surjam no momento da consulta.

Diagnóstico de Síndrome mão-pé-boca

Normalmente o diagnóstico é clínico, ou seja, por meio dos sinais e sintomas apresentados. Além disso, o médico pode solicitar exames de sangue ou de fezes para a detecção do tipo de vírus causador da infecção.

Tratamento de Síndrome mão-pé-boca

A síndrome mão-pé-boca é tratada com medicamentos anti-inflamatórios ou, se o quadro for grave, medicamentos antivirais. É importante oferecer ao paciente muito líquido, de preferência em temperatura baixa, e evitar a ingestão de alimentos muito quentes, ácidos ou condimentados – que podem acentuar as dores na garganta.

Em geral, a síndrome mão-pé-boca desaparece sozinha dentro de cinco e sete dias. Após a melhora dos sintomas, o paciente adquire imunidade ao enterovírus 71, não sendo contaminado novamente.

Síndrome mão-pé-boca tem cura?

Sim. De acordo com Cristina Abud de Almeida, a síndrome mão-pé-boca geralmente é benigna e autolimitada, durando em média 10 dias.

Complicações possíveis

Por conta da dificuldade de engolir, a criança pode reduzir o consumo de líquido e sofrer uma desidratação. Nesse caso, há a necessidade de internação para que o paciente receba soro fisiológico.

Uma forma rara e por vezes grave do vírus coxsackiev pode envolver o cérebro e causar outras complicações:

  • Meningite viral: Trata-se de uma infecção rara caracterizada pela inflamação das membranas (meninges) e alterações no líquido cefalorraquidiano em torno do cérebro e da medula espinhal
  • Encefalite: Esta doença grave e potencialmente fatal envolve a inflamação do cérebro causada por um vírus. A encefalite é rara.

Convivendo/ Prognóstico

Certos alimentos e bebidas podem irritar as bolhas na língua, boca ou garganta. Experimente estas dicas para ajudar a tornar a dor menos incômoda e a comer e beber melhor:

  • Chupe gelo
  • Coma sorvete
  • Consuma bebidas geladas, como leite ou água
  • Evite alimentos e bebidas ácidas, como frutas cítricas, bebidas à base de frutas e refrigerantes
  • Evite alimentos salgados ou condimentados
  • Coma alimentos moles que não exigem muita mastigação
  • Lave a boca com água morna após as refeições.

Prevenção

Certas precauções podem ajudar a reduzir o risco de infecção com a síndrome de mão-pé-boca:

  • Lavar as mãos com cuidado: Certifique-se de lavar as mãos frequentemente e com cuidado, especialmente depois de usar o banheiro ou trocar fraldas e antes de preparar a comida. Se não tiver água ou sabão por perto, use lenços umedecidos ou álcool em gel
  • Desinfetar áreas comuns: Adquira o hábito de limpá-las com água e sabão e, em seguida, reforce com uma solução diluída de água sanitária e água clorada. As creches devem seguir um cronograma rigoroso de limpeza e desinfecção de todas as áreas comuns, incluindo itens compartilhados, como brinquedos, já que o vírus pode viver nesses objetos por dias. Lembre-se também de limpar as chupetas do seu bebê com frequência
  • Ensinar bons hábitos de higiene: Mostre aos seus filhos como praticar uma boa higiene e como se manter limpo. Explique a eles por que é melhor não colocar os dedos, mãos ou qualquer outro objeto na boca
  • Isolar pessoas contagiosas: Como a doença da mão-pé-boca é altamente contagiosa, as pessoas contaminadas devem limitar sua exposição enquanto apresentarem sinais e sintomas ativos. Mantenha as crianças fora da escola até que a febre desapareça e as feridas na boca tenham cicatrizado. Se você tiver a doença, trabalhe de casa ou peça uma licença temporária.

Cristina Abud de Almeida, alergologista da Rede de Hospitais São Camilo de São Paulo

Claudio Gonsalez, infectologista do Hospital Santa Paula

Jean Gorinchteyn, infectologista do Instituto de Infectologia Emílio Ribas, de São Paulo

Mayo Clinic. Disponível em: https://www.mayoclinic.org/diseases-conditions/hand-foot-and-mouth-disease/symptoms-causes/syc-20353035

Centers for Disease Control and Prevention (CDC). Disponível em: https://www.cdc.gov/hand-foot-mouth/about/diagnosis.html

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*Elas não substituem o aconselhamento e acompanhamentos do profissional da saúde.