Síndrome de abstinência alcoólica Icone para edição

A síndrome da abstinência alcóolica é o conjunto de sintomas que surgem quando uma pessoa que tem o costume de ingerir grandes quantidades de álcool todos os dias para de repente de fazê-lo.

Essa doença é comum em pessoas com alcoolismo – a dependência física e psíquica do álcool – que começam o processo de reabilitação.

Em 2012, de acordo com a Organização Mundial da Saúde, 3,3 milhões de pessoas morreram em todo o mundo em decorrência do consumo exacerbado de bebidas alcoólicas. Esse número corresponde a 5,7% do total de mortes ocorridas naquele ano. Além disso, diversos estudos mostram que o álcool contribui para o desenvolvimento de mais de 200 doenças, podendo, muitas vezes, levar o indivíduo à morte.

O álcool é tido, também, como o quinto maior fator de risco para levar uma pessoa à morte precoce ou à invalidez permanente. Entre pessoas de 15 a 49 anos, o álcool é o primeiro da lista.

Sintomas:

Os sinais e sintomas manifestados por pessoas com a síndrome da abstinência alcoólica podem variar de intensidade a depender do paciente, da quantidade de álcool ingerida ao longo da vida e de outros fatores como idade e predisposição genética.

Os sintomas podem ser desde moderados até muito graves, com grande risco de levar o paciente ao óbito, e costumam começar logo quando a pessoa desperta, de manhã. Isso ocorre porque a concentração de álcool no sangue diminui durante o sono.

Confira os principais sinais e sintomas desenvolvidos por uma pessoa com síndrome de abstinência alcoólica:

  • Ansiedade
  • Depressão
  • Falta de clareza de raciocínio
  • Irritabilidade e nervosismo
  • Fadiga
  • Oscilações de humor
  • Pesadelos
  • Anorexia e outros distúrbios alimentares
  • Pele viscosa
  • Dor de cabeça
  • Agitação
  • Insônia
  • Pupilas do olho dilatadas
  • Náuseas e vômito
  • Taquicardia
  • Sudorese
  • Tremores
  • Diarreia
  • Confusão mental
  • Febre
  • Convulsão
  • Hipertensão
  • Ataques de pânico
  • Alucinações

Diagnóstico:

O histórico médico e um exame físico são capazes de estabelecer o diagnóstico e a gravidade da abstinência alcoólica. Para poder fazer o diagnóstico, o especialista precisa de algumas informações, como a quantidade de bebida alcoólica que foi ingerida, quando que o paciente começou a beber, quanto tempo desde a última bebida e se há presença de outras condições médicas ou psiquiátricas.

Além de identificar os sintomas de abstinência, o exame físico também avaliará possíveis condições médicas que possam complicar o quadro do paciente, incluindo arritmias, insuficiência cardíaca congestiva, doença arterial coronariana, sangramento gastrointestinal, infecções, doenças do fígado, comprometimento do sistema nervoso e pancreatite. Exames laboratoriais básicos incluem um hemograma completo, testes de função hepática, exame de urina e determinação dos níveis de álcool e eletrólitos no sangue.

Esses processos são importantes porque a síndrome da abstinência alcoólica pode despertar sintomas comuns a outros problemas também, como a tireotoxicose (intoxicação por anticolinérgicos) e o abuso de cocaína e anfetamina, por exemplo.

Tratamento:

São três objetivos principais para o tratamento de síndrome da abstinência alcoólica:

  • Diminuir os sintomas da abstinência alcoólica
  • Prevenir possíveis complicações de saúde
  • Fazer o paciente não sentir mais vontade de beber e prepara-lo para continuar o tratamento por conta própria, sem necessidade de quaisquer intervenções médicas.

Alguns pacientes com sintomas graves podem precisar de internação hospitalar ou em clínicas de reabilitação. Nesses locais, o tratamento costuma incluir o uso de medicamentos intravenosos, monitoramento da pressão arterial, da frequência cardíaca e análise constante dos níveis de substâncias presentes no sangue.

Porém, se o médico sente confiança no paciente e percebe que os sintomas manifestados por ele não são graves, este poderá seguir com o tratamento fora de hospitais ou clínicas de reabilitação. Nesses casos, o paciente deve comprometer-se que seguirá o tratamento conforme indicado e que comparecerá a todas as consultas médicas. Podem ser feitos exames de sangue de rotina e tratamentos de outras condições de saúde que estejam envolvidas com o alcoolismo.

O aconselhamento de familiares e amigos é parte fundamental para o tratamento em ambos os casos.

Prognóstico:

É essencial que o paciente adote um estilo de vida que o mantenha sóbrio e longe de bebidas alcoólicas. Frequentar grupos de apoio e continuar com o tratamento até que o médico suspenda o uso dos medicamentos é uma excelente estratégia e costuma dar certo.

Além disso, é preciso reeducar-se até no que diz respeito à alimentação. Inclua alimentos nutritivos e ricos em vitaminas e minerais em sua dieta. Se precisar, com a permissão de um nutricionista, faça uso de suplementos vitamínicos. O consumo exacerbado de álcool leva à deficiência de diversos nutrientes importantes para a saúde do ser humano.

Síndrome de abstinência alcoólica tem cura?

A abstinência alcoólica pode variar de um distúrbio moderado até uma condição grave e potencialmente fatal – depende muito dos órgãos que foram comprometidos pelo consumo exagerado de álcool e das complicações decorrentes do alcoolismo.

Alguns sintomas, como alterações no sono, mudanças rápidas de humor e fadiga, podem permanecer por meses. Também pode haver recaídas durante o processo de reabilitação.

Muitos pacientes com síndrome de abstinência alcoólica conseguem se recuperar totalmente com a ajuda do tratamento e dos familiares e amigos.

Prevenção:

A única forma de prevenir a síndrome da abstinência alcoólica é evitando o consumo exacerbado de bebidas alcoólicas, ou seja, evitando o próprio alcoolismo.

Ministério da Saúde

American Family Physician

Organização Mundial da Saúde (OMS)

*As informações e sugestões contidas neste site têm caráter meramente informativo.
*Elas não substituem o aconselhamento e acompanhamentos do profissional da saúde.