Resistência à insulina Icone para edição

A resistência insulínica é uma situação onde há um desequilíbrio entre a quantidade de insulina produzida pelo pâncreas e o funcionamento desta quantidade de insulina. Para simplificar, em uma pessoa sem resistência insulínica, é como se uma molécula de insulina tivesse a capacidade de colocar uma molécula de glicose dentro da célula, porém, na pessoa com resistência, fosse necessário duas ou mais moléculas de insulina para realizar o mesmo trabalho. No organismo, a conta não é bem esta, mas a perda de funcionamento de insulina ocorre de forma bem semelhante quando esta resistência aparece.

Sintomas:

Geralmente a resistência insulínica é assintomática, porém se está associada com outras causas, pode vir a ter sintomas.

Se está associada com ovário policístico, a resistência insulínica pode se apresentar como a Síndrome Hair-na, que é caracterizada por:

  • Aumento de pelos pelo corpo
  • Acne e oleosidade na pele
  • Menstruação irregular
  • Escurecimento da pele em regiões de dobras de braço, axilas e pescoço, chamado de acantose nigricans.

A acantose nigricans não é um achado restrito da síndrome Hair-an, ela pode ser vista em casos de resistência insulínica sem associação com ovário policístico.

Outro achado bastante comum é a presença de pequenas protuberâncias de pele, chamadas de acrocórdons, vistas mais comumente em axilas e na região posterior do pescoço. Elas são frequentemente confundidas com pequenas verrugas, mas na verdade são pequeninas estruturas formadas por crescimento da pele em excesso, ocasionadas pela resistência insulínica.

Tratamento:

Uma vez feito o diagnóstico, ele pode significar um passo em uma estrada que termina no desenvolvimento do diabetes. Sendo assim, é preciso iniciar o tratamento da resistência insulínica com mudanças do estilo de vida.

A primeira delas é a troca dos alimentos de alto índice glicêmico por alimentos de baixo índice glicêmico. Ou seja trocar alimentos que fornecem açúcar rapidamente para a corrente sanguínea, como os pães brancos, batatas e açúcar refinado, por alimentos que a fornecem mais lentamente, como o pão integral, arroz integral, vegetais como brócolis ou cenoura, entre outros.

Além da troca de alimentos, deve-se evitar o ganho de peso ou, se necessário, buscar manter o peso dentro do índice de massa corporal adequado, que é entre 18,5 e 25 kg/m2.

A prática de atividades físicas é essencial para o controle da resistência insulínica. As células musculares são grandes utilizadoras da glicose no sangue, e quando fazemos exercícios estas células absorvem a glicose muitas vezes, até sem precisar de insulina. Quando o músculo fica em repouso, ele precisa de uma quantidade menor de glicose e passa a depender da insulina para absorvê-la. Com menos atividade física, gera-se um ciclo vicioso que vai fazer com que a célula muscular precise cada vez mais de insulina.

Em alguns casos, há possibilidade do uso de medicamentos para melhorar o funcionamento da glicose no organismo e também para o controle do peso. A avaliação médica será fundamental para definir qual o tratamento mais adequado caso a caso.

Complicações:

A principal complicação da resistência insulínica é o desenvolvimento do diabetes. A questão da resistência insulínica é que ela pode estar associada a uma série de outras condições médicas, como: síndrome dos ovários policísticos, esteatose hepática e aterosclerose. Dessa forma, o paciente com resistência insulínica deve ser avaliado globalmente.

Prevenção:

A prevenção da resistência insulínica se dá, principalmente, através da adoção de hábitos saudáveis, como uma alimentação equilibrada, com substituição de alimentos que fornecem açúcar rapidamente para a corrente sanguínea - como os pães brancos, batatas e açúcar refinado - por comidas que a fornecem mais lentamente, como o pão integral, arroz integral, vegetais como brócolis e cenoura, entre outros. Além disso, a prática de exercícios também é fundamental, uma vez que as células musculares são grandes utilizadoras da glicose no sangue.

Andressa Heimbecher, endocrinologista titular na Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia e membro ativo da Endocrine Society - CRM: 123579.

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