Pubalgia Icone para edição

Pubalgia é uma condição dolorosa na região da sínfise púbica (região baixa do abdômen, púbis e virilha), que dá origem aos músculos adutores (parte interna da coxa, constituida pelos músculos grácil e adutores longo, curto e magno). A pubalgia pode surgir a partir de causas muito variadas. (1, 2)

A pubalgia é um problema relativamente comum em atletas, acometendo cerca de 5% deles. O problema afeta principalmente praticantes de esportes nos quais sejam necessários chutes repetitivos e mudanças bruscas de direção do movimento, particularmente no rúgbi, hóquei, tênis e futebol.

Em geral, há uma piora gradativa e a aumento dos sintomas ocorre quando são realizados movimentos específicos de chute, rotação ou adução (ou seja, fechamento) da coxa. (5)

Tipos:

As pubalgias agudas ou traumáticas podem ocorrer por estresse mecânico considerável nesta região. Pode ser ocasionado por um acidente com trauma direto neste local, que pode inclusive levar a fraturas no púbis e no ísquio (porção inferior e posterior do osso ilíaco, que integra o quadril), com estresse repetitivo na região.

Esse tipo de problema é mais frequente em atividades esportivas em que haja aceleração rápida do corpo, com paradas bruscas e rotação da bacia. Intensifica-se em atividades físicas e esportivas como jogos de futebol, em que os atletas estão expostos a movimentos bruscos, como chutes ou toques fortes na bola, e nos movimentos de rotação externa da coxa e extensão do tronco, por exemplo.

Esses movimentos ocasionam um aumento importante da força nos músculos retos do abdômen, que têm influência direta na região infra-púbica bilateral, distensão dos adutores, entre outros. (2)

É em geral causada por esforço de repetição, com sobrecarga mecânica crônica, por uso excessivo da região. Pode acontecer com corredores de grandes distâncias, por causa do desequilíbrio mecânico na cintura pélvica (junção dos dois ossos ilíacos, do sacro e do cóccix). (2)

  • Grau 1: apresenta sintoma do mesmo lado do corpo onde foi gerado o esforço. Por exemplo, se um chute na bola for dado por um destro, a dor será à direita. Dor inguinal unilateral que melhora com aquecimento e retorna após parar os exercícios físicos, quando o corpo esfria
  • Grau 2: a dor acomete os dois lados dos membros inferiores, localizada nos adutores. Há piora da dor após os exercícios físicos
  • Grau 3: sintomas bilaterais nos adutores e nos retos abdominais, causando limitação significativa no esporte. Também pode ser dolorido para mudar de posição e ao sentar-se
  • Grau 4: além dos sintomas anteriores, há associação com a dor na coluna lombar, apresentando, inclusive, dificuldade importante em movimentos de marcha, para defecar, espirrar, entre outros. (1, 2)

Sintomas:

Os principais sintomas de pubalgia são:

  • Desconforto na região do púbis
  • Limitação das atividades laborais
  • Dores agudas que dificultam muito andar, tossir ou espirrar
  • Dor que irradia para região inguinal (transição entre o abdômen e as pernas)
  • Dor que irradia para região dos testículos (1, 2)

Diagnóstico:

Para saber se o seu caso é de pubalgia ou não, o médico deverá lhe fazer perguntas sobre seus sintomas e também realizará um exame físico. Os exames são importantes para eliminar outras doenças, como impacto femoroacetabular (IFA) e hérnias inguinais. (3, 4)

Tratamento:

Inicialmente é preciso tirar os fatores mecânicos que desencadeiam o problema, evitando esforços e traumas na região.

Medicamentos, como antiinflamatórios, analgésicos e corticóides, podem ser usados. Fisioterapia também pode ser associada ao tratamento. Outro recurso que pode ser usado é o tratamento por ondas de choque.(3)

Cirurgias para Pubalgia

Raramente se indica o tratamento cirúrgico para pubalgia, mas pode ocorrer em casos de insucesso do tratamento conservador.

Nos pacientes que têm dores mais ligadas aos tendões regionais, pode ser feita a liberação desses tendões. Nos que têm dores articulares faz-se uma fusão da sínfise púbica, que é uma fusão dos ossos. (3)

Nos pacientes que submetem-se à liberação dos tendões, logo que recuperam-se das dores pós-operatórias, devem iniciar um programa fisioterápico de reequilíbrio muscular e alongamentos. Nos pacientes que sofreram artrodese (fusão dos ossos), deve-se aguardar a consolidação para iniciar o programa de reabilitação. (3)

Pubalgia tem cura?

A pubalgia tem cura, mas precisa ser tratada da maneira correta e exige cuidados importantes. Na vigência de uma pubalgia ou de outras patologias regionais correlatas, como osteíte (destruição óssea) ou tendinite, é necessário manter a região isenta de esforços. Portanto, é preciso tirar os fatores que levaram ao problema, que geralmente são as atividades físicas, evitando novos traumas na região.

Além disso, é necessário seguir à risca as orientações médicas quanto ao uso dos medicamentos prescritos, além dos outros tratamentos que podem ser indicados, como a fisioterapia. (3)

Complicações:

Se tratada da maneira correta, a pubalgia não oferece grandes riscos. Entretanto, se não forem seguidas as orientações médicas para tal, é frequente o problema evoluir para um caso crônico, podendo trazer incapacidade para a prática de algumas atividades esportivas. (3)

Prevenção:

A pubalgia pode ser prevenida mantendo a musculatura abdominal e adutora com forças equilibradas, por meio de uma preparação física bem orientada. Também é fundamental que a prática esportiva seja feita com treinos programados e controlados.

É importante ser precavido consigo mesmo, evitando os exageros de forma contínua com o corpo. Lembrar que é preciso fazer atividades físicas, mas que o ser humano também precisa de repouso e o ideal é fazer uso dos dois momentos.

O aquecimento e os alongamentos dos músculos, tendões, ligamentos são muito importantes antes e depois das atividades físicas, principalmente os treinos ou atividades físicas mais fortes e intensas.

Praticantes de atividades esportivas também devem fortalecer os grupos musculares específicos para sua prática. (1, 2)

(1) Gabriel Pecchia, ortopedista do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, especialista em joelho e no trauma do esporte

(2) Paulino Salin Vasconcelos, médico ortopedista e responsável pelo Serviço de Ortopedia e Trauma do Hospital Santa Cruz, especializado na região do quadril

(3) Wilson Dratcu, ortopedista do Grupo de Cirurgia Minimamente Invasiva da Coluna do Hospital BP Mirante

(4) Leandro Ejnisman, ortopedista do Hospital Albert Einstein

(5) A Importância dos Exames de Imagem no Diagnóstico da Pubalgia no Atleta - www.scielo.br/pdf/rbr/v48n4/v48n4a07.pdf

*As informações e sugestões contidas neste site têm caráter meramente informativo.
*Elas não substituem o aconselhamento e acompanhamentos do profissional da saúde.