Priapismo Icone para edição

Priapos (Priapus) era um deus respeitado pelos gregos e romanos que na antiguidade representava a produtividade e a fertilidade das plantações. Ilustrado em afrescos da época como um “homem” com membro avantajado e sempre em ereção, foi se tornando um símbolo de virilidade e cultuado pelo seu poder de curar enfermidades da genitália masculina. A origem do termo priapismo remonta dessa interpretação, apesar de alguns autores afirmarem que Priapos era impotente.

O termo priapismo descreve a situação médica em que o pênis permanece um longo tempo em ereção (mais de quatro horas), de maneira involuntária e vai se tornando doloroso. A característica principal do priapismo é que a ereção deixa de ser motivada por estímulo ou excitação sexual. Ou seja, o membro permanece rígido sem excitação ou mesmo após a ejaculação. Mesmo a dor, que usualmente interromperia uma ereção normal, não cessa o priapismo.

Tipos:

Existem basicamente dois tipos de priapismo: isquêmico, onde ocorre aprisionamento de sangue no pênis e com a persistência do problema falta oxigênio e nutrientes para as células que podem morrer; e não isquêmico ou de alto fluxo ou arterial, onde acontece o oposto, ou seja, o sangue flui (entra e sai do pênis) de maneira abundante e constante mantendo a ereção.

No priapismo não isquêmico o pênis não chega a ficar totalmente rígido, mas parcialmente a dor pode ser mínima, já que não existe isquemia. Mais de 95% dos casos de priapismo são do tipo isquêmico.

Apenas para esclarecimento, existe ainda um terceiro tipo de priapismo denominado “shuttering” ou recorrente onde haveria uma sequência de episódios de priapismo isquêmico de menor duração. No fundo, esse tipo de priapismo se comporta como o isquêmico.

Sintomas:

Os sinais de priapismo são ereção prolongada (mais de quatro horas) e independente de excitação sexual. O principal sintoma é a dor, que estará presente nos casos de priapismo isquêmico (95% dos casos).

Diagnóstico:

O diagnóstico do priapismo é feito clinicamente, ou seja, pela conversa com o paciente e pelo exame físico. Apenas isso já é suficiente para confirmar o problema e já tentar a solução.

Em situações específicas, como no trauma, pode ser necessária a realização do exame do teor de oxigênio do sangue retirado do pênis, o que permitiria a distinção entre o priaprismo de alto e baixo fluxo.

Quando existe a suspeita de priaprismo de alto fluxo, a arteriografia da circulação peniana serve para se identificar o ponto da formação da fístula arteriovenosa que alimenta a rigidez e ao mesmo tempo permite a terapia de oclusão através de dispositivos endovascualres.

Tratamento:

O tratamento do priapismo pode ser dividido em duas etapas:

A primeira etapa é uma urgência médica e consiste na interrupção da ereção. Normalmente são utilizados medidas de sucção do sangue aprisionado nos corpos cavernosos ou, quando necessário, medicamentos que provocam a contração dos vasos. As duas medidas acabam promovendo a queda da pressão no interior dos cilindros e com isso abertura das veias que estão na periferia, o que permitiria a saída do sangue e retorno à flacidez.

Quando esses métodos falham, pode ser necessário realizar um procedimento cirúrgico que provoca a comunicação dos corpos cavernosos com outros tecidos do pênis, violando a integridade dos cilindros e impedindo que o sangue siga aprisionado em seu interior. Existem diferentes técnicas para essa comunicação, mas todas elas aumentam o risco de complicações posteriores relacionadas a disfunções sexuais.

A segunda etapa do tratamento envolve a prevenção de novos episódios e para isso é fundamental a identificação da causa do priapismo. Quando ele ocorreu por conta de um quadro de anemia falciforme, as medidas para evitar as crises falcêmicas (evitar desidratação, evitar frio,...) são também importantes para minimizar o risco de outros episódios de priapismo. No caos de homens que utilizam medicamentos autoinjetáveis para tratamento de disfunção erétil, recomenda-se a revisão do tipo e da dose da medicação.

Prognóstico:

Todas as medidas para manter uma vida saudável são importantes para minimizar os riscos e complicações do priapismo. Tratamento correto da hipertensão arterial, diabetes, dislipidemia, atividade física regular, alimentação balanceada, controle do peso, não fumar, cuidar do relacionamento e evitar estresse ajudam na saúde cardiovascular e isso, sem dúvida, significa melhores chances de nunca precisar de medicamentos injetáveis para tratar disfunção erétil.

No caso de portadores de anemia falciforme, a manutenção da hidratação, tratamento precoce de infecções, aquecimento, utilização de medicações que reduzem a viscosidade do sangue, o uso do ácido fólico e o tratamento correto das crises de dor são importantes para a manutenção da saúde.

Complicações:

A principal complicação das crises de priapismo é a disfunção erétil ou impotência sexual. Ela ocorre quando o episódio de priapismo foi tardiamente tratado e o tempo prolongado com a ereção provocou necrose (morte) do tecido erétil no interior dos corpos cavernosos. Após a necrose ocorre uma fibrose no local, com substituição do tecido que antes possuía a capacidade de esticar por um tecido rígido e incapaz de expandir.

Priapismo tem cura?

Quando identificado e tratado adequadamente o priapismo costuma ser revertido sem deixar sequelas. Existe a necessidade de identificar a causa e sempre adotar medidas de prevenção, pois a repetição dos eventos é que gera as complicações.

Prevenção:

  • No caso de priapismo por uso de medicações injetáveis no pênis: sempre buscar orientação com profissionais que atuem dentro de normas e consensos, evitar clínicas que se autopromovem na mídia e vivem da comercialização de produtos terapêuticos, só utilizar medicação injetável para tratamento quando as medicações orais estiverem contraindicadas ou não surtirem efeito, utilizar sempre a menor dose e seguir orientação do médico assistente, evitar soluções com papaverina, vasodilatador sabidamente mais associado à episódios de priaprismo
  • No caso de portadores de anemia falciforme: tratar adequadamente a doença hematológica minimiza o risco de priapismo. Significa portanto: a manutenção da hidratação, tratamento precoce de infecções, aquecimento, utilização de medicações que reduzem a viscosidade do sangue, o uso do ácido fólico e o tratamento correto das crises de dor.

Perguntas frequentes

Conhecendo a causa do episódio e esclarecendo todas as suas dúvidas com o médico. As medidas de prevenção do priapismo são direcionadas à causa do quadro.

Em todos os casos, a saúde cardiovascular é importante, pois a ereção peniana depende basicamente de uma boa circulação de sangue no órgão. Dessa forma, as medidas de prevenção sempre devem incluir: tratamento correto da hipertensão arterial, diabetes, dislipidemia, atividade física regular, alimentação balanceada, controle do peso, não fumar, cuidar do relacionamento e evitar estresse.

*Escrito por: Dr. Valter Javaroni, urologista (CRM 52575160/RJ)

*As informações e sugestões contidas neste site têm caráter meramente informativo.
*Elas não substituem o aconselhamento e acompanhamentos do profissional da saúde.