Pneumonia química Icone para edição

Prevenção

Algumas medidas podem ajudar a prevenir a pneumonia química:

  • Evitar o contato com produtos químicos em ambiente fechado
  • Usar equipamento de proteção individual, máscaras e afins quando manipulando material de risco
  • Na presença de incêndios, deixar o local o mais rápido possível e observar o aparecimento de falta de ar e tosse
  • Em idosos e pessoas com problemas neurológicos, atentar para o risco de aspiração de conteúdo do estômago, observando se a pessoa engasga ao se alimentar.

O que é Pneumonia química?

Diferente das pneumonias mais conhecidas, a pneumonia química, melhor chamada de pneumonite química, não é causada por vírus ou bactérias, mas sim pela inalação de substâncias agressivas ao pulmão, como a fumaça, agrotóxicos ou outros produtos químicos. Quando aspiradas, essas substâncias vão para os pulmões e inflamam a via aérea os alvéolos - estruturas que fazem o transporte do oxigênio para o sangue. Essa inflamação pulmonar facilita o aparecimento de bactérias, podendo evoluir para uma pneumonia bacteriana

O quadro de inflamação e infecção eventual dificultam as trocas respiratórias, causando falta de ar e insuficiência respiratória. A falta de exposição mais comum aos gases irritantes é a indústria. Em casa, podemos citar os produtos de limpeza, incêndios e vazamento de gás.

A pneumonite química foi importante no caso da boate Kiss em Santa Maria, no Rio Grande do Sul, onde as pessoas ficaram confinadas ao ambiente fechado da boate inalando os gases e produtos químicos do incêndio.

A fumaça é composta de vários gases nocivos ao organismo, ainda agravado pela temperatura quente que pode queimar as vias aéreas.

A pneumonite por aspiração é outra forma de pneumonite química, também podendo ser chamada de pneumonite aspirativa. Esse tipo é causado quando as secreções orais ou o conteúdo do estômago é aspirado para os pulmões. A inflamação vem dos efeitos tóxicos do ácido gástrico e das enzimas sobre o tecido do pulmão. Bactérias do estômago ou da boca também podem causar uma pneumonite bacteriana.

Sintomas de Pneumonia química

Os principais sintomas de uma pneumonia química são tosse e falta de ar - que se iniciam após o contato com o produto químico. Além disso, uma série de outros sinais pode aparecer, dependendo dos seguintes fatores:

  • Composição do produto químico
  • Ambiente de exposição (ar livre, lugar fechado)
  • Tempo de exposição (segundos, minutos, horas)
  • Substância de contato (gases, líquidos, vapor)
  • Medidas de proteção usadas, como máscara, no caso de trabalhadores do campo, por exemplo
  • Histórico médico e presença de outras doenças.

Dependendo dos fatores citados acima, a pneumonia química pode apresentar também esses sintomas:

  • Irritação no nariz, olhos, lábios, boca e garganta
  • Tosse seca
  • Tosse produtiva, produzindo muco claro, amarelo ou verde
  • Tosse produtiva, com secreção rosada na saliva e presença de sangue
  • Náuseas ou dor abdominal
  • dor no peito
  • respiração dolorosa
  • dor de cabeça
  • sintomas de gripe
  • fraqueza ou desorientação.

Os sintomas da pneumonia química podem demorar dias para aparecer – no caso da fumaça, por exemplo, pode levar até três dias para o corpo manifestar irritações na garganta tosse e a falta de ar. Em casos mais graves, também é possível observar esses sintomas:

  • febre
  • chiado no peito
  • insuficiência respiratória
  • queimaduras na boca, nariz ou pele
  • pele pálida e lábios suando
  • pensamento alterado e raciocínio comprometido
  • inconsciência
  • inchaço dos olhos ou língua, voz rouca ou abafada
  • Salivação intensa.

Diagnóstico de Pneumonia química

Na presença de algum dos sintomas de pneumonia química, o ideal é entrar em contato com um médico para análise. Em caso de sintomas graves, o paciente deve ser encaminhado imediatamente ao hospital. É importante comunicar ao médico se houve contato com alguma substância química, quando e por quanto tempo - isso facilita o diagnóstico médico e o auxilia na hora de escolher a melhor forma para tratar o problema.Leve sempre o recipiente ou embalagem do produto inalado.

Além de fazer inspeção dos sinais vitais (frequência cardíaca, pressão arterial, frequência respiratória, temperatura e quantidade de oxigênio que você tem no seu sangue), o médico irá avaliar olhos, nariz, garganta, pele, coração, pulmões e abdômen. Outros exames podem ser feitos dependendo de fatores como o estado da pessoa ferida e o tipo de exposição.

Exames como o raio x de tórax, e coleta de sangue podem auxiliar o diagnóstico. Um exame que ajuda o diagnóstico em casos graves é a broncoscopia. Nesse exame é utilizada uma espécie de câmera para visualizar os pulmões.

Tratamento de Pneumonia química

Depende da gravidade do caso. Em quadros mais graves de pneumonia química, com presença de falta de ar, é feita a administração de oxigênio e respiração artificial. Em casos mais leves, o ideal é procurar um pneumologista, que irá indicar o tratamento adequado para cada caso - que pode variar entre apenas observação, administração de oxigênio até fisioterapia. Não é comum administrarem medicamentos, como antibióticos e anti-inflamatórios, mas pode acontecer em casos de infecções mais graves e generalizadas.

Medicamentos para Pneumonia química

Os medicamentos mais usados para o tratamento de pneumonia química são broncodilatadores na inalação:

  • Fenoterol, o popular Berotec
  • Oxigênio
  • Corticóides.

Casos graves podem necessitar de intubação orotraqueal, em que a respiração artificial é feita por um aparelho, visando proteger e melhorar os pulmões. Somente um médico pode dizer qual o medicamento mais indicado para o seu caso, bem como a dosagem correta e a duração do tratamento. Siga sempre à risca as orientações do seu médico e NUNCA se automedique. Não interrompa o uso do medicamento sem consultar um médico antes e, se tomá-lo mais de uma vez ou em quantidades muito maiores do que a prescrita, siga as instruções na bula.

Complicações possíveis

A inflamação no pulmão pode deixar o órgão fragilizado, podendo evoluir para infecções secundárias como pneumonia bacteriana, ou em outras áreas do corpo. A insuficiência respiratória pode ser muito grave e levar o paciente a morte.. As complicações podem variar conforme a condição médica anterior da pessoa - alguém com asma ou outros problemas pulmonares pode ter complicações mais facilmente, por exemplo. Pela situação estressante, o transtorno de stress pós traumático pode surgir e desregulação de doenças endócrinas..

Ubiratan de Paula Santos, pneumologista da Sociedade Brasileira de Pneumologia

Andrea Sette, pneumologista do Hospital São Luiz

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*Elas não substituem o aconselhamento e acompanhamentos do profissional da saúde.