Labirintite

O que é Labirintite?

A labirintite é uma doença do ouvido que afeta o labirinto e suas estruturas responsáveis pela audição (cóclea) e pelo equilíbrio (vestíbulo). As pessoas costumam chamar qualquer distúrbio na região do ouvido interno de labirintite. O termo correto é labirintopatia, sendo labirintite uma delas.

Tipos

As tonturas relacionadas ao labirinto podem ser divididas nos seguintes tipos:

O tipo de tontura mais comum na população, é causada pelo desarranjo de cristais que existem dentro do labirinto e que auxiliam a localizar a posição da nossa cabeça. Quando os cristais estão fora do seu lugar correto, eles geram um conflito de informações. Esse quadro de tontura pode ser desencadeado por traumatismos cranianos e é mais comum em pessoas que apresentam alterações metabólicas (como diabetes e colesterol alto), que fazem estes cristais se desprenderem do seu local de origem.

Muito comum em pessoas com histórico de enxaqueca.

A Síndrome de Ménière é uma alteração do labirinto, em geral causada por problemas metabólicos ou maus hábitos alimentares, como excesso de açúcares.

Causas

As causas da labirintite ainda não são claras. Mas sabe-se, porém, que infecções e inflamações sejam as principais causas para a doença, como a otite média e o resfriado. Outros fatores, ainda que com menos frequência, também podem provocar labirintite, a exemplo de tumores, doenças neurológicas, compressões mecânicas, alterações genéticas, alergias e o uso de medicamentos perigosos para a saúde do ouvido interno.

Na labirintite, as áreas do ouvido interno ficam inflamadas e irritadas, fazendo os nervos do vestíbulo enviarem sinais incorretos ao cérebro como se o corpo estivesse se movendo. No entanto, outros sentidos, como a visão, não detectam esse movimento, causando uma confusão entre os sinais recebidos pelo cérebro e, consequentemente, a perda das noções de equilíbrio.

Podemos dividir as causas da labirintite em:

  • Virais: ou seja, oriundas de infecções por vírus na boca, nariz e vias aéreas
  • Bacterianas: invasação de uma bactéria no labirinto, muitas vezes ligada à meningite
  • Emocionais: causada pelo estresse.

Fatores de risco

Alguns fatores considerados de risco aumentam as chances de uma pessoa desenvolver labirintite, veja:

  • Ter idade acima dos 40 ou 50 anos
  • Hipoglicemia
  • Colesterol alto
  • Hipertensão
  • Diabetes
  • Triglicérides
  • Otite
  • Consumo exacerbado de álcool
  • Tabagismo
  • Consumir café em excesso
  • Uso de medicamentos, como alguns antibióticos, anti-inflamatórios e remédios para estresse e ansiedade
  • Altas taxas de ácido úrico
  • Má alimentação
  • Jejum prolongado
  • Consumir açúcar em excesso.

Sintomas de Labirintite

O principal sintoma da labirintite é a vertigem, em que a pessoa sente que tudo ao seu redor está girando. Muitas vezes ela pode vir acompanhada de outros sintomas, como:

A fase aguda da doença surge de repente, sem avisos, e costuma durar de minutos ou horas a dias, dependendo da intensidade da crise. Quando desencadeada por gripe ou resfriado, os sintomas da labirintite geralmente demoram cerca de uma a duas semanas para aparecer. Labirintite não causa desmaios, mas a recomendação é que a pessoa evite deitar para não agravar a tontura.

Quadros neurológicos, como tumores e acidente vascular cerebral (AVC), podem se manifestar com tontura que mimetiza problemas do labirinto. Doenças metabólicas como diabetes descompensado e hipertensão arterial sem controle também podem se apresentar com tontura como primeiro sintoma.

Buscando ajuda médica

Sintomas como tonturas, dificuldade de equilíbrio e zumbido que surgem de repente merecem uma visita ao médico para entender a questão.

Na consulta médica

Especialistas que podem diagnosticar labirintite são:

  • Clínico geral
  • Otorrinolaringologista.

Estar preparado para a consulta pode facilitar o diagnóstico e otimizar o tempo. Dessa forma, você já pode chegar à consulta com algumas informações:

  • Uma lista com todos os sintomas e há quanto tempo eles apareceram
  • Histórico médico, incluindo outras condições que o paciente tenha e medicamentos ou suplementos que ele tome com regularidade
  • Se possível, peça para uma pessoa te acompanhar.

Não hesite em fazer perguntas ao médico, caso elas ocorram no momento da consulta.

Diagnóstico de Labirintite

O médico poderá fazer o diagnóstico de labirintite a partir de algumas simples perguntas a respeito dos seus sintomas. Muitas vezes, um exame de ouvido pode acabar não detectando nenhum problema. Por isso, o especialista poderá realizar um exame físico e neurológico completo para diagnosticar a labirintite. Geralmente, isso basta para o diagnóstico. Mas pode acontecer de ainda haver suspeitas de que outras doenças estejam causando os sintomas, então, para esses casos, o médico deverá solicitar ao paciente que proceda à realização de alguns exames específicos, a fim de eliminar a suspeita sobre outros distúrbios:

Exames

Pode acontecer de ainda haver suspeitas de que outras doenças estejam causando os sintomas, então, para esses casos, o médico deverá solicitar ao paciente que proceda à realização de alguns exames específicos, a fim de eliminar a suspeita sobre outros distúrbios:

  • EEG (Eletroencefalograma)
  • Eletronistagmografia
  • Tomografia computadorizada da cabeça
  • Exames de audição (audiologia/audiometria)
  • Ressonância magnética da cabeça
  • Aquecer e resfriar o ouvido interno com ar ou água (estímulo de calor) para testar os reflexos do olho.

Tratamento de Labirintite

Na maioria das vezes a labirintite desaparece sozinha, o que costuma demorar algumas semanas para acontecer. Mas, quando necessário, o tratamento visa principalmente a redução dos sintomas. Se a causa for infecção bacteriana, o médico lhe receitará um antibiótico e os sintomas deverão desaparecer em breve também.

Em casos de infecções virais, o especialista deverá receitar medicamentos que ajudem a amenizar sintomas como náuseas e vômitos. Veja:

  • Anti-histamínicos
  • Corticoides, como prednisona, quando os sintomas são graves
  • Medicamentos para controlar náusea e vômitos
  • Medicamentos para aliviar a tontura
  • Sedativos.

Quando não há crise, pode-se tratar conforme a doença que causou a tontura, como medicações anti-enxaqueca no caso da migrânea vestibular. Já a vertigem paroxística benigna não é tratada com medicações, e sim com exercícios feitos pelo médico para reposicionamento dos cristais.

Se a pessoa estiver em crise de tontura, são indicadas medicações sedativas, que diminuem a ação do labirinto e reduzem o reflexo de náusea. Se os sintomas forem muito intensos, pode ser necessária internação para aplicação das medicações. Em quadros mais leves, a medicação pode ser via oral, com reavaliação precoce por um médico.

A reabilitação labiríntica é uma terapia realizada em várias sessões com o intuito de melhorar o desempenho de todo o sistema do equilíbrio. São exercícios realizados pelo paciente com acompanhamento de fisioterapeuta ou fonoaudiólogo em que são estimulados todos os componentes do equilíbrio. É muito indicada para pessoas mais idosas.

Medicamentos para Labirintite

Os medicamentos mais usados para o tratamento de labirintite são:

Somente um médico pode dizer qual o medicamento mais indicado para o seu caso, bem como a dosagem correta e a duração do tratamento. Siga sempre à risca as orientações do seu médico e NUNCA se automedique. Não interrompa o uso do medicamento sem consultar um médico antes e, se tomá-lo mais de uma vez ou em quantidades muito maiores do que a prescrita, siga as instruções na bula.

Labirintite tem cura?

Os sintomas graves da labirintite normalmente desaparecem em uma semana. A maioria dos pacientes melhora totalmente de dois a três meses. A tontura contínua tende a durar mais em pacientes com mais idade.

A audição normalmente volta ao normal. Em alguns casos, porém, a perda auditiva pode ser permanente.

Complicações possíveis

O quadro tende a progredir e limitar as atividades diárias do paciente. Em casos como a migrânea vestibular, a crise de tontura ou de enxaqueca pode ser muito debilitante. Em idosos, o risco de queda é preocupante.

Convivendo/ Prognóstico

No passado, acreditava-se que labirintite não tinha cura. Dizia-se que os pacientes deveriam permanecer imóveis, deitados, porque se levantassem os sintomas atacariam. Com o tempo, a ciência descobriu que não é bem assim - muito pelo contrário. Hoje, sabe-se que permanecer na ativa pode ajudar o paciente a melhorar.

Pergunte ao médico sobre exercícios caseiros que possam melhorar as noções de equilíbrio prejudicadas pela labirintite.

  • Consumo excessivo de açúcar
  • Jejum prolongado
  • Estresse emocional.

Quando os sintomas da labirintite ocorrerem, poderá ser necessária ajuda para caminhar. Evite atividades perigosas como dirigir, operar maquinário pesado e escalar até uma semana após o desaparecimento dos sintomas.

Se você apresentar uma crise súbita de tontura, tente manter a calma e fixar os olhos em um objeto. A visão é um dos componentes do equilíbrio e pode auxiliar a reduzir a intensidade da crise. Procure um serviço médico e evite situações que possam colocá-lo em risco, como dirigir veículo ou andar sozinho.

Pessoas com labirintite são suscetíveis a alguns gatilhos como:

Além disso, problemas persistentes de equilíbrio podem melhorar com fisioterapia. Para evitar que os sintomas da labirintite piorem durante as crises, tente o seguinte:

  • Deite e descanse quando os sintomas se manifestarem
  • Retorne à atividade gradualmente
  • Evite mudanças de posição repentinas
  • Não tente ler quando os sintomas surgirem
  • Evite luzes fortes.

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Prevenção

Mudanças no estilo de vida são fundamentais para prevenir as crises de labirintite. Eis algumas sugestões:

  • Evite ingerir álcool. Se beber, faça-o com muita moderação
  • Não fume
  • Controle os níveis de colesterol, triglicérides e a glicemia
  • Opte por uma dieta saudável que ajude a manter o peso adequado e equilibrado
  • Não deixe grandes intervalos entre uma refeição e outra
  • Pratique atividade física
  • Ingira bastante líquido
  • Evite beber bebidas gaseificadas
  • Procure administrar, da melhor forma possível, as crises de ansiedade e o estresse.

*As informações e sugestões contidas neste site têm caráter meramente informativo.
*Elas não substituem o aconselhamento e acompanhamentos do profissional da saúde.