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O que é Hepatite?

Hepatite designa qualquer degeneração do fígado por causas diversas, sendo as mais frequentes as infecções pelos vírus tipo A, B e C e o abuso do consumo de álcool ou outras substâncias tóxicas (como alguns remédios). Enquanto os vírus atacam o fígado quando parasitam suas células para a sua reprodução, a cirrose dos alcoólatras é causada pela ingestão frequente de bebidas alcoólicas - uma vez no organismo, o álcool é transformado em ácidos nocivos às células hepáticas, levando à hepatite.

Tipos

A hepatite pode ser dividida de acordo com suas causas em:

  • Hepatite A
  • Hepatite B
  • Hepatite C
  • Hepatite alcoólica
  • Hepatite medicamentosa
  • Hepatite autoimune.

Falaremos mais sobre cada uma delas nos tópicos causas, sintomas e diagnóstico.

Causas

Cada tipo de hepatite tem causas diferentes:

O vírus da hepatite tipo A (HAV) é transmitido por água e alimentos contaminados ou de uma pessoa para outra por via sexual.

O vírus da hepatite tipo B (HBV) é transmitido principalmente por meio de fluidos corporais. Usuários de drogas injetáveis e pessoas submetidas ao uso de material cirúrgico contaminado e não-descartável e lâminas de barbear ou alicates compartilhados têm maior risco de contrair esta forma de hepatite. Este vírus pode ser passado pelo contato sexual, reforçando a necessidade do uso de métodos de barreira, como os preservativos. Pode ainda ser transmitido verticalmente, da mãe para os filhos.

O vírus da hepatite tipo C (HCV) é transmitido sobretudo pelos fluidos corporais. Usuários de drogas injetáveis e pessoas submetidas ao uso de material cirúrgico contaminado e não-descartável e lâminas de barbear ou alicates compartilhados têm maior risco de ter este tipo de hepatite. O vírus também pode ser passado pelo via sexual, reforçando a necessidade do uso de preservativos e outros métodos de barreira.

Pode ser causada pelo uso abusivo de álcool que pode levar a uma hepatite alcoólica crônica ou desencadear um processo crônico que leve a cirrose e insuficiências hepáticas.

Vários medicamentos (inclusive fitoterápicos) podem lesar o fígado e para certos remédios o risco é tão elevado que o fígado deve ser monitorado com exames laboratoriais periódicos para, no caso de ocorrer lesão hepática, suspender precocemente o medicamento.

Como resultado de uma falha no sistema imunológico, este começa a produzir anticorpos que vão reagir contra o próprio fígado. Mais comum em mulheres, este processo pode se desenvolver de forma crônica, com períodos de exacerbação, e até levar à cirrose hepática se não tratado adequadamente.

O acúmulo de gordura no fígado chamado de esteatose hepática, que acomete cerca de 20% dos brasileiros, pode evoluir para uma forma inflamatória (esteato-hepatite não alcoólica) com risco de cirrose, insuficiência hepática e carcinoma hepatocelular.

  • Vírus da hepatite D e E, além de outros vírus, bactérias e parasitas
  • Substâncias tóxicas como toxinas industriais (por exemplo, tetracloreto de carbono) e aflatoxina (produzida por alguns fungos)
  • Doenças do metabolismo como hemocromatose, doença de Wilson, deficiência de alfa-1-antitripsina, amiloidose
  • Secundária a doenças biliares ou sistêmicas.

Fatores de risco

Os fatores de risco para ter uma hepatite estão relacionados aos agentes causadores da hepatite. Podemos destacar como fatores de risco:

  • Consumo de água e alimentos contaminados
  • Sexo desprotegido
  • Compartilhar agulhas para uso de drogas injetáveis
  • Uso de material cirúrgico contaminado e não-descartável
  • Compartilhar lâminas (cuidado em sessões de depilação ou tatuagem, manicure e barbearia)
  • Compartilhar escova de dentes
  • Não usar material de proteção individual ao lidar com produtos biológicos
  • Uso abusivo de álcool e medicamentos
  • Não receber as vacinas contra as hepatites a e b se houver indicação.

Sintomas de Hepatite

Os sintomas variam conforme o tipo de hepatite:

Normalmente o vírus da hepatite A fica incubado por entre 10 a 50 dias e pode não causar sintomas. Porém, quando manifesta, os mais comuns são:

  • Febre
  • Icterícia (pele e olhos amarelados)
  • Náuseas e vômito
  • Mal-estar
  • Desconforto abdominal
  • Falta de apetite
  • Urina com cor laranja escuro
  • Fezes esbranquiçadas.

Muitas vezes a hepatite B não apresenta sintomas e só é descoberta anos após a infecção, quando pode ter evoluído para cura espontânea ou para um quadro crônico, possivelmente com cirrose ou câncer de fígado.

Frequentemente, os sinais da hepatite C podem não aparecer no início da infecção e grande parte das pessoas só descobre que tem a doença em exames de sangue para esses vírus ou após vários anos com o surgimento de complicações desta infecção. Quando aparecem, os sintomas dessas hepatites são muito similares aos da hepatite A.

Os sintomas iniciais desse tipo de hepatite são muito semelhantes aos da hepatite A. Em casos mais avançados, pode apresentar sinais como:

  • Acúmulo de fluídos no abdômen
  • Convulsões
  • Mudanças de comportamento devido às toxinas liberadas pelo fígado
  • Insuficiência renal e do fígado.

Os sintomas desse quadro podem surgir de repente e incluem:

  • Fadiga
  • Disconforto abdominal
  • Icterícia
  • Aumento do fígado
  • Aparecimento de veias pela pele
  • Áreas de vermelhidão na pele
  • Dor nas articulações
  • Redução da menstruação em mulheres.

Buscando ajuda médica

Toda pessoa com sintomas de hepatite como icterícia (pele e olhos amarelados), náusea e vômitos, dor abdominal, falta de apetite, urina com cor laranja escuro e fezes esbranquiçadas deve procurar um médico para obter o diagnóstico e definir o acompanhamento e tratamento necessários para evitar complicações.

Diagnóstico de Hepatite

O diagnóstico de hepatite é feito através da anamnese para identificar os sintomas apresentados e buscar fatores de risco para os diferentes tipos de hepatite a fim de definir os exames a serem solicitados visando estabelecer a causa da hepatite. No exame físico são buscados sinais de doença hepática como icterícia e aumento do fígado. Por fim, são solicitados os exames complementares cabíveis.

Exames

Os exames para diagnóstico de hepatite se baseiam no hepatograma para definir o grau de inflamação e em marcadores da função hepática como a albumina, as bilirrubinas e o tempo de atividade da protrombina. Com o intuito de determinar a causa serão solicitadas sorologias para os diferentes vírus de hepatite e, em casos selecionados, marcadores de autoimunidade.

Pode ainda ser solicitada uma ultrassonografia para avaliar o fígado (se está aumentado de tamanho, se apresenta alguma obstrução ou tumor) e a presença de ascite (líquido livre na cavidade abdominal). A biópsia hepática habitualmente não é utilizada, por ser um procedimento invasivo, estando reservada para casos em que permanece dúvidas em relação à causa da hepatite ou para situações em que uma avaliação mais rigorosa do grau de lesão hepática se faz necessário.

Tratamento de Hepatite

Não existe tratamento para a forma aguda da hepatite. Se necessário, apenas sintomático para náuseas e vômitos. O repouso é considerado importante no tratamento da hepatite pela própria condição do paciente.

No caso da hepatite A não existe tratamento específico. Para hepatite B crônica podem ser prescritos medicamentos antivirais. Já no caso da hepatite C são usados medicamentos antivirais tanto na fase aguda quanto na crônica.

Para a hepatite alcoólica, em certos casos mais graves, podem ser prescritos corticosteróides e muitas vezes se faz necessária a reposição de sais minerais e vitaminas.

No caso da hepatite medicamentosa o tratamento é de suporte, mas, se a causa for intoxicação por paracetamol, pode ser utilizada a acetilcisteína.

No caso da hepatite autoimune são utilizados corticosteróides e imunossupressores.

Medicamentos para Hepatite

Os medicamentos mais usados para o tratamento de hepatite são:

  • Epocler
  • Prednisona.

Somente um médico pode dizer qual o medicamento mais indicado para o seu caso, bem como a dosagem correta e a duração do tratamento. Siga sempre à risca as orientações do seu médico e NUNCA se automedique. Não interrompa o uso do medicamento sem consultar um médico antes e, se tomá-lo mais de uma vez ou em quantidades muito maiores do que a prescrita, siga as instruções na bula.

Complicações possíveis

Entre as complicações possíveis estão a evolução para hepatite fulminante com encefalopatia hepática (alterações neurológicas como confusão mental, raciocínio lento e até mesmo coma), sangramentos pela redução dos fatores de coagulação e insuficiência renal, por vezes sendo necessário o transplante hepático. O dano prolongado pode levar a cirrose e insuficiência hepáticas e até mesmo causar o carcinoma hepatocelular.

Convivendo/ Prognóstico

Na dependência de vários fatores como a causa da hepatite e fatores relacionados à pessoa, a hepatite aguda pode evoluir para cura completa, tornar-se crônica com risco de desencadear um processo que leve a destruição contínua e progressiva do fígado e culminando com cirrose e insuficiência hepáticas ou pode ser tão intensa que leve à hepatite fulminante com necessidade urgente de transplante hepático.

Prevenção

A melhor estratégia de prevenção das hepatites inclui a melhoria das condições de vida, com adequação do saneamento básico e medidas educacionais de higiene, além de não fazer sexo desprotegido.

É mandatório o uso de equipamentos de proteção individual pelos profissionais que lidem com material biológico; o não compartilhamento de alicates de unha, lâminas de barbear, escovas de dente, equipamentos para uso de drogas.

Deve-se evitar o uso abusivo de álcool e não se expor a outras substâncias que sejam tóxicas ao fígado, como determinados medicamentos. Não usar medicamentos em doses maiores que as permitidas e não usar remédios por um tempo maior que o recomendado pelo prescritor.

Deve ser realizado o tratamento dos indivíduos infectados por vírus causadores de hepatite (reduz a transmissão).

A vacina específica contra o vírus A está indicada conforme preconizado pelo Programa Nacional de Imunizações (PNI).

É importante o controle efetivo de bancos de sangue através da triagem sorológica.

A vacinação contra hepatite B, disponível no SUS, conforme padronização do Programa Nacional de Imunizações (PNI) também é uma forma de prevenção, assim como o uso de imunoglobulina humana Anti-Vírus da hepatite B também disponível no SUS, conforme padronização do Programa Nacional de Imunizações (PNI).

Associação Brasileira dos Portadores de Hepatite

Sociedade Brasileira de Hepatologia

Sociedade Brasileira de Infectologia

Escrito pelo gastroenterologista Leonardo Peixoto

Ministério da Saúde

Mayo Clinic

*As informações e sugestões contidas neste site têm caráter meramente informativo.
*Elas não substituem o aconselhamento e acompanhamentos do profissional da saúde.