Febre amarela Icone para edição

A febre amarela é uma doença infecciosa causada por um vírus e transmitida por mosquitos. A infecção pode ser categorizada de duas formas: febre amarela urbana, quando é transmitida pelo Aedes aegypti; ou febre amarela silvestre, quando transmitida pelo Haemagogus e Sabethe.

A doença é considerada aguda e hemorrágica e recebe este nome, pois causa amarelidão do corpo (icterícia) e hemorragia em diversos graus. O vírus é tropical e mais comum na América do Sul e na África. Apesar de ser considerado um vírus perigoso, a maioria das pessoas não apresentam sintoma e evoluem para a cura.

A febre amarela pertence à classificação das arboviroses, , tendo várias diferenças entre a dengue e ao Zika vírus, apesar de pertencerem à família dos Flavivírus.

Desde janeiro de 2017, o número de casos de febre amarela vem aumentando. No estado de Minas Gerais já foram confirmados 415 casos de febre amarela silvestre, sendo que 130 deles evoluíram para óbito. Em outros estados também há um aumento de casos: 120 mortes em São Paulo até o dia 15/03. No Rio de Janeiro, ocorreram 49 óbitos devido a febre amarela silvestre em 2018. Além disso, no Distrito Federal foi confirmado 1 caso de óbito devido a febre amarela.

Dada a situação, o Ministério da Saúde começará uma campanha de vacinação em fevereiro oferecendo doses fracionadas da vacina. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), a vacina com dose completa dura a vida toda, enquanto a fracionada valerá por nove anos. A nova regra, já utilizada em países como a Angola, ganhou destaque após análise da Comissão Nacional de Imunização, que apurou a duração da vacina.

O último surto de febre amarela no Brasil ocorreu entre 2008 e 2009, quando 51 casos foram confirmados.

Saiba mais: Vacina fracionada protege contra febre amarela em 98% dos casos

Inicialmente, estimava-se que a proteção da dose fracionada seria apenas de um ano, mas houve um acompanhamento com as pessoas que a receberam e o resultado foi satisfatório.

Acredita-se que o mosquito Aedes aegypti chegou ao Brasil pelos navios negreiros, uma vez que as primeiras aparições do mosquito se deram no continente africano. No início do século XX, o médico Oswaldo Cruz implantou um programa de combate ao mosquito, visando reduzir os casos de febre amarela.

Sintomas:

Muitas pessoas que contraem a febre amarela não apresentam sintomas, e quando os apresentam, os mais comuns são:

  • Febre
  • Dores musculares em todo o corpo, principalmente nas costas
  • Dor de cabeça
  • Perda de apetite
  • Náuseas e vômito
  • Olhos, face ou língua avermelhada
  • Fotofobia
  • Fadiga e fraqueza.

Os sintomas nesta fase aguda da doença costumam durar entre três e quatro dias e passam sozinhos.

No entanto, uma pequena porcentagem de pessoas pode desenvolver sintomas mais graves cerca de 24 horas após a recuperação dos sintomas mais simples. Nesta fase chamada de tóxica, o vírus pode atingir diversos órgãos e sistemas, mas principalmente o fígado e rins. Os sintomas dessa fase são:

  • Retorno da febre alta
  • Icterícia, devido ao dano que o vírus causa no fígado
  • Urina escura
  • Dores abdominais
  • Sangramentos na boca, nariz, olhos ou estômago.

Em casos mais graves o paciente pode apresentar delírios, convulsões e até entrar em coma.

Dependendo do dano causado no organismo, esta fase da febre amarela pode levar a morte no intervalo entre sete e dez dias. Por isso, pessoas que são diagnosticadas com febre amarela devem estar atentas ao aparecimento dos sintomas iniciais e observar se os sintomas mais graves se manifestarem, para busca de ajuda médica.

Os sintomas da febre amarela podem ser confundidos com malária, leptospirose, hepatite viral e dengue hemorrágica. Já os sintomas de dengue comum também se assemelham, apesar de serem um pouco mais leves.

Diagnóstico:

O diagnóstico da febre amarela é feito com base nos sintomas, histórico médico e de exposição a mosquitos possivelmente infectados.

Caso o médico suspeite de febre amarela, existe um exame de sangue que pode detectar a presença do vírus ou de anticorpos que indiquem sua infecção anterior.

Saiba mais: Teste rápido de febre amarela será distribuído pelo SUS

Tratamento:

Não existe medicamento para combater o vírus da febre amarela. O tratamento é apenas sintomático e requer cuidados na assistência ao paciente que, sob hospitalização, deve permanecer em repouso com reposição de líquidos e das perdas sangüíneas, quando indicado. Nas formas graves, o paciente deve ser atendido numa Unidade de Terapia Intensiva.

Não existem tratamentos médicos específicos contra o vírus da febre amarela. Normalmente o tratamento visa a melhora dos sintomas e em casos mais graves é realizado o atendimento em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI), para reposição do sangue perdido nas hemorragias, diálise para os rins afetados e controle geral das complicações.

Devido ao risco da doença se desenvolver de forma hemorrágica, é importante evitar o uso de aspirina.

Febre amarela tem cura?

A maioria das pessoas com febre amarela serão assintomáticas ou terão a versão mais leve da doença, se recuperando completamente em poucos dias. No entanto, em pessoas sintomáticas, a fadiga e fraqueza podem durar ainda por alguns meses.

Uma pequena porcentagem das pessoas com febre amarela terá a versão mais grave da doença, e entre 20 a 50% podem ter uma versão fatal.

Pessoas que tiveram febre amarela uma vez estão imunizadas contra a doença.

Complicações:

A febre amarela resulta em morte de 20 a 50% daqueles que desenvolvem doença grave. As complicações durante a fase tóxica de uma infecção por febre amarela incluem insuficiência renal e hepática, icterícia, delírio e coma.

As pessoas que sobrevivem à infecção recuperam-se gradualmente ao longo de um período de várias semanas a meses, geralmente sem danos significativos nos órgãos. Durante esse período, uma pessoa pode sentir fadiga e icterícia. Outras complicações incluem infecções bacterianas secundárias, como pneumonia ou infecções sangüíneas.

Prognóstico:

Pessoas diagnosticadas com a forma mais simples da febre amarela devem manter cuidados básicos como:

  • Repouso
  • Reposição de líquidos, principalmente recorrendo ao soro caseiro em casos de vômitos
  • Uso correto dos medicamentos indicados.

Além disso, é importante que estas pessoas não fiquem expostas à mosquitos, ou podem infectá-los com a doença.

Perguntas frequentes

A vacina está disponível na rede pública nos postos e unidades de saúde das cidades, assim como em hospitais especializados em infectologia e epidemiologia. Você pode encontrar os postos autorizados no site da Secretaria de Saúde do estado em que você mora.

A vacina da febre amarela é feita a partir do vírus atenuado (cepa 17D) e é aplicada via subcutânea, na região do braço. O efeito protetor ocorre a partir do décimo dia depois de ter tomado a vacina e garante imunidade por pelo menos 10 anos. A vacina age estimulando o organismo a produzir sua própria proteção contra o vírus.

A vacina é contraindicada para gestantes, mulheres que estão amamentando, crianças até seis meses de idade. Pessoas imunodepressivas, como pacientes oncológicos e portadores de doenças crônicas também não devem tomar a vacina. Na impossibilidade de adiar a vacinação, como em situações de emergências epidemiológicas, vigência de surtos, epidemias ou viagens para áreas de risco de contrair a doença, o médico deverá avaliar o benefício e risco da vacinação.

No caso de mulheres que estejam amamentando e receberam a vacina, o aleitamento materno deve ser suspenso preferencialmente por 28 dias após a vacinação.

Prevenção:

Além disso, devem ser tomadas medidas de proteção individual, como a vacinação contra a febre amarela, especialmente para aqueles que moram ou vão viajar para áreas com indícios da doença. Outras medidas preventivas são o uso de repelente de insetos, mosquiteiros e roupas que cubram todo o corpo.

A vacinação é considerada pela Organização Mundial da Saúde a forma mais importante de prevenir a febre amarela. Tanto que é a vacinação frequente que impede que a doença de espalhe mesmo em áreas endêmicas. É preciso que ao menos 80% da população seja imunizada contra um vírus para prevenir a doença nestas regiões.

Veja a seguir como deve ser a vacinação em áreas endêmicas:

  • De 6 meses a 9 meses de idade incompletos: a vacina está indicada somente em situações de emergência epidemiológica, vigência de surtos, epidemias ou viagem inadiável para área de risco de contrair a doença
  • De 9 meses até 4 anos 11 meses e 29 dias de idade: é indicado uma dose aos 9 meses de idade e uma dose de reforço aos 4 anos de idade
  • A partir dos 5 anos de idade: se a pessoa já recebeu uma vacina, pode-se dar mais uma dose. Se ela nunca foi vacinada, é preciso dar uma dose inicial e outra de reforço 10 anos depois.

Como a transmissão urbana da febre amarela só é possível através da picada de mosquitos Aedes aegypti, a prevenção da doença deve ser feita evitando sua disseminação.

A partir dos 5 anos de idade: se a pessoa já recebeu uma vacina, pode-se dar mais uma dose. Se ela nunca foi vacinada, é preciso dar uma dose inicial e outra de reforço 10 anos depois.No caso de pessoas com mais de 60 anos que nunca foram vacinadas, o médico deve levar em conta os riscos da vacinação, que incluem o risco de eventos adversos nessa faixa etária ou decorrentes de comorbidades. Gestantes e lactantes são contraindicadas a tomar esta vacina, assim como pessoas imunossuprimidas. A orientação sobre a dose da vacina contra febre amarela foi atualmente reformulada. Anteriormente, após tomar a vacina pela primeira vez era necessário tomar uma segunda dose depois de 10 anos. No entanto, com a nova regra uma pessoa que já tomou a vacina contra febre amarela não precisa se revacinar, mesmo que esta dose tenha sido ministrada há mais de 10 anos. As únicas exceções são para pessoas que tomaram a dose fracionada da vacina e para crianças de 9 meses a 5 anos de idade.

No caso de viajantes, o recomendado aqui no Brasil é realizar a vacinação 10 dias antes da viagem, no caso de primeira vacinação, já que os anticorpos protetores aparecem entre sete e dez dias após o contato com o vírus. De acordo com as Regulações de Saúde Internacionais, os países têm o direito de requerer de viajantes o certificado da vacinação contra a febre amarela.

Saiba mais: Desvende 4 mitos do Whatsapp sobre a vacina contra febre amarela

A febre amarela urbana pode ser prevenida pela eliminação do mosquito transmissor, no caso, o Aedes aegypti.

As larvas do Aedes nascem e se criam em água parada. Por isso, evitar esses focos da reprodução desse vetor é a melhor forma de prevenir a febre amarela. Veja como eliminar o risco:

Evite o acúmulo de água : O mosquito coloca seus ovos em água limpa, mas não necessariamente potável. Por isso é importante jogar fora pneus velhos, virar garrafas com a boca para baixo e, caso o quintal seja propenso à formação de poças, realizar a drenagem do terreno. Também é necessário lavar a vasilha de água do bicho de estimação regularmente e manter fechadas tampas de caixas d'água e cisternas.

Coloque areia nos vasos de plantas: O uso de pratos nos vasos de plantas pode gerar acúmulo de água. Há três alternativas: eliminar esse prato, lavá-lo regularmente ou colocar areia. A areia conserva a umidade e ao mesmo tempo evita que e o prato se torne um criadouro de mosquitos.

Coloque desinfetante nos ralos: Ralos pequenos de cozinhas e banheiros raramente tornam-se foco de Aedes devido ao constante uso de produtos químicos, como xampu, sabão e água sanitária. Entretanto, alguns ralos são rasos e conservam água estagnada em seu interior. Nesse caso, o ideal é que ele seja fechado com uma tela ou que seja higienizado com desinfetante regularmente.

Limpe as calhas: Grandes reservatórios, como caixas d'água, são os criadouros mais produtivos de Aedes, mas as larvas do mosquito podem ser encontradas em pequenas quantidades de água também. Para evitar até essas pequenas poças, calhas e canos devem ser checados todos os meses, pois um leve entupimento pode criar reservatórios ideais para o desenvolvimento do Aedes aegypti.

Coloque tela nas janelas: Colocar telas em portas e janelas ajuda a proteger sua família contra o mosquito. O problema é quando o criadouro está localizado dentro da residência. Nesse caso, a estratégia não será bem sucedida. Por isso, não se esqueça de que a eliminação dos focos da doença é a maneira mais eficaz de proteção.

Lagos caseiros e aquários: Assim como as piscinas, a possibilidade de laguinhos caseiros e aquários se tornarem focos de doenças deixou muitas pessoas preocupadas, porém, peixes são grandes predadores de formas aquáticas de mosquitos. O cuidado maior deve ser dado, portanto, às piscinas que não são limpas com frequência.

Seja consciente com seu lixo: Não despeje lixo em valas, valetas, margens de córregos e riachos. Assim você garante que eles ficarão desobstruídos, evitando acúmulo e até mesmo enchentes. Em casa, deixe as latas de lixo sempre bem tampadas.

Uso de inseticidas e larvicidas: Tanto os larvicidas quanto os inseticidas distribuídos aos estados e municípios pela Secretaria de Vigilância em Saúde têm eficácia comprovada, sendo preconizados por um grupo de especialistas da Organização Mundial da Saúde.

Os larvicidas servem para matar as larvas do mosquito. São aqueles produtos em pó, ou granulado, que o agente de combate coloca nos ralos, caixas d'água, enfim, nos lugares onde há água parada que não pode ser eliminada.

Já os inseticidas são líquidos espalhados pelas máquinas de nebulização, que matam os insetos adultos enquanto estão voando, pela manhã e à tarde, porque o mosquito tem hábitos diurnos. O fumacê, como é chamado, não é aplicado indiscriminadamente, sendo utilizado somente quando existe a transmissão da doenças do Aedes em surtos ou epidemias. Desse modo, a nebulização pode ser considerada um recurso extremo, porque é utilizada em um momento de alta transmissão, quando as ações preventivas de combate à dengue falharam ou não foram adotadas.

Algumas vezes, os mosquitos e larvas do mosquito desenvolvem resistência aos produtos. Sempre que isso é detectado, o produto é imediatamente substituído por outro.

Uso de repelente :O uso de repelentes, principalmente em viagens ou em locais com muitos mosquitos, é um método importante para se proteger contra a as doenças transmitidas pelo Aedes. Recomenda-se, porém, o uso de produtos industrializados. Os repelentes caseiros, como andiroba, cravo-da-índia, citronela e óleo de soja não possuem grau de repelência forte o suficiente para manter o mosquito longe por muito tempo. Além disso, a duração e a eficácia do produto são temporárias, sendo necessária diversas reaplicações ao longo do dia, o que muitas pessoas não costumam fazer.

Organização Mundial da Saúde.

Ministério da Saúde

Fundação Oswaldo Cruz

Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos

Clínica Mayo, centro de referência em medicina dos Estados Unidos

*As informações e sugestões contidas neste site têm caráter meramente informativo.
*Elas não substituem o aconselhamento e acompanhamentos do profissional da saúde.