Esquistossomose Icone para edição

A esquistossomose é uma doença que leva a problemas de saúde crônica. A infecção é adquirida quando as pessoas entram em contato com água doce que está infectada com as formas larvais de parasitas da espécie Schistosoma. Os vermes adultos microscópicos vivem nas veias de drenagem do trato urinário e dos intestinos. A maioria de seus ovos fica presa nos tecidos e reação do corpo a eles pode causar grandes danos à saúde.

Há duas formas principais de esquistossomose - intestinais e urogenitais - causadas por cinco espécies diferentes de Schistosoma.

Segundo a Organização Mundial de Saúde, a esquistossomose afeta quase 240 milhões de pessoas no mundo, e mais de 700 milhões de pessoas vivem em áreas endêmicas. A infecção é prevalente em áreas tropicais e subtropicais, em comunidades carentes sem acesso a água potável e saneamento adequado. Vários milhões de pessoas em todo o mundo sofrem de patologia grave em consequência da esquistossomose.

Sintomas:

Dias após a infecção, a pessoa pode desenvolver uma erupção cutânea e/ou coceira no local em que o parasita penetrou na pele. A maioria das pessoas, no entanto, não têm sintomas nesta fase inicial da infecção.

Dentro de um a dois meses após a infecção, quando o parasita atinge o sangue e viaja através dele, a pessoa pode sentir:

  • Febre
  • Calafrios
  • Tosse
  • Dores musculares.

O parasita então pode viajar para o fígado ou passar para o intestino ou bexiga.

A esquistossomose intestinal pode causar:

  • Dor abdominal
  • Diarreia
  • Sangue nas fezes
  • Esquistossomose urigenial.

O sinal clássico da esquistossomose urogenital é hematúria (sangue na urina). Fibrose da bexiga e do ureter, e danos renais são, por vezes, o diagnóstico em casos avançados. O câncer de bexiga é outra complicação possível nas fases posteriores.

Diagnóstico:

A esquistossomose é diagnosticada através da detecção de ovos do parasita nas fezes ou urina do paciente, bem como a detecção do parasita no sangue. Os testes a serem realizados incluem:

  • Teste de anticorpos para verificar sinais de infecção
  • Biópsia do tecido
  • Hemograma completo para verificação de sinais de anemia
  • Contagem de eosinófilos para medir o número de determinadas células brancas
  • Testes de função renal
  • Testes de função hepática
  • Exame de fezes para observar ovos de parasitas
  • Urina tipo I para observar ovos do parasita.

Tratamento:

O tratamento da esquistossomose é feito com antiparasitários (praziquantel ou oxamniquina). Os medicamentos são capazes de matar o parasita dentro de um a dois dias em média.

Complicações:

Aumento do fígado é comum em casos avançados de esquistossomose intestinal, e é frequentemente associada com um acúmulo de líquido na cavidade peritoneal e hipertensão dos vasos sanguíneos abdominais. Em tais casos, pode também acontecer o alargamento do baço.

Complicações da esquistossomose urogenital incluem fibrose da bexiga e do ureter e danos renais. O câncer de bexiga é outra complicação possível nas fases posteriores. Essa manifestação da doença também pode causar lesões genitais, sangramento vaginal, dor durante a relação sexual e nódulos na vulva. Além disso, a esquistossomose urogenital pode induzir a patologias na vesícula seminal, próstata e outros órgãos. Esta doença também pode ter outras consequências irreversíveis, incluindo a infertilidade.

Em crianças, a esquistossomose pode causar anemia, raquitismo e uma reduzida capacidade de aprender, embora os efeitos são geralmente reversíveis com tratamento.

A esquistossomose crônica pode afetar a capacidade das pessoas de realizar atividades diárias e, em alguns casos, pode resultar em morte. Na África Subsaariana, a OMS estima que mais de 200 mil mortes por ano aconteçam devido à esquistossomose.

Prevenção:

O controle da esquistossomose é baseado no tratamento em larga escala de grupos de risco, acesso a água potável e saneamento básico, educação sanitária e controle de caramujos em lagos e rios.

Áreas endêmicas recebem medicamentos antiparasitários periodicamente de órgãos públicos e da Organização Mundial de Saúde. Grupos-alvo para o tratamento são:

  • Crianças em idade escolar em áreas endêmicas
  • Adultos considerados de risco em áreas endêmicas
  • Pessoas com profissões que envolvem contato com a água infestada, tais como pescadores, agricultores, trabalhadores de irrigação
  • Pessoas que praticam tarefas domésticas que envolvem contato com água infestada
  • Comunidades inteiras que vivem em áreas de alta contaminação.

De acordo com a OMS, o controle da esquistossomose foi implementado com sucesso nos últimos 40 anos em vários países, incluindo o Brasil, Camboja, China, Egito, Ilhas Maurício e Arábia Saudita.

Revisão: Dr. Alberto Chebabo, infectologista do Lavoisier Medicina Diagnóstica – CRM RJ 477743

Ministério da Saúde

Organização Mundial da Saúde

Sociedade Brasileira de Infectologia

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