Dor de cabeça - Tratamentos e Causas Icone para edição

Dor de cabeça é a dor em qualquer região da cabeça. As dores de cabeça podem ocorrer em um ou em ambos os lados da cabeça, serem isoladas em determinada localização, irradiarem pela cabeça de um ponto ou a outro, serem latejantes ou uma sensação de dor surda. As dores de cabeça podem aparecer gradualmente ou de repente, e podem durar menos de uma hora ou durante vários dias. Pelo menos 63 milhões de brasileiros de todas as idades sofrem com dores de cabeça frequentes. A dor de cabeça ou cefaleia, seu nome científico, é a queixa de maior frequência nos Pronto Socorros do Brasil.

Em pesquisa feita pelo Minha Vida foi constatado que dor de cabeça é a quinta condição de saúde mais frequente entre os leitores, atrás apenas de ansiedade, estresse, dor nas costas e alergia respiratória. Dentre os nossos leitores, 1 em cada 5 (19,2%) afirma possuir dores de cabeça frequentes (pelo menos uma vez por semana).

Tipos:

Existem mais de 200 tipos de dor de cabeça. Seus sintomas de dor de cabeça podem ajudar o médico a determinar a causa e o tratamento adequado. A maioria das dores de cabeça não é resultado de uma doença grave, mas algumas podem resultar de uma condição com risco de vida que requer cuidados de emergência. Dores de cabeça são geralmente classificados por causa:

Uma dor de cabeça primária é causada por problemas com hiperatividade ou a partir de estruturas sensíveis à dor em sua cabeça. A cefaleia primária não é um sintoma de uma doença subjacente - ou seja, a dor é o mal por si só. Entre os gatilhos para cefaleias primárias estão atividade química cerebral alterada e os nervos ou vasos sanguíneos de seu crânio contraídos ou os músculos da cabeça e pescoço contraídos. A dor de cabeça também pode ser causada por uma combinação desses fatores. Algumas pessoas podem carregar genes que os tornam mais propensos a desenvolver essas dores de cabeça.

As cefaleias primárias mais comuns são:

  • Cefaleia em salvas
  • Enxaqueca e enxaqueca com aura
  • Cefaleia tensional.

Há outros padrões de dor de cabeça que são geralmente considerados primários, mas são menos comuns. Essas têm características distintas, como uma duração incomum ou dor associada a uma determinada atividade. Embora essas dores de cabeça sejam geralmente consideradas primárias, cada um delas pode ser um sintoma de uma doença subjacente. Essas dores de cabeça incluem:

  • Cefaleia diária e crônica
  • Dor de cabeça associada à tosse
  • Dor de cabeça associada ao exercício
  • Dor de cabeça associada ao sexo.

Uma dor de cabeça secundária é um sintoma de uma doença. Existem diversas condições que podem causar dor de cabeça, a depender da gravidade do problema. Fontes de cefaleias secundárias incluem:

  • Sinusite aguda
  • Coágulo de sangue (trombose venosa) dentro do cérebro
  • Aneurisma cerebral
  • Cérebro com malformação arteriovenosa ou uma formação anormal de vasos sanguíneos do cérebro
  • Tumor cerebral
  • Intoxicação por monóxido de carbono
  • Síndrome de Arnold-Chiari (malformação rara e congênita do sistema nervoso central)
  • Concussão
  • Desidratação
  • Problemas dentários
  • Otite
  • Encefalite
  • Arterite (inflamação do revestimento das artérias)
  • Glaucoma
  • Ressaca
  • Gripe
  • Rupturas de vasos sanguíneos no cérebro
  • Medicamentos para o tratamento de outras doenças
  • Meningite
  • Uso excessivo de medicação para a dor
  • Ataques de pânico
  • Síndrome pós-concussão
  • Pressão na cabeça por conta de chapéus apertados, capacetes ou óculos de proteção
  • Aumento da pressão no interior do crânio
  • Toxoplasmose
  • Neuralgia do trigêmeo.

Tipos específicos de cefaleias secundárias incluem:

  • Dor de cabeça por ingestão de líquidos ou sólidos muito gelados
  • Dor de cabeça causada por baixos níveis de líquido cefalorraquidiano, possivelmente o resultado de trauma, punção lombar ou anestesia raqui.

Cuidados

Manter um diário da dor ajuda a encontrar a origem ou o que desencadeia seus sintomas. Dessa forma, você conseguirá encontrar algum hábito ou possível causa para o sintoma e então conseguir evitar. Quando uma dor de cabeça ocorre, escreva:

  • Dia e horário em que a dor de cabeça começou
  • O que você comeu nas últimas 24 horas
  • Quanto dormiu na noite anterior
  • O que estava fazendo e no que pensava logo antes de a dor de cabeça começar
  • Qualquer estresse em sua vida
  • Quanto tempo a dor de cabeça durou
  • O que você fez para a dor de cabeça parar.

Depois de um tempo, você pode começar a ver um padrão.

Enxaquecas podem responder a medicamentos anti-inflamatórios não esteroides ou a medicamentos para enxaqueca que tenham uma combinação de drogas. Se remédios comuns não controlarem sua dor, converse com seu médico sobre possíveis medicamentos receitados.

Pessoas que tomam medicamentos para dor de cabeça regularmente por três ou mais dias por semana podem desenvolver superuso de medicamentos, ou cefaleias de rebote. Todos os tipos de analgésico (incluindo os vendidos sem receita) podem causar cefaleias de rebote. Se você acha que isso pode ser um problema, converse com seu médico.

Se você tem dor de cabeça frequentemente, seu médico pode receitar medicamentos para preveni-la. É importante tomar esses remédios conforme receitado, mesmo quando a dor de cabeça não aparecer.

Quando o paciente apresenta sintomas visuais ou sensitivos antes da dor ele tem a chamada enxaqueca com aura. Essas sensações podem durar de poucos minutos até uma hora, seguidos de dor de cabeça muito forte. Entre os sinais mais comuns de enxaqueca com aura estão pontos brilhantes ou manchas escuras em forma de mosaico na visão e dormências ou formigamentos em apenas um lado do corpo. Mas mesmo as dores de cabeça sem aura podem ser premeditadas, pois o paciente pode ficar inquieto, sonolento, irritado ou eufórico, com desejo de comer comidas específicas, principalmente doces. Alguns pacientes apresentam sintomas até um dia antes da crise como bocejos e aumento de apetite. Nesses casos, você já pode se preparar melhor para a crise, cancelando compromissos e até mesmo iniciando o uso da medicação.

Antes de sair seguindo os conselhos de parentes ou amigos que também sofrem de dor de cabeça, saiba que os gatilhos para uma crise são diferentes em cada pessoa, bem como os fatores que ajudam a amenizar os sintomas. Os desencadeantes de uma crise podem ser alimentos, estresse, alterações do sono, jejum, estado climático, alterações hormonais e muitos outros. Inclusive, algumas pessoas não possuem qualquer desencadeante específico. Por isso, o que melhora a crise para uma pessoa pode não ajudar em outra, cabendo a cada um prestar atenção em seus próprios agentes desencadeantes e o que pode ser feito para evitar ou amenizar a dor quando ela vier. Alguns dos tratamentos não medicamentosos mais comuns incluem compressas quentes ou frias, massagens, terapia de biofeedback, homeopatia e acupuntura.

De todos os tipos de dores de cabeça, a enxaqueca é a mais rica de sintomas. Náuseas, vômitos, diarreia, sensibilidade à luz, cheiros, barulhos e movimentos, irritabilidade, sonolência e depressão são apenas alguns dos incômodos que podem acompanhar uma crise. Como o analgésico trata apenas a dor da enxaqueca, o paciente que tiver esses outros sintomas muito acentuadamente deve tratá-los de forma tópica. Esse cuidado é redobrado com aqueles que sofrem com vômitos, pois ele pode perder os analgésicos, precisando ir ao pronto socorro para receber drogas injetáveis. Quando o paciente relata vômitos intensos é conveniente medicá-lo com um antiemético conjuntamente com os medicamentos analgésicos - e alguns antieméticos parecem ter até um efeito sobre a dor.

Durante uma crise o paciente não suporta ambientes barulhentos e com muita luz, podendo esses fatores serem até mesmo desencadeantes do quadro. A pessoa com dor de cabeça pode ter anomalias neuroquímicas que tornam o seu cérebro mais "irritável" do que os outros, respondendo de forma exagerada a estímulos como luz e barulho. Assim, durante uma crise, o ideal é se sentar ou deitar - o que for mais confortável - em um local com pouca luz e sem barulhos, evitando ao máximo conversas e atividades que o tirem do repouso. Aqueles que possuem enxaquecas mais fracas podem melhorar completamente com o repouso, dispensando o uso de analgésicos.

Ainda que o desencadeante da sua crise não seja a alimentação, uma dieta leve rica em líquidos no momento da crise pode ser muito útil. Nos casos em que não há vômito, o jejum prolongado pode inclusive agravar a dor de cabeça. Beba muito líquido para se manter hidratado, tanto água quanto soluções hidratantes disponíveis no mercado. Porém, se o paciente estiver vomitando, o melhor é não ingerir alimentos sólidos e, em casos graves, procurar um pronto atendimento para receber medicações injetáveis mais potentes.

Apesar de existirem vários fatores desencadeantes de uma dor de cabeça, o gatilho mais importante é, sem dúvida, o estresse emocional. Situações como muitas horas no trânsito, cobranças no trabalho, excesso de horas trabalhadas e discussões familiares contribuem para que o cérebro do paciente produza mais noradrenalina, uma substância vasoconstritora que agravará ainda mais a dor de cabeça. Como é impossível fugir completamente do estresse e nem sempre é fácil evitá-lo, é importante que o paciente já esteja preparado para uma crise em dias que ele sabe que serão mais difíceis.

Manter as medicações à mão, já fazer uma dieta mais leve e considerar sair mais cedo do trabalho, quando possível, são algumas alternativas.

Prevenção:

Os seguintes hábitos saudáveis podem diminuir o estresse e reduzir sua chance de ter dor de cabeça:

  • Dormir o suficiente
  • Ter uma alimentação saudável
  • Praticar exercícios regularmente
  • Aprender a postura adequada
  • Aprender a relaxar utilizando meditação, respiração profunda, yoga ou outras técnicas
  • Parar de fumar
  • Alongar o pescoço e a parte superior do corpo, especialmente se seu trabalho envolve digitar ou usar o computador
  • Usar óculos adequados, se necessário.

Antonio Cezar Galvão, neurologista do Centro de Dor e Neurocirurgia Funcional do Hospital 9 de Julho

Celia Roesler, neurologista da Sociedade Brasileira de Cefaleia

Minha Vida - Life Insights: Health Report 2017

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