Doença de Peyronie Icone para edição

A Doença de Peyronie é uma patologia que se caracteriza pela presença de fibrose no revestimento dos corpos cavernosos e consequente tortuosidade do pênis. Importante explicar que essa curvatura do membro só é percebida durante a ereção. Ou seja, quando o pênis está flácido, apenas a fibrose é notada durante a palpação do pênis como nódulos endurecidos.

Na ereção, quando os dois corpos cavernosos (cilindros) deveriam se expandir simetricamente, ocorreria a curvatura devido à limitação da expansão provocada pela fibrose. Ou seja, o lado que se expande menos funciona como uma ancoragem que determina o lado para onde o penso vai curvar.

Trata-se de uma condição com várias lacunas no conhecimento e por isso, com diferentes tipos de tratamento.

Alguns pesquisadores inclusive propõe a divisão da Doença de Peyronie em tipos distintos. Essa preocupação se deve à grande heterogeneidade nas formas de apresentação e evolução da doença. Alguns casos cursam com fibrose discreta e curvatura mínima, enquanto outros evoluem para placas calcificadas é grande deformidade do pênis, com efeito devastador na vida sexual do paciente.

Sintomas:

A doença tem basicamente duas fases, denominaras AGUDA E CRÔNICA. Nem sempre os casos apresentam essas fases de forma tão marcante. Na fase aguda ocorre dor na ereção, a curvatura se modifica é dura em média seis meses. A fase crônica se caracteriza pela ausência de dor e pela estabilização da curvatura. A maioria dos casos evolui com manutenção ou piora progressiva da curvatura e em menos de 10% pode ocorrer regressão.

Diagnóstico:

O diagnóstico é clinico, ou seja, feito no consultório pelo médico através da conversa e exame físico. Usualmente recomendamos que o paciente faça fotos do membro ereto para registrar a situação e permitir o acompanhamento. Não há necessidade de nenhum exame complementar específico.

Tratamento:

Existem três tipos de tratamento para Doença de Peyronie: medicamentos orais, injeção de substâncias na placa e cirurgias. Os medicamentos orais seriam indicados na fase inicial onde existem dor e mudança da curvatura. Vitamina E, colchicina, Potaba, Verapamil e anti-inflamatórios aliviam os sintomas, entretanto raramente conseguem modificaria evolução da doença.

A utilização de medicamentos para ereção como tadalafila, sildenafila e verdejariam estariam indicados quando existe disfunção erétil associada.

Várias substâncias já foram testadas na terapia da doença. Corticoides e verapamil foram as mais utilizadas. Os resultados são bastante diferentes em estudos publicados. Em alguns a melhora chega a 60% dos casos enquanto em outros o efeito é semelhante ao grupo controle.

Recentemente foi aprovado pelo FDA uma substância injetável já utilizada na contratura de Dupuytren: a colagenase produzida pelo clostridium (Xiaflex*) que conseguiria digerir a fibrose e reduzir a curvatura. Os estudos iniciais mostraram que há necessidade de várias aplicações, modelagem do pênis no consultório e com melhoras bastante modestas. O medicamento ainda não está disponível no Brasil.

A cirurgia, quando bem indicada e corretamente realizada, traz as melhores taxas de satisfação. O momento adequado para fazer a cirurgia precisa ser identificado em conjunto com o paciente e não existe uma regra. Cada caso merece uma conduta.

Geralmente se opera quando a vida sexual do paciente está bastante prejudicada, o que ocorre nos casos de curvaturas de maior intensidade e quando há dificuldade de ereção associada.

Duas técnicas podem ser empregadas: as plicaturas onde se encurta o lado convexo da curvatura ou as técnicas de enxertia onde se incisa ou excisão a placa e utiliza-se um tecido do próprio paciente (veia, fáscia lata ou mucosa oral) ou material heterólogo (pericárdio bovino) para reparar a área da placa.

Quando existe disfunção erétil associada o emprego de prótese peniana estaria indicado e pode ser realizado no mesmo procedimento.

A vantagem da técnica de plicatura é que é mais simples,porém provoca encurtamento do pênis. Por outro lado, nas curvaturas mais complexas e em pacientes que não toleram perda de tamanho, as técnicas de enxertia seriam mais adequadas, pois preservam o comprimento peniano.

Prognóstico:

A Doença de Peyronie pode ter um impacto significativo na vida sexual do homem e por isso a orientação médica apropriada é fundamental. Infelizmente nem todos os especialistas sabem lidar com a complexidade de cada situação e podem desestimular o homem com a doença.

Evitar traumatismo no pênis seria o conselho inicial, mas sabemos ser complexo quando impróprio couto sexual pode iniciar a fibrose. Evitar posições onde o controle da penetração seja delegado à parceira é importante para não agravar uma pequena curvatura ou fibrose inicial.

Tratar corretamente as comorbidades é fundamental. Além do diabetes, a hipertensão, dislipidemia e a obesidade precisam ser tratadas, pois pioram o prognóstico da doença inclusive afetando a qualidade da ereção.

Apoio psicológico faz parte do tratamento e pode melhorar a convivência com a doença sem prejuízo da vida sexual.

Buscando ajuda médica

Dor no pênis, presença de caroços no membro ou tortuosidade na ereção devem motivar busca de orientação com o urologista. Vale lembrar que nem sempre esses sinais e sintomas ocorrem simultaneamente. Às vezes ocorre apenas dor durante os meses iniciais.

Na fase crônica o característico é a curvatura durante a ereção e alguns casos evoluem com placas calcificadas que deformam bastante a anatomizando órgão. Alguns pacientes reclamam de dificuldade de ereção que pode ser consequente à fibrose e deformação dos corpos cavernosos, mas também devido ao impacto psicológico provocado pela curvatura que abala a autoconfiança dos pacientes.

Outra queixa frequente na fase crônica é o encurtamento do órgão, motivo de grande insatisfação dos homens.

*As informações e sugestões contidas neste site têm caráter meramente informativo.
*Elas não substituem o aconselhamento e acompanhamentos do profissional da saúde.