Doença celíaca Icone para edição

A doença celíaca é causada pela intolerância ao glúten, uma proteína encontrada no trigo, aveia, cevada, centeio e seus derivados, como massas, pizzas, bolos, pães, biscoitos, cerveja, uísque, vodka e alguns doces, provocando dificuldade do organismo de absorver os nutrientes dos alimentos, vitaminas, sais minerais e água.

A doença celíaca é uma condição crônica, autoimune, que afeta o intestino delgado de adultos e crianças geneticamente predispostos. A doença causa atrofia da mucosa do intestino, causando prejuízo na absorção dos nutrientes, sais minerais e água.

A doença celíaca é diferente da sensibilidade ao glúten ou intolerância ao trigo. Se você tem sensibilidade ao glúten, pode ter sintomas semelhantes aos da doença celíaca, como dor abdominal e cansaço. Ao contrário da doença celíaca, a sensibilidade ao glúten não danifica o intestino delgado.

O glúten nada mais é do que uma proteína de tamanho grande, formada por duas proteínas menores chamadas gliadina e glutenina. Ele é encontrado junto ao amido, em cereais como trigo, centeio, cevada, triticale e malte.

Essa substância possui diferentes finalidades na produção dos alimentos. No processo de fermentação do pão, por exemplo, o glúten contido na farinha de trigo é responsável pela permanência dos gases no interior da massa, fazendo com que o pão aumente de volume e não diminua após esfriar.

Conheça aqui os prós e os contras do glúten!

Tipos:

A doença celíaca pode ser dividida em três tipos, sendo eles:

A doença celíaca clássica é comum na infância, entre o primeiro e terceiro ano de vida, quando se introduz alimentação à base de papinha de pão, sopinhas de macarrão e bolachas, entre outros industrializados com cereais proibidos.

Caracteriza-se pela diarréia crônica, desnutrição com déficit do crescimento, anemia ferropriva não curável, emagrecimento e falta de apetite, distensão abdominal (barriga inchada), vômitos, dor abdominal, osteoporose, esterilidade, abortos de repetição, glúteos atrofiados, pernas e braços finos, apatia, desnutrição aguda que podem levar o paciente à morte na falta de diagnóstico e tratamento.

Esse tipo é caracterizado por apresentar poucos sintomas e aqueles gastrintestinais são discretos. Ocorre, por exemplo, anemia resistente a reposição de ferro, irritabilidade, fadiga, pouco ganho de peso e estatura, obstipação crônica, manchas no esmalte dos dentes, esterilidade e osteoporose antes da menopausa.

Nestes casos não há manifestação aparente. E apenas com pesquisa de anticorpos em familiares de primeiro grau, se faz o diagnóstico. A doença assintomática se não tratada pode evoluir com complicações como o câncer do intestino, anemia, osteoporose, abortos de repetição e esterilidade.

Sintomas:

Os principais sintomas da doença celíaca são:

  • Dor abdominal
  • Diarreia
  • Flatulência
  • Distensão do abdômen
  • Fraqueza
  • Perda ou dificuldade para ganhar peso
  • Queda de cabelo frequente
  • Diminuição do apetite
  • Lesões de pele
  • Anemia
  • Deficit de crescimento em crianças
  • Infertilidade.

Algumas pessoas com doença celíaca não apresentam sintomas ao diagnóstico. Os sintomas também podem variar muito e são diferentes entre adultos e crianças.

Em crianças com menos de 2 anos de idade, os sinais e sintomas típicos da doença celíaca incluem:

  • Vômito
  • Diarréia crônica
  • Barriga inchada
  • Falha em prosperar
  • Pouco apetite
  • Perda de massa muscular.

Saiba mais: Tire dez dúvidas sobre a doença celíaca

As crianças mais velhas podem experimentar:

  • Diarreia
  • Prisão de ventre
  • Perda de peso
  • Irritabilidade
  • Baixa estatura
  • Puberdade tardia
  • Sintomas neurológicos, incluindo transtorno de déficit de atenção/hiperatividade (TDAH), dificuldades de aprendizagem, dores de cabeça, falta de coordenação muscular e convulsões.

Diagnóstico:

A doença só pode ser diagnosticada por meio de exames de sangue, pois os sintomas são muito variados e constantemente associados com outras doenças. Normalmente se manifesta em crianças com até um ano de idade, quando começam a ingerir alimentos que contenham glúten ou seus derivados. A demora no diagnóstico leva a deficiências no desenvolvimento da criança. Em alguns casos se manifesta somente na idade adulta, dependendo do grau de intolerância ao glúten, afetando homens e mulheres.

Tratamento:

O principal tratamento é a dieta com total ausência de glúten; quando a proteína é excluída da alimentação os sintomas desaparecem. A maior dificuldade para os pacientes é conviver com as restrições impostas pelos novos hábitos alimentares. A doença celíaca não tem cura, por isso, a dieta deve ser seguida rigorosamente pelo resto da vida. É importante que os celíacos fiquem atentos à possibilidade de desenvolver câncer de intestino e a ter problemas de infertilidade.

A maior dificuldade para os pacientes é conviver com as restrições impostas pelos novos hábitos alimentares. Os pacientes devem ser orientados quanto à contaminação cruzada na preparação ou produção de alimentos e, até mesmo, medicamentos. Nos primeiros meses do diagnóstico, deve-se, também, evitar ingestão concomitante de leite e derivados pela possibilidade de intolerância a lactose secundária.

A avaliação de um nutricionista especializado pode ajudar no aprendizado de mudança dos hábitos alimentares. É de grande importância, também, se habituar a ler e entender os rótulos dos alimentos.

É obrigatório por lei federal (Lei nº 10.674, de 16/05/2003) que todos os alimentos industrializados informem em seus rótulos a presença ou não de glúten para resguardar o direito à saúde dos portadores de doença celíaca.

Saiba mais: Siga oito cuidados além da restrição ao glúten

Se as suas deficiências nutricionais forem graves, o seu médico ou nutricionista pode recomendar tomar suplementos vitamínicos e minerais. Você pode precisar suplementar seus níveis de:

  • Cálcio
  • Folato
  • Ferro
  • Vitamina b12
  • Vitamina D
  • Vitamina K
  • Zinco.

Vitaminas e suplementos são geralmente tomados em forma de pílula. Se o seu aparelho digestivo tiver dificuldade em absorver vitaminas, o seu médico pode administrá-las por injeção. Você precisa ter certeza de que as vitaminas e os suplementos são isentos de glúten.

Doença celíaca tem cura?

A doença celíaca não possui cura, mas seguindo o tratamento indicado é possível conviver bem com a condição sem problemas.

Complicações:

As principais complicações da doença sem glúten são:

  • Desnutrição: O dano ao seu intestino delgado significa que ele não pode absorver nutrientes suficientes. A desnutrição pode levar a anemia e perda de peso. Em crianças, a desnutrição pode causar crescimento lento e baixa estatura
  • Perda de cálcio e densidade óssea: A má absorção de cálcio e vitamina D pode levar a um amolecimento do osso (osteomalácia ou raquitismo) em crianças e perda de densidade óssea (osteoporose) em adultos
  • Infertilidade e aborto: A má absorção de cálcio e vitamina D pode contribuir para problemas reprodutivos
  • Intolerância a lactose: Danos ao intestino delgado podem causar dor abdominal e diarréia após a ingestão de laticínios que contêm lactose, mesmo que eles não contenham glúten. Uma vez que seu intestino tenha cicatrizado, você poderá tolerar os produtos lácteos novamente. No entanto, algumas pessoas continuam a ter intolerância à lactose, apesar do tratamento bem sucedido da doença celíaca
  • Câncer: Pessoas com doença celíaca que não mantêm uma dieta isenta de glúten têm um risco maior de desenvolver várias formas de câncer, incluindo linfoma intestinal e câncer de intestino delgado
  • Problemas neurológicos: Algumas pessoas com doença celíaca podem desenvolver problemas neurológicos, como convulsões ou neuropatia periférica (doença dos nervos que levam às mãos e pés).

Em crianças, a doença celíaca também pode levar à falta de desenvolvimento, puberdade atrasada, perda de peso, irritabilidade e defeitos do esmalte dentário, anemia, artrite e epilepsia.

Prognóstico:

O prognóstico, em geral, é bom, principalmente para aqueles pacientes que fazem uma dieta com total restrição de glúten, pois a resposta ao tratamento dietético costuma ser muito boa.

Os alimentos permitidos para quem segue uma dieta sem glúten, são:

  • Arroz: farinha de arroz, creme de arroz, arrozina, arroz integral em pó e seus derivados
  • Batata: fécula ou farinha
  • Milho: fubá, farinha, amido de milho (maisena), flocos, canjica e pipoca
  • Mandioca: fécula ou farinha, como a tapioca, polvilho doce ou azedo

Outros que podem ser consumidos:

  • Cará
  • Inhame
  • Araruta
  • Sagú
  • Trigo
  • Sarraceno
  • Suco de frutas
  • Vegetais
  • Refrigerantes
  • Chás
  • Vinhos, champagnes e saquê
  • Leite e derivados
  • Açúcar
  • Óleos vegetais
  • Temperos caseiros.

Saiba mais: 8 dicas para tirar o glúten da dieta

Os alimentos proibidos para quem segue uma dieta sem glúten, são:

  • Trigo
  • Aveia
  • Centeio
  • Malte
  • Cerveja, whisky, vodka e gin
  • Leites achocolatados que contenham malte
  • Patês enlatados, embutidos (salame, salaminho e algumas salsichas) e carnes à milanesa
  • Maionese, ketchup, mostarda e temperos industrializados.

A pessoa com doença celíaca não deve se alimentar com utensílios domésticos que foram usados em alimentos com glúten, pois eles podem ser contaminados.

O ideal também é tomar cuidado com itens fabricados em padarias comuns, pois pode haver contaminação tanto na hora de preparar a massa quanto na hora de assar ou servir, já que todos ou outros alimentos preparados ali tem a farinha de trigo como base.

Prevenção:

Como a doença tem uma base genética importante, em geral, não há medidas específicas de prevenção, além do aconselhamento genético em familiares portadores da doença.

A concordância da doença celíaca entre gêmeos monozigóticos é muito alta (cerca de 75%), enquanto a taxa de concordância entre irmãos não gêmeos é de 11%.

Diante dessa elevada prevalência, a maioria dos autores recomendam o rastreamento de familiares de primeiro grau de pacientes portadores de doença celíaca, mesmo se assintomáticos.

Associação dos Celíacos do Brasil

Maria Fernanda Barca - Doutora em endocrinologia pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), membro da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) e da Sociedade Europeia de Endocrinologia (SEE).

Jacqueline Moniz Anversa - Nutricionista da Clínica Dra. Maria Fernanda Barca - Nutricionista esportiva, clínica e coach, formada pela Universidade São Judas Tadeu, pós-graduação Instituto Valéria Paschoal/UNICSUL e Professional Nutrition Coaching.

Mayo Clinic. Disponível em: https://www.mayoclinic.org/diseases-conditions/celiac-disease/symptoms-causes/syc-20352220

Associação de Celíacos do Brasil (Acelbra). Disponível em: http://www.acelbra.org.br/2004/faq.php

National Institute of Diabetes and Digestive and Kidney Diseases. Disponível em: https://www.niddk.nih.gov/health-information/digestive-diseases/celiac-disease/definition-facts

*As informações e sugestões contidas neste site têm caráter meramente informativo.
*Elas não substituem o aconselhamento e acompanhamentos do profissional da saúde.