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O que é Disfunção sexual feminina?

Disfunção sexual feminina são problemas durante algumas das fases do ciclo de resposta sexual da mulher, que a impedem de chegar ao prazer durante a relação sexual.

O ciclo de resposta sexual da mulher é dividido em quatro fases. Quando a mulher tem dificuldade de resposta em alguma delas, ela pode estar com alguma disfunção sexual feminina. Entenda melhor as quatro fases da resposta sexual feminina:

Esta é a fase em que a vontade pelo sexo é despertada, e costuma ter como característica as seguintes reações do corpo:


A fase do platô está mais próxima do orgasmo em si, e nela há um aumento das características da excitação. Há um aumento principalmente da sensibilidade do clitóris, da intensidade dos batimentos cardíacos e da respiração e da tensão muscular.

Momento de clímax da resposta sexual, ele é acompanhado das seguintes características:


A fase de recuperação do corpo, que normalmente é mais rápida nas mulheres do que nos homens, já que eles gastam mais energia com a ereção do pênis. Algumas mulheres conseguem retornar para a fase do orgasmo após a resolução, se continuarem sendo estimuladas, o que pode causar orgasmos múltiplos.

Tipos

Existem várias disfunções sexuais femininas, que variam de acordo com os sintomas. Podemos dividi-las em quatro grupos:

Quando a mulher tem pouco ou nenhuma libido. Aqui entra o desejo sexual hipoativo (DSH), que corresponde à total falta de interesse pelo sexo.

Também chamado de frigidez, é a incapacidade da mulher de manter a excitação e a lubrificação durante o ato sexual.

Em que a mulher tem dificuldade de chegar ao orgasmo, ou mesmo não consegue atingi-lo, como na anorgasmia.

Neles a mulher tem dor associada ao contato vaginal ou à estimulação sexual. Entre eles temos:


Causas

Há muito tempo achava-se que apenas questões psicológicas e sociais estavam envolvidas nas disfunção sexual feminina. Hoje, no entanto, sabe-se que questões físicas e hormonais também podem causar esse tipo de problema. Entenda melhor os grupos de causas:

Diversas condições médicas podem causar redução no desejo sexual e na libido da mulher, como:


A menopausa é uma fase muito relacionada à disfunção sexual feminina. Ela sinaliza o fim do período fértil da mulher e os ovários entram em falência, produzindo menos hormônios, inclusive reduzindo a síntese de testosterona, que apesar de ser um hormônio masculino, também circula no corpo da mulher e está relacionado à libido feminina.

A fase do ciclo menstrual também influencia na libido e no prazer da mulher. Na semana da menstruação, a sua libido pode ficar maior devido aos altos níveis hormonais, principalmente estrógeno e testosterona. Com o aumento de circulação sanguínea na região da pélvis, o clitóris também fica mais sensível e é mais fácil chegar ao orgasmo.

Uma semana após a menstruação, os níveis hormonais continuam altos e o seu corpo começa a se preparar para a ovulação - que ocorre aproximadamente 14 dias após a menstruação. Nesse período, a lubrificação vaginal está maior, favorecendo a penetração e trazendo mais conforto à mulher, que fica mais relaxada para ter orgasmos.

No meio do ciclo, ocorre a ovulação e pode ser um período doloroso para a mulher, menos favorável à relação sexual. Já na semana que antecede a menstruação, há queda da libido e TPM, sendo uma fase bem mais difícil de chegar ao orgasmo. Vale lembrar que é preciso respeitar esse tempo se não houver possibilidade de manter relações sexuais - afinal, dura apenas alguns dias.

Alguns remédios também podem afetar a libido da mulher e causar disfunção sexual feminina. O uso de anticoncepcionais, por exemplo, está fortemente relacionado ao problema, dizem algumas linhas de estudo. Alguns tipos de pílula anticoncepcional são feitas com um tipo de progesterona sintética chamada ciproterona. Esse hormônio interfere na produção de testosterona, reduzindo-a, podendo assim reduzir discretamente também a libido.

Medicamentos para depressão também pode reduzir o desejo sexual da mulher, assim como o do homem. São os que mexem com a serotonina, e vale conversar com o psiquiatra caso isso esteja acontecendo.

Alguns medicamentos podem alterar o metabolismo dos hormônios andrógenos, que são os maiores influenciadores da libido mesmo na mulher. Um deles é o diurético com espironolactona, receitado principalmente por cardiologistas, que atua na metabolização da testosterona, e pode causar reações até em homens. Além dele, alguns antifúngicos, usados principalmente para micose nos pés, que pode interferir nos hormônios masculinos no corpo das mulheres.

Diversas questões podem estar envolvidas na forma como a mulher lida com o sexo. Uma delas é a autoestima: quando a mulher se sente mal com seu corpo, certamente terá dificuldades com sua libido, já que o sexo envolve a exposição total do seu corpo. Com a autocrítica elevada, ela vai para o sexo se medindo, se comparando e a probabilidade de sua libido desaparecer é alta.

Além disso, fatores como ansiedade, insegurança e conflitos com o parceiro também podem interferir.

Mesmo a expectativa de querer chegar ao orgasmo pode causar o efeito inverso: deixar você ainda mais longe do clímax. Quando a mulher vivencia o relacionamento sexual preocupada tanto com o seu desempenho como com o objetivo de atingir o orgasmo, ela pode deixar de se entregar às sensações prazerosas do encontro sexual. Se você sentir que não consegue controlar essa ansiedade, converse com um psicólogo.

A educação rígida gera crenças falsas em relação ao sexo oposto, sexualidade, masturbação e orgasmo. Muitas mulheres que acreditam nisso se sentem culpadas, ficam preocupadas demais e não conseguem chegar ao orgasmo.

Buscando ajuda médica

É importante buscar ajuda de um ginecologista caso a disfunção sexual feminina esteja atrapalhando sua vida sexual. O especialista avaliará se seu caso tem alguma relação física ou se é puramente psicológico e lhe indicará o tratamento mais adequado para o problema.

Na consulta médica

Especialistas que podem diagnosticar uma disfunção sexual feminina são:


Estar preparado para a consulta pode facilitar o diagnóstico e otimizar o tempo. Dessa forma, você já pode chegar à consulta com algumas informações:


O médico provavelmente fará uma série de perguntas, tais como:


Também é importante levar suas dúvidas para a consulta por escrito, começando pela mais importante. Isso garante que você conseguirá respostas para todas as perguntas relevantes antes da consulta acabar. Para disfunção sexual feminina, algumas perguntas básicas incluem:


Não hesite em fazer outras perguntas, caso elas ocorram no momento da consulta.

Diagnóstico de Disfunção sexual feminina

O diagnóstico da disfunção sexual feminina em geral envolve um questionário detalhado do médico sobre sintomas, histórico médico, condições do relacionamento, experiências sexuais passadas e até mesmo sobre a autoestima e história de vida da paciente.

Quando a mulher também sente dor na relação, é necessário um exame da pélvis, que em geral não precisa da introdução de um espéculo nesses casos. A não ser que ele desconfie de uma DST, então pode ser que ele precisa analisar a parede vaginal, como em um exame Papanicolau.

Tratamento de Disfunção sexual feminina

A disfunção sexual feminina é um problema em geral multifatorial, portanto suas diversas causas precisam ser abordadas no tratamento.

Em geral esse tratamento é usado quando há alguma causa física secundária, como depressão, diabetes, menopausa... Nesses casos, o tratamento dessa condição em geral trará melhoras à disfunção sexual feminina.

Esse tipo de abordagem também pode ser usada quando algum medicamento está causando o problema. Nesse caso, o médico que o receito pode experimentar reduzir sua quantidade ou mesmo trocá-lo por um genérico ou similar.

Agora, quando a disfunção hormonal feminina é causada por alguma disfunção hormonal, alguns tratamentos podem ajudar, como, por exemplo:


O risco desse tipo de terapia varia, e deve ser avaliado por seu ginecologista. Em alguns casos, esse tipo de tratamento requer monitoramento constante do seu médico.

Muitas vezes, no entanto, a causa da disfunção sexual feminina não é apenas física. O lado emocional também é muito importante nessa equação. Nesses casos, vale testar algumas abordagens:

Questione-se e não se obrigue Antes de tudo vale se perguntar: por que eu não ando com vontade de fazer sexo? As respostas podem ser variadas e até mesmo incluir alguma insatisfação pessoal com o relacionamento. O primeiro quesito para se ter uma relação sexual de qualidade é um parceiro interessante e interessado. A relação é como um negócio, mas extremamente subjetivo, por ser baseado no que eu acredito que o meu parceiro pensa de mim.

Uma forma de perceber se o que falta é a química entre o casal está nas suas reações. A paciente que não tem vontade por problemas no relacionamento não percebe as mudanças físicas das preliminares - que devem ser sensações agradáveis - e, não raramente, encontra mil desculpas para que o clima não aconteça. Nesses casos, vale conversar com seu parceiro, procurar uma terapia de casais ou mesmo repensar seu relacionamento.

Conheça-se melhor E acredite, existem diversas formas de se conhecer melhor! A primeira delas, porém, é considerada um tabu por muitas mulheres: a masturbação. O garoto sempre é orientado a isso desde cedo e a menina, pelo contrário, é inibida a fazer isso, o que torna tudo mais complicado. Ao se masturbar, a mulher começa a perceber que pontos e toques a agradam mais, e podem ensinar isso ao parceiro, facilitando assim o prazer a dois. Mas o mesmo vale para as carícias do seu parceiro, perceber o que você gosta ou não que ele faça e ver o que lhe estimula. O autoconhecimento é fundamental para que se possa entender e explicar ao parceiro pontos mais sensíveis e eventuais zonas que trazem sensações desagradáveis, logo que devem ser evitadas. Muitas mulheres gostam da sensação da língua na orelha, por exemplo, e outras detestam, portanto, vale avisar seu companheiro.

Invista em exercícios Os exercícios hoje em dia são a solução para quase todos os problemas, inclusive quando o problema é entrar no clima! Todas as atividades que se proponham a manter uma vida mais saudável ajudam na sexualidade, tanto por deixarem a sensação de bem-estar (pela liberação de endorfinas) quanto pela melhora circulatória e da autoimagem corporal. Ao haver uma melhora na circulação, o sangue flui melhor até mesmo pelos tecidos dos órgãos genitais, tornando-os mais sensíveis ao toque, e portanto trazendo mais prazer. Já os hormônios do bem-estar, como as endorfinas, ajudam a mulher a relaxar, facilitando a entrada no clima. Nesses quesitos, qualquer atividade aeróbica vale a pena!

Ao praticar regularmente atividades, o corpo sente melhoras como perda da flacidez e de algumas gordurinhas indesejadas, o que faz com que a mulher se sinta mais bonita, e reduza alguns dos desconfortos citados no slide anterior! Aqui entra toda a parte emocional, de saber que está empenhada e fazendo algo por si mesma. Mas não apenas a atividade física comum é indicada: exercícios para a musculatura do períneo fazem bem para saúde e também ajudam a fortalecer as paredes vaginais, melhorando o prazer da mulher e assim tornando-a mais disposta ao sexo!

Use lubrificante Muitas mulheres não conseguem ter lubrificação sozinhas, algo comum inclusive no início da vida sexual. Nesses casos, o uso do lubrificante é mais do que recomendado, minimizando dores e desconfortos, assim permitindo que a mulher sinta mais prazer na relação sexual.

Amaury Mendes Jr., ginecologista, terapeuta sexual, professor e médico do ambulatório de sexologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) (CRM-RJ 277.337)

Dolores Pardini, endocrinologista e presidente do Departamento de Endocrinologia Feminina e Andrologia da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) (CRM-SP 28.834)

Erica Mantelli, ginecologista e obstetra (CRM-SP 124.315)

Evelyn Vinocur, psiquiatra e mestre em neuropsiquiatria pela Universidade Federal Fluminense (UFF) e psicoterapeuta cognitivo comportamental, especializada em Saúde Mental da Infância e Adolescência pela Santa Casa de Misericórdia do Estado do Rio de Janeiro (SCMRJ) e pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). Membro associado da Associação Brasileira de Psiquiatria (CRM-RJ: 303514)

Flávia Fairbanks, ginecologista especializada em sexualidade humana e membro da Associação de Obstetrícia e Ginecologia do Estado de São Paulo (SOGESP) (CRM-SP 93.879)

Jorge José Serapião, ginecologista e membro da Sociedade de Ginecologia e Obstetrícia do Rio de Janeiro (SGORJ) (CRM-RJ 99.062)

Mayo Clinic

Manual Merck

*As informações e sugestões contidas neste site têm caráter meramente informativo.
*Elas não substituem o aconselhamento e acompanhamentos do profissional da saúde.