Diabetes insípidus Icone para edição

Diabetes insípidus consiste em um distúrbio de controle da água no organismo, no qual os rins não conseguem reter adequadamente a água que é filtrada. Como consequência, o paciente passa a apresentar um aumento no volume de urina (poliúria), que ultrapassa facilmente os 3 litros por dia, podendo chegar a mais de 10 litros de urina.

O nome insípidus vem do fato da urina ser bastante diluída e por isso “sem gosto”, ao contrário do diabetes melittus, no qual o paciente perde muita água e açúcar pela urina (quando o diabetes está descompensado), podendo ficar “doce”.

Tipos:

O diabetes insípidos pode ser subdividido de acordo com a origem do problema em:

O diabetes insípidus central tem origem no sistema nervoso central. O hipotálamo e a hipófise (glândulas localizadas na base do cérebro) são responsáveis pela produção do hormônio antidiurético, abreviado por ADH e também chamado de vasopressina. Este hormônio age nos rins estimulando a reabsorção de água e impedindo que percamos este item pela urina. Quando acontece alguma lesão nestas estruturas, de modo a comprometer a produção e/ou liberação do ADH, ocorre a queda das concentrações deste hormônio no sangue e assim os rins perdem a capacidade de reter a água filtrada, que escapa através da urina em grandes quantidades.

No caso do diabetes insípidus nefrogênico, o hipotálamo e a hipófise funcionam corretamente e produzem quantidades adequadas do ADH. No entanto, este hormônio não funciona bem devido a um problema originado nos próprios rins.

O diabetes insípidos gestacional é uma forma fisiológica de diabetes insípidus que ocorre na gravidez, devido a produção de uma enzima produzida pela placenta, chamada vasopressinase, que degrada o hormônio ADH levando ao aumento da urina. Em geral é autolimitada, normalizando ao término da gravidez.

Sintomas:

Os pacientes com diabetes insípidus vão apresentar um volume de urina muito grande, acima de 3 litros por dia (mais que 50 mL/kg/dia). Associado, o paciente apresenta sede intensa, com preferência por líquidos gelados. A urina se apresenta bastante clara e diluída. Como a doença é constante, os pacientes também acordam bastante para urinar a noite (noctúria).

Diagnóstico:

O diagnóstico é feito através da análise do histórico clínico e por meio de exames de sangue e de urina, nos quais se avaliam as concentrações de sódio, glicose, a osmolaridade do sangue e da urina, e através da confirmação do volume urinário realizado através da medida de 24 horas.

Após esta etapa, pode ser necessário realizar um teste funcional para se definir a origem do diabetes insípidus, se central ou nefrogênico. Este teste chama-se: teste da restrição hídrica (ou seja, restrição de água). Neste procedimento, geralmente feito internado, o paciente é colocado em jejum de água e exames são feitos a cada 2 horas até que certos critérios laboratoriais ou de perda de peso sejam alcançados. Neste momento é aplicado uma dose do hormônio sintético desmopressina (semelhante ao ADH humano) e observa-se a resposta no volume urinário e nos demais exames laboratoriais realizados posteriormente. Com este estudo consegue-se definir o tipo de diabetes insípidus numa parcela dos casos.

A dosagem do ADH pode auxiliar neste processo, mas este hormônio não é realizado na rotina pela grande maioria dos laboratórios.

Em geral são feitos exames de sangue e urina e pode ser necessário realizar um exame de ressonância magnética da hipófise e/ou exame de imagem das vias urinárias. Se causas especificas, como por exemplo, sarcoidose, estiverem sendo cogitadas, serão realizados exames direcionados.

Tratamento:

Quando possível trata-se a situação que esteja causando o diabetes insípidus, como por exemplo, trocando o Lítio por outro medicamento, quando este é a causa da doença. Quando a doença que está causando o diabetes insípidus não pode ser diretamente tratada, existe a possibilidade de controlar do diabetes insípidus usando um medicamento chamando desmopressina (também conhecido por DDAVP), que é uma molécula semelhante ao ADH humano. Este medicamento ajuda a controlar muito bem o volume urinário, em especial no diabetes insípidus central.

Complicações:

Com relação ao diabetes insípidus, isoladamente, a principal complicação é a desidratação. Nos pacientes com sensação de sede normal e com acesso normal a água, o maior inconveniente é ter de beber água constantemente e ir ao banheiro com muita frequência. O sono também pode ser severamente prejudicado pelas idas noturnas ao banheiro e pelo despertar para beber água.

A situação de maior risco para o diabetes insípidus é naqueles casos que a pessoa perde a consciência e não pode beber água corretamente, como pode ser o caso de pacientes acidentados ou que não informem esta condição a equipe médica previamente a uma cirurgia. Nestes casos o paciente pode desidratar severamente, podendo ocorrer complicações sérias.

Diabetes insípidus tem cura?

Depende da causa do diabetes insípidus. Porém, mesmo naqueles casos onde a cura não é possível, o controle da doença pode ser bem adequado com o uso de medicamentos.

Prevenção:

Em geral, a maior parte das causas de diabetes insípidus não são preveníeis.

Felipe Henning Gaia Duarte, endocrinologista da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabolismo, gerente Médico da Endocrinologia do SalomãoZoppi Diagnósticos e especialista Minha Vida (CRM-SP 103.254)

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