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A candidíase é uma infecção causada pelo fungo Candida, geralmente Candida albicans. Ela é mais famosa por afetar os órgãos genitais femininos, mas pode aparecer em outras regiões como:

  • Órgãos genitais masculinos
  • Pele
  • Unhas
  • Garganta
  • Boca
  • Corrente sanguínea.

Apesar de maior número de casos em mulheres, também existem casos de candidíase no homem (1, 2, 4, 5).

Saiba mais: Candidíase é uma alergia vaginal? Especialista responde

Tipos:

O tipo de candidíase depende mais do local em que ela aparece:

A forma mais comum da candidíase, acomete mulheres que estejam com um sistema imunológico mais fraco ou com a flora vaginal desequilibrada. Nesses casos, o fungo, que já está presente no organismo, consegue se replicar mais, já que o corpo perde os recursos necessários para contê-lo (1, 2, 4).

A candidíase no pênis não é tão comum como a candidíase vaginal, porém merece cuidados quando se manifesta. Na maioria dos casos, a vulnerabilidade no organismo causada por problemas de saúde é fator primordial para que o fungo se reproduza em excesso no homem. Diabetes e higiene precária são fatores comuns (5, 6).

A candidíase oral pode ser diagnosticada em crianças, idosos, diabéticos, em adultos após o contato íntimo desprotegido e pacientes em fase de tratamentos que comprometem o sistema imunológico. Ela é caracterizada por pequenas aftas na boca e dificuldade para engolir (5).

As esofagites de causa infecciosa causada pelo fungo Candida albicans é o mais raro dos tipos de inflamações no esôfago e predominam nos pacientes de baixa imunidade, principalmente os portadores de AIDS e câncer.

A candidíase de esôfago é mais comum em idosos e raramente acomete crianças, exceto quando há comprometimento de imunidade (7).

O intertrigo candidiásico é uma infecção causada na pele que pode aparecer sem outros fatores associados. Ela ocorre principalmente pelo atrito entre as peles, criando assim pequenas lesões em que surge um ambiente propício (calor, umidade e alimento) para a proliferação de bactérias e fungos (8).

Geralmente, as partes do corpo que estão mais vulneráveis a essa doença são dobras como:

  • Axilas
  • Virilha
  • Nádegas
  • Barriga
  • Pescoço
  • Sob as mamas
  • Entre os dedos das mãos e dos pés
  • Parte interna das coxas.

O quadro recebe vários nomes, como candidíase disseminada ou invasiva e ocorre principalmente pessoas com um sistema imunológico enfraquecido, podendo assim atingir recém-nascidos de baixo peso e hospedeiros imunocomprometidos, ou seja, acaba sendo uma infecção mais hospitalar. Nesse caso, o fungo atinge a corrente sanguínea, podendo afetar qualquer órgão (como válvulas cardíacas, cérebro, baço, rins e olhos) e causar complicações graves.

Em casos mais graves ela pode evoluir para uma candidemia, que pode ser fatal (3).

Sintomas:

A candidíase vaginal costuma causar principalmente um corrimento esbranquiçado. Veja a lista de principais sintomas:

  • Coceira na área vaginal
  • Dor e vermelhidão na área vaginal
  • Corrimento vaginal branco e agrupado, parecido com queijo cottage
  • Relações sexuais dolorosas (4).
  • Coceira, ardência e inchaço na ponta do pênis
  • Relações sexuais dolorosas
  • Ardência ao urinar
  • Feridas (rachaduras) na pele do pênis
  • Corrimento branco e agrupado
  • Odor forte (5).
  • Vermelhidão, ardência e desconforto na boca
  • Dor e dificuldade para engolir
  • Manchas brancas dentro da boca e na língua
  • Rachaduras no canto da boca (5).
  • Dor ao engolir
  • Dor no peito
  • Náuseas e vômito
  • Dor abdominal
  • Perda do apetite (7).
  • Vermelhidão na região das dobras
  • Escurecimento da pele nesta região, com formação de erosão e crostas
  • Descamação
  • Coceira e queimação na região das dobras
  • Saída de líquidos nas lesões (8).
  • Febre
  • Emissão de urina turva
  • Dor de cabeça
  • Vômitos
  • Articulações inflamadas (3).

Diagnóstico:

A candidíase tem sintomas muito semelhantes a outros problemas de saúde, por isso o único jeito de confirmar é fazer um exame de cultura da região afetada, para verificar se a infecção é causada por fungo e que fungo é esse (3). Veja a seguir o diagnóstico específico de cada tipo:

O diagnóstico da candidíase vaginal começa a ser feito com o histórico do paciente, como infecções vaginais passadas e também se a paciente já teve alguma DST.

O próximo passo é um exame físico. O ginecologista usa um espéculo para segurar as paredes vaginais para visualizar melhor a vagina e o colo do útero. Ele também pode colher amostras de corrimento para análise laboratorial.

O outro passo é justamente essa análise do corrimento vaginal. Se as infecções por candidíase vaginal forem recorrentes, o médico pode inclusive pedir uma análise mais detalhada (4, 9).

O diagnóstico da candidíase peniana começa a ser feito com o histórico do paciente, como infecções vaginais passadas e também se a paciente já teve alguma DST.

Depois são feitos os exames para observar as condições do pênis (5, 6).

É preciso fazer um exame de cultura de escarro e da boca para verificar a ocorrência do problema (5, 7).

O diagnóstico do intertrigo é feito com base na observação dos sintomas da doença e através de exames como:

  • Raspagem da pele e exame KOH (hidróxido de potássio) para eliminar uma infecção por fungo
  • Lâmpada de Wood (luz negra) para eliminar uma infecção bacteriana chamada eritrasma
  • Biopsia da pele, que pode ser necessária em casos mais raropara confirmar o diagnóstico.

Também é indicada a realização de exame de sangue para o diagnóstico mais preciso, principalmente, para verificar se o indivíduo não está com diabetes. O intertrigo pode ser um dos sintomas iniciais da diabetes (8).

Nesses casos os exames de cultura de escarro, boca, vagina, urina, fezes, ou pele não significa necessariamente infecção invasiva e progressiva. É preciso realizar exames de cultura do fungo no sangue, fluido pericárdio ou mesmo amostras de tecidos retiradas em biópsias para confirmar o diagnóstico (3).

Tratamento:

O tratamento da candidíase, seja onde for sua localização, normalmente consiste no uso de pomadas antifúngicas ou medicamentos antimicóticos de uso local (3).

Vale a pena conversar e ser examinado pelo seu médico para determinar se existem fatores de risco (ex.: uso de corticoides, infecção pelo HIV, diabetes etc).

Também pode-se investigar qual é a espécie de Candida responsável. Muitas vezes os tratamentos comuns para candidíase não matam outros tipos de Candida, e a pessoa passa a ter recorrência. A cultura do local infectado pode auxiliar na detecção do fungo e terapia direcionada (9).

Em casos de candidíase vaginal recorrente, o médico pode indicar medicamentos orais para que o quadro não retorne. Além disso, mudanças na alimentação pode ajudar esses casos.

Saiba Mais: O que fazer quando nenhum tratamento de candidíase funciona?

Os antifúngicos orais presentes no mercado estão contraindicados para as gestantes. Portanto o ideal é que use-se pomadas locais.

Por isso, na gravidez é comum episódios recorrentes de candidíase, já que muitas vezes o fungo torna-se resistente aos tratamentos tópicos com cremes (11).

No caso específico deste tipo de candidíase mais grave, o manejo do tratamento é feito no hospital, com suspensão de medicamentos imunossupressores e administração de medicamentos mais fortes (3).

Prognóstico:

Uma vez que você for diagnosticado com candidíase, é importante manter alguns cuidados, como:

  • Evitar o consumo de bebidas alcoólicas
  • Não fumar
  • Manter-se sempre hidratado
  • Evitar relações sexuais durante a fase inicial do tratamento
  • Usar preservativo em todas as relações sexuais
  • Evitar alimentos ricos em açucares e gordura
  • Usar cuecas de algodão largas para ajudar a manter a pele e o pênis seco e fresco
  • Evitar roupas quentes, apertadas ou molhadas
  • Usar o medicamento pelo tempo necessário definido pelo médico, pois o tratamento incompleto pode gerar a Candidíase recorrente.

Complicações:

Quando a candidíase vaginal não é tratada corretamente, ela pode se tornar um quadro persistente, tendo quadros de repetição em intervalos cada vez menores de tempo.

Em casos mais sérios, em que existe depressão do sistema imunológico, a candidíase é capaz de atingir órgãos vitais, e inclusive, gerar complicações nos rins, pulmões e levar a óbito.

Especialistas respondem sobre complicações da candidíase:

  • Candidíase recorrente pode provocar mioma?
  • Candidíase pode afetar a ovulação? E impedir que a pessoa engravide?

Prevenção:

A maioria dos casos de candidíase, incluindo a vaginal, pode ser evitada mantendo a pele limpa e seca, utilizando antibióticos apenas com orientação médica, e seguindo um estilo de vida saudável, incluindo alimentação adequada. Pessoas com diabetes devem tentar manter o açúcar no sangue sob controle. Se você tem HIV ou outra doença que favoreça episódios recorrentes de candidíase, o uso contínuo de drogas antifúngicas pode ajudar a minimizar crises.

Fazer a higiene íntima regularmente, preferir roupas com tecidos de algodão e evitar peças justas, além de evitar o uso contínuo de absorventes internos também ajudam a evitar a candidíase vaginal. Usar camisinha em todas as relações sexuais também evita que você seja infectado.

Fabio Laginha, responsável pela Clínica da Mulher do Hospital 9 de Julho e especialista Minha Vida

Ministério da Saúde

Associação de Ginecologia e Obstetrícia do Estado de São Paulo

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