Bebê prematuro Icone para edição

O que é Bebê prematuro?

De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS) bebê prematuro, que também pode ser chamado de pré-termo, é quem nasce antes de 37 semanas de gestação completas.

O bebê prematuro é classificado de acordo com a idade gestacional:

  • Bebê prematuro extremo: nascido antes de 28 semanas de gestação
  • Bebê muito prematuro: nascido entre 28 e 32 semanas de gestação
  • Bebê prematuro moderado a tardio: nascido entre 32 e 37 semanas de gestação

Quanto mais prematuro o bebê, maiores são os riscos para sua saúde pois é possível que a criança não tenha se desenvolvido completamente. Mas, com os constantes avanços da medicina e os cuidados especiais dedicados aos prematuros, as chances deles se desenvolverem normalmente são cada vez mais altas.

  • Cabeça proporcionalmente maior que o corpo
  • Tecido subcutâneo escasso por ter pouca gordura corporal
  • Pele fina brilhante e rosada. Em alguns casos, pode ser coberta por uma penugem fina, chamada lanugo
  • Músculos mais fracos e movimentos físicos reduzidos
  • Orelhas finas e pouco encurvada
  • Respiração mais rápida e irregular
  • Veias visíveis

O bebê prematuro apresenta dificuldades em manter o calor do corpo além de poder apresentar outras complicações como as respiratórias, reflexos de sucção e deglutição deficientes, o que traz dificuldade para a alimentação. Além disso, alguns bebês podem apresentar retinopatia, problemas neurológicos e autismo.

No entanto, essas características variam de acordo com o grau de prematuridade da criança.

Tratamento de Bebê prematuro

Em geral, a criança que nasceu muito prematura deverá ficar na Unidade de Terapia Intensiva Neonatal (UTIN) com aparelhos que permitam acompanhar a evolução de sua saúde. Nesse local, ele será exposto aos seguintes procedimentos:

  • O bebê prematuro será colocado na incubadora, que o ajudará a manter a temperatura corporal ideal
  • Haverá constante monitoramento dos sinais vitais do bebê prematuro, como pressão arterial, batimentos cardíacos e respiração
  • Provavelmente o bebê prematuro receberá alimentação intravenosa ou o leite materno poderá ser dado a ele através de um tubo que entre pelo nariz e vai até o estômago, até que o bebê tenha desenvolvido o reflexo de sugar e engolir adequadamente
  • Muitas vezes o bebê prematuro precisa receber transfusões sanguíneas, pois ele pode não ter a capacidade de produzir suas células vermelhas de acordo com suas necessidades. Ele também pode precisar tomar medicamentos ou até mesmo passar por algum tipo de cirurgia, conforme as complicações que desenvolver.

O bebê prematuro na UTIN deverá ser atendido pelos seguintes profissionais, dentre outros

  • Neonatologista: especialista em cuidados com o recém-nascido
  • Nutricionista: orienta sobre necessidades nutricionais
  • Fisioterapeuta: trabalha os movimentos e a respiração da criança
  • Fonoaudiólogo: auxilia bebês com problemas de alimentação e deglutição

Os médicos observarão a condição de cada criança e buscarão a melhor forma de cuidar dela. Para avaliar a condição de saúde do bebê, os profissionais poderão pedir alguns exames, como:

  • Hemogasometria arterial (verificação da concentração de oxigênio no sangue)
  • Níveis sanguíneos de glicose, cálcio e bilirrubina
  • Raio X de tórax
  • Ultrassom, para verificação dos órgãos internos do bebê
  • Ecocardiograma
  • Exame oftalmológico (uma das complicações possíveis é a retinopatia de prematuridade)

Enquanto o bebê prematuro está na Unidade de Terapia Intensiva Neonatal você pode fazer uma série de perguntas, como por exemplo

  • Quais as condições do meu bebê? Algo mudou?
  • Como esses equipamentos ajudam meu bebê?
  • Meu bebê está tomando alguma medicação?
  • Que tipos de exames meu bebê precisa fazer?
  • Como devo segurar meu bebê? Você pode me mostrar?
  • Por quanto tempo ele continuará sendo alimentado por tubos?
  • Quando posso tentar amamentá-lo?
  • Posso trazer fotos da minha família para a incubadora do meu filho?
  • Como posso ajudar no cuidado do meu bebê enquanto ele está na Unidade de Terapia Intensiva Neonatal?
  • Quando meu bebê poderá voltar para casa?
  • O que preciso saber sobre os cuidados com meu bebê uma vez que ele esteja em casa?
  • Com que frequência devo voltar para fazer as visitas de retorno após a alta?

Em geral, o bebê pode ir para casa após atender os seguintes quesitos:

  • Conseguir respirar sem ajuda
  • Conseguir manter a temperatura corporal
  • Conseguir mamar no peito da mãe ou na mamadeira
  • Ganhar peso de forma estável e constante
  • Não ter nenhuma infecção.

Convivendo/ Prognóstico

O bebê prematuro precisa de uma série de cuidados em casa, principalmente nos primeiro meses. Em geral, a equipe médica orientará você sobre como devem ser esses cuidados e é importante que você tire toda e qualquer dúvida com eles. Entender quais são os sintomas que podem significar uma emergência médica também é essencial.

Veja quais são os principais pontos de atenção nos cuidados do bebê prematuro em casa:

  • Alimentação: muitos bebês prematuros precisam de suplementação alimentar, seja com fortificadores do leite materno, seja com formulas para bebês pré-termo. Saber também com que frequência e qual quantidade com que seu filho deve se alimentar também é muito importante
  • Proteção à saúde: bebês prematuros são mais vulneráveis a vírus e outros micro-organismos presentes no ambiente. Portanto, evite locais lotados e garanta que as pessoas que entram em contato com seu bebê lavem as mãos ou usem álcool gel. Essas atitudes são boas formas de prevenir infecções, já que os bebês prematuros são mais propensos a tê-las devido à imaturidade de seus órgãos e do sistema imunológico. As infecções respiratórias são as mais comuns, especialmente as causadas pelo Vírus Sincicial Respiratório (VSR)
  • Vacinas de cuidadores e visitas: um bebê tão frágil como o prematuro pede cuidados que podem parecer incomuns, como se informar sobre a vacinação das pessoas que visitam o bebê e de seus cuidadores. Mas é uma atitude importante, já que a saúde frágil da criança não pode ser colocada em risco. Além disso, limite o número de visitas ao mínimo possível.

Os bebês prematuros devem seguir um calendário de vacinação específico, que será orientado pelo pediatra, em geral seguindo a idade cronológica do bebê. Confira o calendário dos prematuros da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm).

As principais vacinas que o bebê prematuro deve tomar são:

  • BCG-ID: aplicada em recém-nascidos com peso maior ou igual a 2 Kg
  • Hepatite B: aplicada ao nascer no esquema habitual de três doses (0, 1 e 6 meses)
  • Nas crianças nascidas com menos de 33 semanas e/ou com menos de 2 quilos, a vacina é fornecida em esquema de quatro doses (0, 1, 2 e 6 meses de vida)
  • Profilaxia para o vírus sincicial respiratório (VSR) que deve ser aplicada durante os meses de maior circulação do vírus, que no Brasil, ocorre entre os meses de janeiro a agosto dependendo da região
  • Pneumocócica: iniciar aos 2 meses. As doses devem respeitar a idade cronológica do bebê, sendo aos 2,4 e 6 meses e um reforço aos 15 meses
  • Poliomielite (inativada): em recém-nascidos internados na unidade neonatal, deve ser utilizada somente vacina inativada (injetável). Aplicada aos 2, 4 e 6 meses, com reforço aos 15 meses e aos 4 anos de idade
  • Haemophilus tipo B: no caso de prematuros extremos, na rede pública é aplicada depois de 15 dias que o prematuro receber a Tríplice Bacteriana. O reforço deve ser dado aos 15 meses. O uso das vacinas combinadas (DTPa-HB-VIP-Hib ou DTPa-VIP-Hib) na rede privada permitem a aplicação simultânea e são eficazes e seguras para os prematuros.

Muitos pais podem ficar em dúvida sobre a idade cronológica e a idade corrigida do bebê prematuro. Esse conceito é importante para avaliação do desenvolvimento do bebê. A explicação é bem simples:

  • Idade cronológica: é o tempo de vida real do bebê depois do nascimento. Um bebê que nasceu no dia 1 de janeiro terá 2 meses no dia 1 de março, por exemplo
  • • Idade corrigida: é a idade que o bebê teria se tivesse nascido com 40 semanas. Por exemplo, para um bebê que nasceu há dois meses com 29 semanas de gestação sua idade corrigida atual é 37 semanas (29 semanas de gestação + 8 semanas desde o nascimento = idade corrigida de 37 semanas).

Os cuidados com o bebê prematuro devem ir além dos prestados na Unidade de Tratamento Intensivo Neonatal. As visitas ao pediatra e a outros profissionais de saúde que acompanham seu bebê devem ser feitas na frequência correta, que pode chegar a ser semanal ou quinzenal inicialmente. Isso é necessário para que o crescimento e desenvolvimento do bebê prematuro sejam acompanhados adequadamente.

O bebê que nasce antes do tempo pode apresentar alguns problemas no desenvolvimento como:

  • Perda ou deficiência auditiva
  • Perda de visão
  • Dificuldades de aprendizagem
  • Atrasos no crescimento e desenvolvimento
  • Atraso no desenvolvimento da linguagem.

Se você notar que a criança apresenta algumas dessas dificuldades, converse com o pediatra, que poderá encaminhar para um especialista quando necessário.

Complicações possíveis

O bebê prematuro está sujeito a uma série de complicações que aumentam de risco conforme o grau de prematuridade. Veja algumas delas:

É caracterizada pela coloração amarelada da pele e mucosa, provocada pelo excesso de bilirrubina no sangue, um pigmento da bile que permanece no plasma até ser eliminada junto com a urina.

A bilirrubina é formada a partir da morte de alguns glóbulos vermelhos presentes no sangue – o que acontece todos os dias. Essas células sanguíneas mortas são retiradas da circulação pelo fígado, que, a partir daí, forma a bilirrubina, que mais tarde será descartada pelo próprio corpo. No entanto, algumas vezes, pode ocorrer o acúmulo dessa substância no corpo, provocando icterícia.

No bebê prematuro, no entanto, a depender dos níveis de bilirrubina, a icterícia pode gerar complicações como a encefalopatia bilirrubínica, que causa letargia, hipotonia, febre e convulsões. A icterícia é tratada com fototerapia e, em algumas vezes, exsanguineotransfusão.

Esse problema nos vasos sanguíneos da retina está relacionado não só à prematuridade, como também ao baixo peso ao nascer. Na retinopatia da prematuridade ocorre crescimento desorganizado desses vasos sanguíneos e caso o quadro não seja diagnosticado e tratado adequadamente, pode ocorrer deslocamento da retina e até mesmo cegueira infantil.

Apneia é a pausa respiratória superior a 20 segundos e, no caso do bebê prematuro, pode ocorrer porque o sistema respiratório não está desenvolvido o suficiente ou devido a outras complicações da prematuridade, como convulsões. A apneia pode causar sequelas no sistema nervoso central.

Bebês prematuros podem ter problemas de hipotensão, que é a pressão arterial baixa, e persistência do canal arterial, ou seja, o duto arterioso que liga o coração à aorta não se fecha após o nascimento permanecendo o padrão de circulação fetal. O duto pode se fechar posteriormente sozinho, mas não tratar essa condição pode causar falência do coração.

Causas

O nascimento de um bebê prematuro pode ocorrer por vários fatores, que, em geral, estão ligados à condição de saúde da mãe. Entre eles, podemos destacar:

  • Infecções
  • Problemas na pressão arterial levando a pré-eclâmpsia ou eclâmpsia
  • Descolamento prematuro de placenta
  • Diabetes gestacional
  • Distúrbios da tireoide
  • Infecções congênitas, como toxoplasmose, citomegalovírus, sífilis, AIDS
  • Uso de bebidas alcoólicas e drogas ilícitas.

No entanto, algumas condições do bebê também podem levar ao nascimento prematuro. Confira algumas delas:

  • Malformações fetais
  • Presença de síndrome genética.

Fatores de risco

Alguns fatores podem aumentar o risco de prematuridade. Conheça alguns deles e como evitá-los:

O fumo prejudica a circulação uteroplacentária na mulher grávida, o que causa uma menor oxigenação fetal. A diminuição do oxigênio que chega ao bebê faz com seu crescimento se torne mais restrito, gerando uma interrupção prematura da gestação, ou seja, a mulher entra em trabalho de parto antes da hora. Além disso, o tabaco reduz a inativação de um fator que está envolvido no início e na manutenção do trabalho de parto, adiantando todo o processo. O fumo é um fator de risco para o parto prematuro quando continuado ao longo dos nove meses.

Futuras mães que não se alimentam de forma adequada durante a gravidez também correm o risco de ter um parto prematuro, principalmente se desenvolverem anemia durante este período. Ao consumir poucos nutrientes essenciais, não só a mulher se prejudica, como também pode haver uma restrição do crescimento do feto. Isso aumenta o risco de sofrimento fetal o que leva à interrupção da gestação antes do tempo.Uma alimentação balanceada rica em ácido fólico, ferro e micronutrientes são considerados essenciais para a saúde da gestante e do feto.

Mulheres obesas apresentam gestação de maior risco. Neste caso, o dano é maior quando elas já apresentam o índice de massa corporal (IMC) muito acima do aconselhado antes da gravidez. Há maior risco de existirem quadros como diabetes e hipertensão arterial, que contribuem para a prematuridade. A alta da pressão arterial, por exemplo, causa um envelhecimento precoce da placenta, impedindo a chegada dos nutrientes para o bebê.

O consumo de bebida alcoólica durante a gravidez pode ter relação com o nascimento antes do tempo. Além disso, pode também causar malformações e prejuízos no desenvolvimento do bebê. O álcool é passado diretamente para o feto através da placenta. Isso significa que o feto terá a mesma concentração sanguínea de álcool que a sua mãe.

Hábitos que cultivam o estresse aumentam o risco do trabalho de parto prematuro devido aos hormônios liberados por esse quadro emocional. A elevação da noradrenalina e do cortisol, que está presente nesses casos podem desencadear contrações uterinas antes da hora. Por isso, vale a pena combater esse mal, encontrando pausas de descanso, praticando atividade física e cuidando da saúde mental.

A desidratação durante a gravidez pode levar a algumas complicações incluindo defeitos do tubo neural, baixa produção de líquido amniótico, produção inadequada de leite materno e até mesmo parto prematuro. Beber muita água, de 8 a 12 copos por dia, é recomendado para evitar a desidratação.

Durante a gestação, a placenta produz hormônios que bloqueiam, em parte, a ação da insulina no corpo, hormônio que atua na redução da glicose do sangue. Isso pode gerar um quadro chamado de diabetes gestacional, que está ligado também a partos prematuros.Esse excesso de glicose gera um aumento do crescimento fetal e da produção de líquido amniótico, o que também pode causar complicações.

Jorge Huberman, pediatra e neonatologista (CRM-SP 34.486)

Silvia Herrera, ginecologista, obstetra e coordenadora de medicina fetal do Salomão Zoppi Diagnósticos (CRM-SP 107.923)

Roberto Eduardo Bittar, professor associado do Departamento de Obstetrícia e Ginecologia da Faculdade de Medicina da USP (CRM-SP 39.632)

Sociedade Brasileira de Imunizações

Sociedade Brasileira de Pediatria

Mayo Clinic

XXS - Associação Portuguesa de Apoio ao Bebé Prematuro

Organização Mundial da Saúde (OMS)

Ministério da Saúde

Sociedade Brasileira de Pediatria

The Journals of Pediatrics

Sociedade Brasileira de Imunizações

Associação Brasileira de Pais, Familiares, Amigos e Cuidadores de Bebês Prematuros

Vaccine Knowledge Project

Pastoral da Criança

*As informações e sugestões contidas neste site têm caráter meramente informativo.
*Elas não substituem o aconselhamento e acompanhamentos do profissional da saúde.