Astrocitoma Icone para edição

O câncer no cérebro do tipo astrocitoma se define por um tumor maligno nos lóbulos frontal, parietal e temporal do sistema nervoso. Existem diversos tipos de tumor no cérebro, pois cada um se origina de uma determinada célula do sistema. Há os tumores primários e secundários. Os tumores secundários são aqueles que se manifestam em outras partes do corpo, como próstata e mama, e podem causar metástases cerebrais. De acordo com o Instituto Nacional do Câncer (INCA), 25% dos tumores de origem em outras partes do corpo dão metástases no cérebro. Já o tumor primário é o câncer no cérebro por excelência, pois se manifesta primariamente no sistema nervoso.

O grupo de câncer no cérebro mais frequente é chamado de glioma. O nome glioma engloba uma série de tumores, sendo os astrocitomas mais comuns. O astrocitoma é um tipo de câncer no cérebro que se origina dos astrófitos - células do cérebro que rodeiam as células nervosas e dão suporte aos neurônios. De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (INCA), cerca de 10% dos cânceres no Brasil são cerebrais, sendo que 4% das mortes pela doença no Brasil estão relacionadas ao câncer no cérebro.

Tipos:

O astrocitoma recentemente foi dividido pela Organização Mundial de Saúde em quatro diferentes graus. A identificação desses graus é feita por meio da análise anatomopatológica (que consiste na avaliação a olho nu e microscópica do tecido coletado) além da ressonância magnética. Quanto mais agressivo é o câncer, maior é o seu grau.

Grau 1: considerado o mais próximo de um tumor benigno, o câncer no cérebro de grau 1 pode ser retirado com cirurgia sem maiores problemas. Dos tipos de astrocitoma grau 1, aquele que pode ser considerado curável sem a chance de reincidência é o o astrocitoma pilocítico juvenil cerebelar. Esse tipo de astrocitoma grau 1 se desenvolve em jovens até os 15 ou 16 anos de idade e afeta o cerebelo, área do cérebro que está localizada na região da nuca e é responsável pela coordenação do corpo.

Grau 2: o câncer no cérebro de grau 2 é menos benigno que o primeiro, mas ainda sim pode ser retirado apenas com cirurgia. Se o paciente possui mais de 40 anos, é indicada a radioterapia após a cirurgia.

Grau 3: mais agressivo, o câncer no cérebro de grau 3 também é chamado de astrocitoma anaplásico, e pode ser retirado com cirurgia. No entanto, o câncer cerebral grau 3 precisa ser acompanhado com radioterapia e quimioterapia após o procedimento, que nem sempre retira o tumor completamente

Grau 4: o tipo mais agressivo de tumor cerebral, conhecido também por grioblastoma multiforme. Em geral costuma aparecer após os 50 anos, e a tendência observada pela medicina é que essa faixa etária está caindo. O câncer cerebral grau 4 pode ser retirado com cirurgia, mas pede necessariamente a radioterapia e a quimioterapia após o procedimento. O tumor grau 4 raramente é retirado completamente apenas com cirurgia.

Sintomas:

Os sinais de câncer de cérebro dependem da área afetada pelo tumor. No entanto, episódios de convulsão após os 18 anos são um sintoma comum a todos os tipos de câncer cerebral. Caso o indivíduo sofra uma convulsão após essa idade ou episódios de convulsão abaixo dessa idade não relacionados à epilepsia ou estágios febris, é importante investigar as causas. A dor de cabeça também é sintoma comum a todos os tipos de câncer no cérebro, mas não são uma prioridade na investigação. Isso porque esse sintoma é muito recorrente, podendo indicar diversas condições. Dependendo da área afetada pelo câncer, os sintomas podem ser:

  • Alterações visuais e auditivas
  • Agitação motora
  • Fraqueza ou rigidez muscular
  • Perda de sensibilidade em qualquer parte do corpo
  • Falta de coordenação
  • Dificuldade para falar ou compreender o que é dito
  • Esquecimento das palavras
  • Problemas com leitura e escrita
  • Movimentos involuntários
  • Hidrocefalia, para os casos de câncer no cérebro localizados na região do cerebelo. Isso acontece porque o tumor bloqueia a circulação do líquor, um líquido que circula pela medula espinhal e pelo cérebro, responsável por nutrir e retirar os resíduos do tecido nervoso. A obstrução causada pelo tumor faz com que o líquor se concentre na parte de trás da cabeça, gerando a hidrocefalia.

Diagnóstico:

O diagnóstico de câncer no cérebro é feito por meio da ressonância magnética. Para identificar o grau do tumor, é feita uma análise anatomopatológica do tecido da biópsia. O grau do tumor é determinado pela sua gravidade e agressividade. Quanto maior as chances de o tumor reincidir, maior é o seu grau.

Tratamento:

O tratamento para câncer no cérebro engloba cirurgia para retirada do tumor, seguido de radioterapia e quimioterapia, dependendo da gravidade do câncer. Tumores de grau 1 e 2 nem sempre precisam de outros tratamento além da cirurgia, como é o caso do astrocitoma pilocítico juvenil cerebelar, mas em alguns casos também podem acompanhar a radioterapia, se o médico identificar a reincidência. Há casos em que o câncer no cérebro evolui de grau, pedindo um tratamento mais adequado. Um câncer cerebral não possui cura completa, devendo ser acompanhado durante toda a vida do paciente. Mesmo no caso do astrocitoma pilocítico juvenil cerebelar, o paciente não deve dispensar o acompanhamento médico.

Para avaliar a necessidade de cirurgia, é preciso entender o risco ao qual o paciente está submetido. A cirurgia de risco pode deixar o paciente debilitado, com dependência para a realização de determinadas atividades, ainda que o tumor seja retirado. Nesses casos, a cirurgia é contraindicada. O primeiro fator de atenção para o risco cirúrgico é o local afetado pelo câncer. Tumores em locais mais difíceis, como áreas centrais ou então do lado esquerdo do cérebro (responsável pelo movimento do lado direito do corpo e pela compreensão, com alto risco de demência), geralmente precisam de mais cautela, mesmo aqueles em graus baixos.

Pacientes com comorbidades como diabetes e doenças cardiovasculares, bem como aqueles que cultivam maus hábitos, como o tabagismo e o alcoolismo, também possuem restrições cirúrgicas por terem um risco maior de morrer. O especialista que avalia esse risco é o anestesista, após uma análise de exames pré-operatórios, como exame de sangue, eletrocardiograma, raio-x de tórax e exame de urina. Caso a cirurgia seja contraindicada, o paciente fará apenas radioterapia e quimioterapia.

Complicações:

A radioterapia e a quimioterapia não são processos que afetam somente as células cancerosas. A radiação emitida pela radioterapia é bem localizada na área do tumor, mas ainda possui uma margem de menos de um milímetro para além do câncer – podendo, portanto, afetar células saudáveis. Na quimioterapia o objetivo é matar as células do tumor, que são mais frágeis por serem células defeituosas. Entretanto, nesse processo você pode matar uma série de outras células, levando à queda da imunidade, vômitos, diarreia, queda de pelos e cabelos. Lesões cerebrais em pacientes que fazem radioterapia e em todo o crânio podem causar demência em longo prazo. Caso apenas algumas células pontuais do cérebro sejam afetadas, ele pode apresentar problemas relacionados a parte do corpo comandada por aquela área do cérebro, como a fala, a visão e o movimento.

Este tipo de câncer no cérebro também pode evoluir de grau com o passar do tempo. Caso o paciente esteja com o tumor controlado, fazendo ressonâncias periódicas, o sinal mais alarmante é a convulsão. Excepcionalmente alguns tumores cerebrais mais agressivos podem aparecer em outras partes do corpo, mas é extremamente raro. Os cânceres de graus 3 e 4 possuem alto risco de reincidência, sendo quase certo o aparecimento de um novo tumor mesmo após uma cirurgia de retirada e terapias associadas, daí a necessidade de tratamento contínuo.

Prevenção:

Como os fatores de risco ainda não são conhecidos, não há procedimento para a prevenção do câncer no cérebro. O ideal é ficar atento ao histórico familiar e buscar um médico a menor sinal de suspeita.

Prognóstico:

Após a cirurgia e tratamento por meio de radio e quimioterapia quando necessário, o paciente precisará fazer um acompanhamento médico, com ressonâncias magnéticas periódicas, durante toda a vida - mesmo no caso do astrocitoma pilocítico juvenil cerebelar, único caso considerado curável, o acompanhamento médico periódico deve ser feito. No primeiro ano é feita ressonância trimestralmente, no segundo ano de quatro em quatro meses, no ano seguinte a ressonância é semestral e após três ou quatro anos a ressonância torna-se anual. Para casos menos graves, o acompanhamento pode ter um espaçamento maior, mas tudo depende do paciente. Caso ele sofra convulsões ou outros sintomas de alerta, as ressonâncias voltam a ter uma frequência menor e o tumor é novamente investigado. O uso de corticosteroides ajuda a reduzir o inchaço no cérebro. Alguns pacientes sofrem convulsões como um efeito colateral do câncer, mesmo que não haja piora do quadro. Nesses casos, ele precisa ministrar medicamentos anticonvulsivos por toda a vida. Dependendo da área do cérebro afetada, o paciente pode ter como sequela problemas de coordenação, fala, compreensão ou visão turva.

Astrocitoma tem cura?

Para os cânceres do tipo astrocitoma de grau 3 e 4, a expectativa de vida gira em torno de quatro a cinco anos, com variações para mais ou menos conforme a resposta do paciente. Nos graus 1 e 2, a expectativa é de dez a quinze anos, também com variações para mais ou menos conforme o andamento do indivíduo. No caso de astrocitoma pilocítico juvenil cerebelar, as expectativas são próximas as de um indíviduo sem a doença, desde que a cirurgia tenha retirado completamente o tumor.

Neurologista e neurocirugião Paulo Sanematsu, diretor de neurocirurgia A.C. Camargo Câncer Center - CRM 27775

Instituto Oncoguia

Instituto Nacional do Câncer (INCA)

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