Artrogripose Icone para edição

Artrogripose é o nome dado à malformação das articulações do bebê, ocasionando limitação de movimento e menor força muscular. Nesse quadro, o bebê tem dificuldade em mover as articulações devido a uma contratura.

Normalmente, na artrogripose as articulações não se desenvolvem, a cápsula articular (membrana que envolve as articulações) se torna fibrosa e espessa, dificultando os movimentos. Além disso, os tendões se tornam fibrosos e o músculos ficam atrofiados e desenvolvem infiltrações de gordura. Tudo isso faz com que a criança não consiga mover as articulações que estão com este dano.

De modo geral a artrogripose é congênita e rara, ocorrendo em 1 a cada 10 mil bebês nascidos vivos.

Sintomas:

O principal sintoma da artrogripose é a perda de mobilidade da articulação. O bebê pode nascer com ela flexionada ou estendida, mas logo no nascimento o pediatra consegue notar que o pequeno não é capaz de alterar essa posição.

Normalmente as articulações apresentam características específicas:

  • Ombros: eles podem ficar inclinados, voltados para dentro do tronco e até mesmo internamente rotacionados
  • Cotovelos: eles normalmente estão em extensão, deixando os braços permanentemente esticados, mas em alguns casos a criança pode nascer com eles em flexão
  • Punhos: os punhos costumam estar em flexão e mais voltados na direção do dedo mínimo
  • Dedos das mãos: os dedos costumam ser afilados e ficam dobrados, com o polegar preso a palma
  • Quadris: É comum que alguns bebês apresentam luxação nos quadris, o que impede os movimentos de abertura
  • Joelhos: Os joelhos normalmente estão em extensão, mas também podem aparecer flexionados
  • Tornozelos: os pés ficam semelhantes ao pé torto congênito, voltados para dentro (posição equinovara), mas alguns bebês podem apresentar os pés voltados para fora.

Além dessas características, é possível notar que a pele nas articulações não costuma ter as fendas, pregas e reentrâncias, comuns do movimento.

É importante ressaltar que a maioria das crianças que desenvolve artrogripose, principalmente a artrogripose múltipla congênita, não desenvolve problemas cognitivos, apresentando inteligência e desenvolvimento normal.

Diagnóstico:

O diagnóstico da artrogripose pode ser feito durante o pré-natal. Durante a ultrassonografia morfológica fetal do segundo trimestre, feita entre as 20 e 24 semanas, é comum que o ginecologista observe que o bebê não se movimenta conforme o esperado e apresenta algum desvio no eixo dos membros e até mesmo as mãozinhas fechadas, sinais característicos da artrogripose.

No entanto, o diagnóstico só é confirmado mesmo no nascimento, pela observação clínica do bebê, que nasce com diversas contraturas articulares. Depois disso exames de imagem podem observar melhor como estão as articulações do bebê.

Alguns exames são necessários para determinação da causa do problema. Podem ser feitos exames genéticos para avaliar se há alguma síndrome cromossômica, além de testes neurológicos para descartar problemas no sistema nervoso central, como a eletromiografia e biopsia muscular.

Tratamento:

O objetivo do tratamento da artrogripose é dar a criança o máximo de independência possível. Para tanto, existem diversas intervenções que podem ser feitas. É importante ressaltar que a artrogripose não é uma doença progressiva, portanto ela não piora com o tempo, o que facilita o tratamento.

Nos membros superiores, o primeiro passo é dar mobilidade para as mãos, liberando o movimento dos polegares principalmente. Para tanto podem ser feitas cirurgias específicas. Nos cotovelos é possível trabalhar para conseguir dar flexão ativa a eles, permitindo que a criança mova os braços.

Quanto aos membros inferiores, podem ser usadas trocas gessadas, moldes de gesso trocados periodicamente que ajudam o membro a retornar à posição correta. Caso elas não adiantem, a cirurgia também pode ser uma alternativa. Os pés têm uma tendência a voltar à posição original, mas métodos semelhantes ao tratamento do pé torto congênito vêm sendo usados com sucesso nesse tratamento.

Nesses membros a ideia é permitir que a criança consiga andar sozinha, alinhando os pés e tentando preservar e aumentar a mobilidade das pernas.

Outro ponto importante do tratamento é a fisioterapia que pode ajudar na recuperação dos movimentos. No entanto é importante fazê-la sem forçar demais os membros, já que eles são sensíveis a dor e isso pode desestimular o paciente a seguir com o tratamento.

A terapia ocupacional também tem um papel importante na adaptação de instrumentos como talheres, canetas e computadores, tornando a criança e jovem cada vez mais independentes nas tarefas cotidianas.

O tratamento pode ser iniciado já nas primeiras semanas de vida, inclusive algumas cirurgias já podem ser feitas desde cedo, conforme o diagnóstico do médico. Como cada caso é único, não há uma ordem em que cada membro deve ser tratado.

Tipos:

Existem mais de 100 síndromes consideradas doenças artrogripóticas, ou seja, doenças maiores que apresentam a artrogripose como sintoma. Além disso, existe um quadro clínico chamado Artrogripose Múltipla Congênita, considerada o quadro mais clássico da doença, que costuma comprometer articulações das mãos, pés, cotovelos, joelhos e algumas vezes até o quadril.

Podemos classificar o quadro de artrogripose conforme a quantidade de articulações que ela compromete. Existem dois tipos:

  • Múltipla: que, como descrito, acomete mãos, pés, cotovelos, joelhos e algumas vezes até o quadril
  • Distal: que ocorre apenas nas articulações das mãos e pés, normalmente está mais relacionada a síndromes genéticas.

Além disso, a artrogripose pode ser dividida em severa e moderada, conforme a perda de mobilidade da pessoa.

Complicações:

Quanto maior a demora para tratar a artrogripose, mais difícil a recuperação dos movimentos. Por mais que a doença não evolua ou piore, com o tempo as articulações se estabelecem e se fixam mais, o que torna o tratamento e mudança mais complicada. Nesses casos, a recuperação da mobilidade de algumas articulações pode ser tornar impossível.

Prevenção:

A artrogripose ocasionada por problemas genéticos pode ser evitada quando já há algum filho do casal que tenha nascido com essa doença. Nesses casos, um aconselhamento genético é feito para o casal, que pode recorrer a uma fertilização in vitro com análise dos embriões (usando o método de diagnóstico e mapeamento genético pré-implantação) para escolher o que não apresenta essa característica genética.

Já os outros casos de artrogripose, principalmente a artrogripose múltipla congênita, não podem ser evitados.

Artrogripose tem cura?

Pessoas com artrogripose podem levar vida muito próxima do normal, desde que tratadas desde cedo. Seguir com o tratamento e fazer sessões de fisioterapia e terapia ocupacional são essenciais para adaptação dessa criança ao meio e seu melhor desenvolvimento. Com esses cuidados, dá para esperar um desenvolvimento normal de crianças com artrogripose.

Buscando ajuda médica

Normalmente o diagnóstico da artrogripose é feito no nascimento ou mesmo no pré-natal do bebê, portanto assim que o parto for feito o médico começará a tomar providências e dará as devidas orientações.

*As informações e sugestões contidas neste site têm caráter meramente informativo.
*Elas não substituem o aconselhamento e acompanhamentos do profissional da saúde.