Anemia ferropriva Icone para edição

Anemia ferropriva é o tipo de anemia decorrente da privação, deficiência, de ferro dentro do organismo levando à uma diminuição da produção, tamanho e teor de hemoglobina dos glóbulos vermelhos, hemácias. O ferro é essencial para a produção dos glóbulos vermelhos e seus níveis baixos no sangue comprometem toda cascata de produção das hemácias. Dentro dos glóbulos vermelhos existe uma proteína chamada hemoglobina que tem na sua estrutura bioquímica a presença de moléculas de ferro e de cobalto (o cobalto está presente na vitamina B12). A hemoglobina é a responsável pelo transporte do oxigênio que respiramos até todas as células do corpo humano. Na diminuição desta (hemoglobina) o transporte de oxigênio fica comprometido e várias consequências danosas serão desencadeadas. Estima-se que 90% das anemias sejam causadas por deficiência de ferro.

Sintomas:

Existe uma gama de sintomas desencadeados pela anemia ferropriva, são eles:

  • Fadiga crônica e desânimo
  • Cansaço aos esforços
  • Pele e mucosas pálidas (descoradas)
  • Tonturas e sensação de desmaio
  • Dores de cabeça e dores nas pernas
  • Geofagia ( vontade incontrolável de comer terra )
  • Queda de cabelo e unhas fracas e quebradiças
  • Falta de apetite
  • Taquicardia (aceleração dos batimentos cardíacos )
  • Dificuldade de concentração e lapsos de memória
  • Diminuição do desejo sexual.

Diagnóstico:

Com um simples exame de sangue já é possível confirmar se o paciente está anêmico e se é a carência do ferro a causa. Os exames mais apropriados são:

  • Hemograma (série vermelha): detecta se a taxa de hemoglobina está baixa e se o formato dos glóbulos vermelhos está alterado. Glóbulos vermelhos muito pequenos (microcitose) e de coloração mais descorada (hipocromia ) são dados que confirmam ser a deficiência de ferro a principal causa
  • Ferritina: avalia as reservas de ferro dentro do organismo, que geralmente estão baixas na anemia ferropriva
  • Outros parâmetros como dosagem de ferro e capacidade total de ligação do ferro podem se alterar em outras condições clínicas e não apenas na anemia ferropriva, devendo ser avaliados com cautela para não haver confusão no diagnóstico.

Estes parâmetros acima citados, quando alterados, muitas vezes exigem exames complementares à fim de procurar causas para a carência de ferro. Uma boa anamnese alimentar (entrevista sobre os hábitos alimentares do paciente) pode confirmar uma alimentação pobre em ferro. Quando não parece ser a falta de ferro na alimentação causas secundárias devem ser investigadas exigindo exames como:

  • Endoscopia Digesta Alta
  • Colonoscopia
  • Exame Parasitológico de Fezes
  • Esfregaço da Medula Óssea
  • Urina Tipo 1
  • Pesquisa de sangue oculto nas fezes.

Tratamento:

O tratamento à princípio é repor a necessidade imediata de ferro do organismo, por meio da prescrição de doses medicamentosas deste nutriente. As doses de sais de ferro podem chegar a 200 ou 300 mg tomadas em doses diárias por no mínimo 2 a 3 semanas, variando conforme cada caso e grau de anemia. As causas secundárias como má absorção intestinal, perdas sanguíneas crônicas e parasitoses intestinais devem ser tratadas conforme cada caso.

Complicações:

O não tratamento da anemia por carência de ferro pode trazer complicações cardiovasculares como insuficiência cardíaca podendo levar ao óbito, quando a anemia for profunda. Em casos de anemia mais leve o paciente poderá se queixar frequentemente dos sintomas acima citados e sua imunidade pode ficar comprometida e infecções frequentes podem ocorrer.

Anemia ferropriva tem cura?

O tratamento da anemia ferropriva devolve a qualidade de vida do paciente.

Prevenção:

A prevenção primária começa evitando uma alimentação pobre em ferro. Os alimentos mais ricos em ferro são:

  • Carne vermelha
  • Gema de ovo
  • Melaço da cana
  • Folhas verde escuras (rúcula, agrião, couve, espinafre, etc)
  • Leguminosas como feijão, ervilha, grão-de-bico, soja, lentilhas
  • Fígado, miúdos de peru e frango.

Como o ferro de origem vegetal tem uma baixa absorção intestinal recomenda-se acrescentar na mesma refeição alimentos fontes de vitamina C como frutas cítricas (laranja, limão, abacaxi, acerola), pois esta vitamina aumenta a absorção do ferro vegetal na mucosa intestinal. De maneira contrária o cálcio pode diminuir a absorção de ferro de origem animal e alimentos como leite e derivados (queijos, iogurtes) não devem estar na mesma refeição contendo carne vermelha, principalmente quem está tratando de anemia ou corre maior risco de tê-la como as situações citadas nos grupos de risco.

Acrescentar também alimentos enriquecidos com ferro como farinha de trigo e milho são estratégias interessantes para a prevenção da anemia ferropriva. Gestantes devem tomar suplemento de ferro prescritos pelo obstetra para não desencadear esta anemia.

Roberto Navarro, nutrólogo, CRM: 78392/SP

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